Vila Verde

Jovem procura irmão desaparecido há 7 anos. Não desiste e apela ajuda!

Dora Ferreira é irmã do José Guilherme da Silva Ferreira, desaparecido há aproximadamente 7 anos.

Em entrevista em exclusivo ao Semanário V, Dora Ferreira, revelou toda a sua história de vida e toda a luta que traça diariamente para tentar encontrar o irmão que não vê há cerca de 7 anos.

Problemas de toxicodependência 

(c) DR

“O meu irmão Zeca como toda a gente o trata, é toxicodependência desde os seus 20 anos, tudo começou com más companhias e maus ambientes”. Dora fala num rapaz educado e bem parecido, respeitador que caiu na tentação da droga devido às companhias que o desviaram dos bons caminhos “O meu irmão sempre foi muito educado um ser humano espetacular”.

“A nossa vida foi sempre tentar com que ele saísse desse mundo negro: desintoxicação atrás de desintoxicação, sempre falhadas infelizmente”. Conta a própria que há mais ou menos 12 anos, o irmão, decidiu ir para Sintra e  inicialmente dizia à mãe que ia para um centro de desintoxicação. Passaram “um ano,dois, três… e foi ficando a viver por lá”. “Ele dizia sempre à minha mãe que vivia num anexo de uma casa que os donos o deixavam lá dormir. De quando em vez ele vinha cá à Póvoa de Lanhoso visitar a família”, revela a irmã.

Cada vez mais magro e mais fraco, trazia sempre um “amigo”, o Bruno. O Bruno também ele toxicodependente. Viviam os dois no dito anexo da casa.

Tiroteio em Sintra fez desaparecer o José

“Qual não é o nosso espanto… um dia o telemóvel da minha mãe toca e do outro lado era uma senhora de uma residencial em Sintra e diz à minha mãe: olhe o Bruno disse-me que tinha havido um tiroteio em Rio de Mouro –  e desde então o Zé tinha desaparecido, isto um mês depois de a última vez que falou para a minha mãe”, revela.

Família fez buscas em Sintra

A irmã partiu para Sintra, a conduzir o seu carro já de noite, mas, diz-nos, “não pensei duas vezes e meti-me à estrada sem conhecer esses lados. Foram os momentos mais longos da minha vida. Cheguei a Sintra com a minha mãe e um vizinho meu que conhecia mais ou menos a zona de Sintra. Chegamos à residencial e tivemos a conversar com a dona que nos tinha ligado a contar do desaparecimento do meu irmão”.

“Na manhã seguinte iniciamos a nossa batalha de conseguir respostas para as nossas perguntas. Primeiro fomos com o “amigo”do meu irmão, o Bruno, e lá fomos ao sitio onde supostamente teria sido o tiroteio. Era um bairro de classe média com várias casas habitadas onde só uma delas estava ao abandono e muito degradada. Teria sido nessa casa que foi o dito tiroteio”.

Sem conseguir entrar na propriedade, dirigiu-se à PSP de Rio de Mouro onde tentou perceber se realmente teria havido algum tiroteio no bairro.”Isto tudo era muito assustador para mim e para a minha mãe. Nunca pensei que se podia sofrer tanto na vida. Pelos registos da PSP não havia nada sobre isso nem nessa data nem nesse bairro”.

“Os agentes da PSP foram incansáveis comigo. Ajudaram em tudo que era possível para eles. Fomos lá e eles entraram, fizeram uma busca à casa e nada. Sem sinais de tiros, não havia sangue… estava limpo!”.

De seguida a família dirigiu-se à GNR de Sintra e esteve a falar com o NIC. Expuseram o caso e logo de imediato “eles disseram-me que conheciam bem o meu mano Zé Braga, como lá era conhecido”.

Depois disso, “fomos a Colares, freguesia lá próxima descobrir alguma coisa… desde a ida à GNR a perguntar a pessoas com uma foto se teriam visto por lá o meu irmão, e nada. Corri de ponta a ponta a freguesia e nada. Nem a GNR sabia quem era. Não o conheciam”.

Procuras em bairros

“Fui bem recebida onde toda a gente me dizia que conheciam o Zé mas que já não o viam há mais ou menos um mês, tempo esse que foi o desaparecimento dele. Nesse mesmo bairro disseram-me para ir a uma feira grande mas não me lembro de nomes”.

Entretanto sem resposta “em tudo quanto eram entidades de autoridade para o desaparecimento do meu irmão fui a Lisboa à Polícia Judiciária”, conta.

“Na PJ expus o caso do meu irmão, referi tudo o que já havia feito na tentativa de encontrá-lo ou alguma pista. A primeira coisa que me disseram foi: o seu irmão é maior e vacinado pode querer estar desaparecido. Eu disse-lhes que não. O meu irmão infelizmente além de ser toxicodependente estava num estado muito degradado. Referi mesmo que foi a GNR de Sintra que me informou o estado do meu irmão”.

“Não desisto e por isso procuro diariamente formas de encontrar o meu irmão”, remata.

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