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GNR preso também suspeito por “cobranças difíceis”

O militar da GNR, António Sérgio Ribeiro, está em prisão preventiva © Joaquim Gomes / Semanário V
Joaquim Gomes
Escrito por Joaquim Gomes

Guarda Ribeiro ostentava sinais exteriores de riqueza

O militar da GNR preso por alegadamente liderar uma associação criminosa que tinha por objetivo principal sacar dinheiro a idosos para manter uma vida faustosa, a par da sua mulher, juíza estagiária, é também suspeito de “cobranças difíceis”, através de esquemas de segurança privada ilegal, bem como fazer “proteção” com discotecas e casas noturnas.

António Sérgio da Silva Ribeiro, de 33 anos, natural de Mondim de Basto, residente em Fafe e ultimamente colocado da sede do Comando Territorial da GNR, em Braga, está no Presídio Militar de Tomar, em prisão preventiva, como referiu o Semanário V, tendo sido o único detido a não prestar declarações ao juiz de instrução criminal de Guimarães, Pedro Miguel Vieira, seria já um dos dois responsáveis por uma empresa de segurança privada.

Segundo as investigações da Polícia Judiciária de Braga, desde o ano de 2015, o guarda da GNR de Fafe (uma subunidade do Comando Territorial de Braga da Guarda Nacional Republicana), em simultâneo com a sua atividade profissional de agente da autoridade, dedicar-se-ia a gerir uma empresa de segurança privada, com sede na Lixa, em Felgueiras.

Terá sido esta atividade paralela que levou ao célebre tiroteio, em 20 de setembro do ano passado, no centro da cidade de Fafe, o princípio do fim daquele guarda da GNR, António Sérgio Ribeiro, quando o então comandante distrital da GNR, coronel Paulo Soares, que deixou muitas saudadas entre os profissionais da GNR de Braga, teve a coragem de logo suspender o militar, iniciando-se um processo disciplinar, que entretanto ficou parado, a partir do momento em que aquele oficial superior da GNR originário do Regimento de Comando da Amadora foi colocado no teatro de operações de República Centro Africana.

A par do processo que envolverá uma verba de cerca de meio milhão de euros desviados alegadamente pelo pai do guarda da GNR, Joaquim Magalhães Ribeiro, de 74 anos, junto de idosos das Terras de Basto – Mondim de Basto, Ribeira de Pena, Celorico de Basto e Cabeceiras de Basto – está a decorrer uma investigação aos esquemas de segurança ilegal, visando a contratação de “vigilantes”, para bares, discotecas e outros estabelecimentos de diversão noturna, bem como a execução de alegadas “cobranças difíceis” naquela região.

Futura juíza saberia de tudo

As escutas telefónicas, gravadas pela Polícia Judiciária de Braga, durante meses a fio, já com as contas bancárias do casal passadas a pente fino pelo Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA), da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, revelaram que os esquemas de segurança privada ilegal do soldado António Sérgio Ribeiro, seriam do conhecimento da sua mulher, a futura juíza Soraia Gonçalves Ribeiro, de 28 anos, que estava a estagiar no Tribunal Judicial de Santa Maria da Feira, da Comarca de Aveiro, saberia de tudo aquilo a que o marido se dedicava a nível de “segurança” a estabelecimentos de diversão noturna.

O facto de terem passado centenas de milhar de euros pelas contas bancárias da juíza, em apenas três anos, será sintomático do seu conhecimento dos factos em investigação, mas o Ministério Público entendeu que a candidata a juíza seria bastante influenciada pelo seu marido, que também se dedicava a kickboxing, a par de António “Animal” Sousa, como é conhecido nos meios desportivos o seu sócio na empresa de segurança privada da Lixa, António Paulo Magalhães de Sousa, dos mais famosos atletas do Vitória de Guimarães, que tendo sido detido aquando dos outros suspeitos, saiu logo em liberdade, já que quanto a este último os indícios serão muito residuais, tendo conta os outros principais arguidos.

Militares lamentam que tenha sido a PJ e não a GNR a deter o suspeito

Os sinais exteriores de riqueza do militar da GNR e da sua mulher jurista, que eram pelos dois partilhados nas redes sociais, com várias férias de luxo em destinos paradisíacos, ao longo dos últimos anos, não deixavam indiferentes os fafenses que conheciam o casal e o coletivo da militares da GNR de Braga, para quem esta operação policial só terá pecado por tardia, lamentando que tenha sido a Polícia Judiciária e não a própria GNR de Braga, a deter o militar suspeito, como tem sucedido com casos semelhantes em outros comandos territoriais da Guarda Nacional Republicana, mas “mais vale tarde do que nunca”, como disseram ao Semanário V, vários profissionais da GNR de Braga, revoltados com o caso.

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