Braga

Juíza estagiária e GNR começaram a ser ouvidos no Tribunal

Partilhe esta notícia!

A juíza estagiária e o marido militar da GNR já começaram a ser ouvidos, pelo juiz de instrução criminal, no Tribunal de Guimarães, ao princípio da tarde desta quarta-feira, além do pai do militar, tal como o casal, indiciados por crimes de associação criminosa e de burlas de centenas de milhar de euros junto de idosos nas regiões do Minho e de Basto.

Os três detidos foram presentes esta manhã de quarta-feira ao Tribunal de Guimarães para o primeiro interrogatório judicial e a aplicação das medidas de coação, dada extensão das provas indiciárias recolhidas pela Polícia Judiciária de Braga, já nas buscas domiciliárias.

Segundo apurou o V, os arguidos teriam de ser apresentados ao juiz de instrução criminal, Pedro Miguel Vieira, até às 12h00 de hoje, por se completarem 48 horas sobre a hora das suas detenções, formalizadas ao meio-dia de anteontem, segunda-feira, ainda na presença daquele magistrado judicial, que presidiu às buscas no escritório da ex-advogada em Fafe, bem como na residência do casal, um andar duplex, em frente ao Quartel da GNR de Fafe.

Ao princípio da tarde de ontem, inspetores da Polícia Judiciária de Braga entregaram, no Palácio da Justiça de Guimarães os mais recentes desenvolvimentos do processo, como o rol de apreensões nas buscas e a sua conexão com as suspeitas que se foram consolidando, documentos que os magistrados foram consultando, para hoje realizar os interrogatórios.

Diretor da PJ esteve na GNR

Na véspera da operação, o diretor da PJ de Braga, António Gomes, esteve em Vieira do Minho, nas cerimónias evocativas do Dia do Comando Territorial da GNR de Braga, mas acabaria por regressar logo a seguir às instalações da Polícia Judiciária de Braga, onde os operacionais ultimavam os preparativos para desencadear a operação logo no dia seguinte já depois das investigações criminais da brigada liderada pelo inspetor-chefe Mário Viana durante os últimos meses, que culminaram o clima de impunidade vivido no seio da GNR, graças ao trabalho de sapa realizado no processo, cujo titular é o inspetor José Lourenço.

António Gomes, o coordenador de investigação criminal responsável pela PJ de Braga, já tinha trabalhado com o juiz Pedro Miguel Vieira, aquando do processo “Apito Dourado”, no Tribunal de Gondomar, comarca onde este magistrado já era juiz de instrução criminal.

Colocado em Braga, mas de baixa

O guarda Sérgio Ribeiro estava de baixas médicas consecutivas, já após ter sido colocado no pelotão de apoio aos serviços administrativos, na sede do Comando Territorial da GNR de Braga, onde os seus camaradas de armas não desejavam trabalhar com ele, lamentando a demora de anos nos processos de casos envolvendo o militar, já com diversos processos disciplinares, como o tiroteio, em Fafe, mas congratulando-se com a ação da PJ de Braga, bem como da coragem do à data comandante da GNR de Braga, o coronel Paulo Soares.

Como apurou o V, o militar da GNR de Braga tinha um lado considerado muito positivo, por fornecer muitas informações do submundo da noite que terão permitido operações de grande envergadura do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) do Comando Territorial da GNR de Braga, levando assim a que outros militares, de oficiais a sargentos, tivessem sido louvados, jogando com isso, a seu favor, enquanto, segundo se suspeita, se dedicaria ao exercício da atividade de segurança privada ilegal, estando alegadamente ligado a uma empresa do ramo, sediada na região do Vale do Ave, um dos crimes de que está indiciado.

Futura juíza conhecida da GNR

A futura juíza, Soraia Ribeiro, era conhecida na sede do Comando Territorial da GNR de Braga, costumando como advogada estagiária, defender alguns militares da GNR a contas com processos disciplinares, enquanto o marido, guarda Sérgio Ribeiro, estava sinalizado pela ostentação quase obsessiva de muitos sinais exteriores de riqueza, tal como a jurista, cuja vida faustosa do casal indiciava que teriam rendimentos permanentes não declarados.

Pai do GNR foi motorista

Joaquim Ribeiro, pai do militar da GNR e sogro da auditora de justiça, de 74 anos, com residência na vila de Mondim de Basto, distrito de Vila Real, antigo motorista da empresa Mondinense, dedicava-se a organizar excursões rodoviárias, para idosos e outros grupos, tendo sido a partir dos contactos diários de décadas que terá convencido emigrantes e não só a emprestar avultadas quantias alegadamente para pagar dívidas do seu próprio filho.

Comentários

topo