Desporto

Diogo Correia o piloto do momento. Em entrevista exclusiva

Diogo Correia, natural de Vila Verde, tem 23 anos, e é bi-campeão nacional na categoria de drifting PRO. Começou a competir há três anos e alcançou o feito de ser campeão nacional nas duas primeiras provas que concorreu em alta rotação, batendo toda a concorrência que apresentava mais experiência no mundo do drifting.

(c) JR / SemanarioV

A performance do piloto vilaverdense em provas nacionais, levou a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) a endereçar-lhe o convite para concorrer numa das provas mais importantes da modalidade da Europa e no Mundo, a Drifting Cup em Itália.

A sua prestação teve um impacto que nunca imaginou depois de alcançar um fabuloso 5º lugar ao lado dos melhores pilotos do mundo. “Foi um orgulho estar ao lado dos melhores e trazer para casa um honroso 5º lugar, mas principalmente o reconhecimento da organização, dos pilotos e das equipas presentes” revelou o piloto em entrevista exclusiva ao V.

No final da prova de Itália o piloto de Vila Verde estava nas bocas do mundo e inundou as redes sociais de mensagens de apoio das quais se destacaram a da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting onde referiram que “Diogo Correia não chegou à final dos FIA Motorsport Games no Drifting Cup. Problemas na caixa de velocidades impediram de vencer a última batalha que disputou. Foi no entanto dos melhores pilotos em pista e amplamente elogiado por todos. Portugal não poderia estar melhor representado”.

Na página da oficial da AutoCorreiaMotorSport as palavras foram de orgulho e honra. ” Foi um enorme orgulho poder defender Portugal, e representar o país. Ontem conseguimos um excelente 1º Lugar nas qualificações demonstrando o nível do DRIFT Português, onde muitas equipas não conseguiram pontuar. Queremos desde já agradecer á FPAK pelo convite, a todos os Sponsors que permitem este sonho possível e a todos que nos apoiam tornando ainda mais especial cada corrida. Não baixaremos os braços porque #Gohardorgohome.”

Fomos conhecer melhor a ainda jovem carreira do piloto vilaverdense numa entrevista exclusiva, na casa mãe da sua carreira, a oficina do Pai, AutoCorreiaMotorSport, em Prado São Miguel, Vila Verde, onde nos falou dos sonhos e do futuro.

Como tudo começou Diogo?

Comecei a correr há 3 anos e no primeiro ano fiquei a um ponto do pódio mesmo sem grande carro para competir. Nos anos seguintes, fomos campeões e evoluímos o carro para isso mesmo. Estamos sempre a trabalhar diariamente para conseguir ser sempre melhores. Há sempre críticas porque ganhamos todas as provas. Quando estamos em cima é normal. A nível nacional sinto muita dificuldade pois até controlo de doping já tive por causa dos meus resultados.

Onde foi concebido o carro?

O carro é 100% Português e Vilaverdense. Tudo feito de origem na nossa oficina. Desde direcções, suspensões e pormenores do motor são todos construídos de raiz. Foi o único carro que esteve em competição em Itália que é 100% nacional.

A estética do carro foi imposta pela FPAK que financiaram e foi dito na prova que sem dúvida era o carro mais bonito em prova e aquele que melhor retratava as cores dos países em competição. O carro gasta em média 22 pneus por prova, 250 euros de gasolina fora as manutenções do carro, deslocações, alimentação e todos os gastos com a equipa.

(c) JR / SemanárioV

Foi a primeira prova internacional?

Sim, foi a primeira prova que fiz fora de Portugal. Só a sensação de estar lá já é fantástica a representar Portugal e depois dos resultados foi ainda mais gratificante. Colocar a bandeira Portuguesa em primeiro lugar foi fenomenal. Onde estava escondido estes anos todos? Foi a pergunta que mais ouvi durante a prova. Estou orgulhoso por isso e dá-me força para continuar.

Qual foi a sensação quando soubeste que foste o mais rápido na qualificação?

Tenho informações via rádio do meu chefe de equipa, mas só falamos o necessário para não provocar pressões, e na primeira entrada em pista ele disse-me que era treino. Já era qualificação. Quando terminei perguntei se dava para passar nos 16 primeiros. A resposta dele foi afirmativa mas quis ser melhor. Dei o meu máximo e consegui chegar ao topo. A sensação de chegar ao fim da prova e olha para o painel de informações e ver o meu nome e a bandeira portuguesa em primeiro lugar foi um momento único. Arranquei 100% confiante. É único viver esse momento.

