Braga

Juíza suspeita presente hoje ao Tribunal de Guimarães

A juíza estagiária Soraia Ribeiro, que é suspeita de ter integrado uma eventual associação criminosa, com o marido, o guarda Sérgio Ribeiro, da GNR de Fafe, será apresentada esta tarde ao juiz de instrução criminal de Guimarães, para primeiro interrogatório judicial e com vista à aplicação das respetivas medidas de coação, incluindo o sogro da jurista e pai do GNR, Joaquim Ribeiro, com residência em Mondim de Basto, no distrito de Vila Real.

Soraia Ribeiro, auditora do segundo ano, em plena vertente prática, do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), em regime de estágio, no Tribunal de Santa Maria da Feira, da Comarca de Aveiro, foi detida pela Polícia Judiciária de Braga, em operação liderada pelo juiz de instrução criminal Pedro Miguel Vieira, do Tribunal de Instrução Criminal de Guimarães, que durante a tarde desta terça-feira presidirá aos interrogatórios a todos os três arguidos.

Anteriormente advogada estagiária na Comarca de Fafe, Soraia Ribeiro é casado com um dos outros suspeitos, o guarda Sérgio Ribeiro, do Posto Territorial da GNR de Fafe, sendo que vivem num andar duplex em frente às instalações do Destacamento da GNR de Fafe.

A Polícia Judiciária de Braga desmantelou ao longo desta segunda-feira uma associação criminosa, tendo detido um casal, ela juíza estagiária, ele guarda da GNR, ambos de Fafe, por alegados crimes de burlas qualificada, de exercício ilícito da atividade de segurança privada, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal e ainda detenção de arma proibida.

Os detidos são o guarda Sérgio Ribeiro, que prestava serviço no Posto Territorial da GNR da Fafe e foi pugilista do Vitória de Guimarães, bem como sua mulher, juíza auditora do segundo ano, anteriormente advogada em Fafe, para além do pai do militar, de Mondim de Basto, Joaquim Ribeiro, residente numa aldeia deste concelho do distrito de Vila Real.

Os detidos têm entre 28 anos (a juíza auditora) e 74 anos (o pai do mesmo militar da GNR de Fafe), tendo o militar da GNR 33 anos, este último com vários processos disciplinares, incluindo até o caso de um recente tiroteio que protagonizou no centro da cidade de Fafe.

Através do seu Departamento de Investigação Criminal de Braga, a Polícia Judiciária, em cumprimento de mandados de busca e detenção emitidos pelas autoridades judiciárias da Comarca de Braga, magistrados judiciais e do Ministério Público, realizou uma operação, em Fafe e Mondim de Basto, entre as diversas localidades do Minho e de Trás-os-Montes.

Os detidos, “ao longo de vários anos, na zona do distrito de Braga e num município do distrito de Vila Real [Mondim de Basto, onde foi detido Joaquim Ribeiro, pai do GNR e sogro da jurista de Fafe], foram desenvolvendo atividade criminosa junto de pessoas de idade avançada, alegando problemas com a Justiça de um dos quatro coarguidos e, desta forma, obtiveram financiamentos avultados na ordem das centenas de milhares de euros que, parte dos suspeitos, gastaram de forma faustosa, após a sua dissimulação em várias contas bancárias”, segundo adiantou em comunicado oficial a Polícia Judiciária de Braga.

Dois dos arguidos estão indicados pela prática do crime do exercício ilícito da atividade de segurança privada, atendendo à natureza pública da função de um deles, o militar da GNR de Fafe, que estava já colocado na sede do Comando Territorial da GNR de Braga, em serviço administrativo, tendo entrado em sucessivas baixas médicas, enquanto espera o desenvolvimento de processos disciplinares internos, na Guarda Nacional Republicana.

Casal levava vida faustosa

Da realização de quatro buscas resultou a apreensão de várias viaturas de gama alta, de vestuário e de acessórios, telemóveis e equipamentos informáticos, bem como vasta prova documental, como referiu a Polícia Judiciária de Braga, em comunicado para a Imprensa.

Tudo indica que os proventos da suposta atividade ilícita atribuída ao casal, a jurista e o militar da GNR, terão permitido a ambos levar uma vida faustosa, claramente muito acima dos valores médios auferidos, com ostentação de sinais exteriores de riqueza, comentados especialmente no seio do Comando Territorial da GNR de Braga, onde a situação daquele militar suspeito já se arrastava há vários anos, com processos disciplinares que estavam a aguardar diligências, o que causava muita revolta entre os profissionais da GNR de Braga.

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