O que falhou para não subires ao top 4?

Uma avaria na caixa traiu a minha prova. Na primeira volta o meu adversário teve um erro de saída de pista que me colocava em primeiro lugar e logo seria classificado. Na segunda volta a falha na caixa, fiquei sem a 4ª velocidade, fez-me endireitar o carro e dar “one more time” perdendo a tração para conseguir alcançar o meu adversário. Não tenho dúvida que sem esta falha estaria no top 4 a lutar pelas medalhas. Não vejo ali erro dos jurados. Foi uma decisão que custou mas que depois de pensar a frio sei que foi justa. Perdendo o drift é pontuação zero. Temos que pensar que era dos mais novos pilotos em competição, sem apoios e a qualificação é individual. Podemos ser o melhor piloto e não alcançar os melhores lugares. O favorito foi no 14º lugar, só aí se vê a competição neste tipo de provas.

Qual a sensação de sentir este apoio de tanta gente que inundou a internet de elogios e partilhas da tua prova?

Fiquei surpreendido. Só tive acesso ao telemóvel 4 dias depois da prova e quando tive a magia do sucesso foi um orgulho enorme. Agradeço desde já a todos os apoiantes, comunicação social, amigos e família pelo apoio e principalmente ao SemanárioV pela partilha e acompanhamento da prova, onde estivemos em primeiro lugar durante 18 horas com a notícia mais partilhada de Portugal. Quando me contaram não queria acreditar. Hoje estou a viver um sonho de ter crianças que querem tirar fotos comigo, tal como eu quando era mais jovem queria tirar com ídolos. Durante a viagem foi gratificante em França, Espanha vinham ter comigo Portugueses e davam me os parabéns. Um orgulho enorme representar o meu país e a minha terra e sentir que eles estiveram comigo. Fui defender o meu país.

Quantos elementos fazem parte da equipa?

Somos 5 mecânicos para trabalhar no carro. São 8 pessoas a trabalhar comigo. Um chefe de equipa, chefe dos mecânicos, o homem do detail, tenho um ajudante para cada um deles e tenho uma cozinheira, uma ajudante e outra pessoa para limpar o carro. Sempre limpo.

(c) JR / SemanarioV

Tens apoios da Vereação do desporto do Município de Vila Verde?

O presidente da Câmara e o executivo quando ganhei o título de campeão nacional, apareceu para tirar o retrato da praxe, mas quando foi para colaborar e apoiar o projeto já não consegui a celeridade para patrocinar o meu projeto. O que pedi foi um autocarro para as pessoas amigas e os meus apoiantes poderem assistir às provas nos vários pontos do país. Até hoje não obtive resposta ao pedido. Mas sigo o meu caminho e não penso em pedir novamente o apoio da autarquia. Sei, porque muitos pilotos me confidenciam, que no país têm apoios das autarquias para as corridas e principalmente para os projectos da terra, porque levo bem alto as cores de Vila Verde. Todos os gastos são por minha conta. Tenho ajuda simbólica do Centro Óptico Ibérico de resto é tudo por conta da equipa e fruto do trabalho da equipa.

Quais são as tuas expectativas para o futuro?

Neste momento estamos em standby, ainda a digerir tudo isto. Estamos a pensar aumentar a potencia do carro, mudar a caixa, colocar uma mais resistente e fomos convidados lá, pela organização para fazer um campeonato europeu. Recebemos um “wild card” que é dado, segundo eles, apenas aos melhores, são convidados. A organização DriftMasters convidou-nos para este campeonato europeu. Foi mais um orgulho para nós. Estamos a pensar concorrer em Riga, na Lituânia, uma das melhores provas do mundo do drift. Gostava de arranjar patrocinador para fazer esse campeonato, mas pelo menos uma prova lá estaremos. Para um campeonato europeu preciso de 40 50 mil euros para fazer o campeonato. Vamos apontar para daqui a 3 anos fazer o campeonato europeu. Em termos nacionais quero fazer o tri (risos).

Diogo Correia prometeu muito trabalho e acima de tudo um trabalho de equipa sempre a pensar nos melhores resultados. Referiu em off que o trabalho é fruto da educação e da força dada pela família e amigos. “Noites e noites de trabalho. É um projeto de um grupo de amigos que se uniu e fazem agora parte da equipa. Queremos continuar a trabalhar para ser cada dia melhores”, referiu o piloto em jeito de conclusão e com o lema #Gohardorgohome.

 

 

 

 

 

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