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Luisa Pinto, a investigadora de Vila Verde que venceu bolsa internacional

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Luísa Pinto, natural de Vila Verde, é investigadora da Universidade do Minho (UMinho) a trabalhar na área da depressão e ganhou um dos prémios dos Nature Research Awards for Driving Global Impact, que distingue investigadores em início de carreira, anunciou a academia.

Luisa Pinto falou em exclusivo ao V, abrindo o coração sobre o assunto que percorreu o país e o mundo.

(c) DR

Luisa Pinto, 38 anos, Bioquímica

Luisa Pinto (38 anos, PhD) fez Licenciatura em Bioquímica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Iniciou o seu trabalho de investigação no Instituto Karolinska (Estocolmo, Suécia), onde fez um estágio sobre o tema células estaminais como instrumento terapêutico para a Doença de Parkinson com o Prof. Ernest Arenas e o Dr. Gonçalo Castelo-Branco, especialistas em células estaminais e terapias regenerativas. Luisa foi depois para o Helmholtz Zentrum München, Alemanha, para fazer doutoramento em neurociências sobre o tópicos “mecanismos moleculares que regulam a neurogénese no córtex cerebral durante o período de desenvolvimento embrionário de roedores”, sob a supervisão da especialista altamente reconhecida em células estaminais e neurogénese, Prof. Magdalena Goetz. Em 2008, Luisa obteve uma posição de pós-doutoramento no laboratório do Prof. Nuno Sousa, no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, Portugal. Luisa é atualmente Investigadora Auxiliar no ICVS e Professora Auxiliar Convidada na Escola de Medicina da Universidade do Minho. Luisa é também gerente da start-up “BNML – Behavioral & Molecular Lab” e membro da Rede Temática de Resiliência do Colégio Europeu de Neuro-Psicofarmacologia (ECNP).

47 artigos revistos e publicados

Luisa Pinto publicou 47 artigos revistos por pares com um fator de impacto acumulado de 288 (fator de impacto médio de 7; índice h = 18), incluindo em revistas de topo como Nature Neuroscience, Neuron, Molecular Psychiatry e Cell Stem Cell. O seu trabalho tem mais de 1000 citações. Luisa é frequentemente convidada para a revisão de artigos para revistas como a Molecular Psychiatry, Neuropharmacology, Neuroscience e é atualmente editora das revistas Advances in Biology, Matters, EC Neurology e Current Pharmacogenomics and Personalized Medicine. Ela é também editora no tópico de Neurogénese para a revista Frontiers in Neurosciences.

Luisa Pinto está actualmente a supervisionar 1 pós-doc, 10 doutoramentos e 2 mestrandos. Além disso, 3 PhD e 14 estudantes de mestrado já terminaram o grau sob sua supervisão.

Investigação de Luisa Pinto

Os principais interesses da investigação de Luisa Pinto estão atualmente focados no estabelecimento de correlações funcionais e estruturais mediadas pelo stress e suas implicações na depressão. Avaliação detalhada de eventos neuro- e glio-plásticos, proliferação de células estaminais neurais adultas, incorporação de células recém-geradas em redes neuronais, rearranjos de contactos dendríticos e sinápticos estabelecidos, combinados com correlatos comportamentais e eletrofisiológicos foram estabelecidos no seu laboratório.

 

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Prémio Nature Research Awards for Driving Global Impact,

“Como resultado do meu trabalho ao longo dos últimos anos e do seu Curriculum Vitae Luísa Pinto, investigadora do ICVS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho, ganhou um dos prémios dos Nature Research Awards for Driving Global Impact, que distingue investigadores em início de carreira pelo trabalho, desenvolvido e potencial, com impacto na comunidade”, revela a investigadora ao V.

Luísa Pinto foi uma das três vencedoras do prémio Nature que distingue jovens cientistas cuja investigação tem um impacto positivo na comunidade.  A investigadora da Universidade do Minho era a única mulher e a única portuguesa no restrito lote de finalistas. O Nature Research Awards for Driving Global Impact pretende distinguir a carreira de jovens investigadores com impacto criado e potencial, sendo que além do currículo, os candidatos submetem um projeto a desenvolver. No caso de Luísa Pinto, a depressão é um dos tópicos que tem trabalhado, sendo que com esta proposta pretende construir uma base para criar novos antidepressivos.

A investigadora portuguesa, uma das três galardoadas, recebe assim uma bolsa de 10.000 dólares americanos (mais de 9.000 euros), à qual se acrescenta um perfil na revista Nature e no sítio online do prémio.

Luísa Pinto estuda a relação entre os astrócitos gerados de novo no cérebro adulto – células do sistema nervoso central que têm a função de sustentar e nutrir os neurónios, bem como regular os neurotransmissores – e a patofisiologia da depressão, procurando encontrar novos rumos para a pesquisa clínica e terapias mais eficazes.

No projeto apresentado, a investigadora revela que “pretende atacar a doença, através de uma visão integrada e inovadora acerca do papel dos astrócitos gerados de novo no hipocampo e da sua função num cérebro deprimido. A partir daqui, tendo o potencial para encontrar um novo conjunto de alvos terapêuticos, o objetivo é desenvolver novas intervenções terapêuticas, como novos antidepressivos”.

A depressão afeta cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que mais de 30% dos pacientes não tem respostas positivas às terapias existentes atualmente.

Mais informações em: https://www.nature.com/collections/ccjnyjxvmp/winners

 

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Alguns dados académicos adicionais: Posições e Honras

Posições e Emprego

2004-2008: PhD, Ludwig-Maximilians-Universität München, Munique, Alemanha

2008-2013: Pós-doutoramento, Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, Escola de Medicina da Universidade do Minho, Braga, Portugal

2009-presente: Professora Auxiliar Convidada, Escola de Medicina da Universidade do Minho, Braga, Portugal

2012-presente: CEO da start-up BNML – Behavioral & Molecular Lab, LDA

2013-presente: Investigadora Auxiliar, Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, Escola de

Medicina da Universidade do Minho, Braga, Portugal

2017: Coordenadora de Bioempreendedorismo, Escola de Medicina da Universidade do Minho, Braga, Portugal

Honras

2004-2008: Bolsa de PhD pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT; SFRH/BD/16880/2004);

2009: Prémio de melhor PhD “Doktorandenpreis des VdFF 2009” no Helmholtz Zentrum München, Alemanha

2009-2013: Bolsa de Pós-Doutoramento pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BPD/47174/2008)

2011: 1º Prémio e Prémio de “Jovens Empreendedores” na competição SpinUM, TecMinho – competição para ideias de negócio inovadoras com a empresa “BNML – Behavioral & Molecular Lab”.

2013: 1º Prémio da 13ª edição do Prémio Jovem Empreendedor patrocinado pela Associação Portuguesa de Jovens Empreendedores (ANJE), com o o projeto de negócio “BNML – Behavioral & Molecular Lab”.

2013: Contrato de Investigadora Auxiliar pelo Programa Operacional Regional do Norte (ON.2)/QREN

2015: Contrato de Investigadora Auxiliar pela FCT e bolsa de investigação da Fundação Bial

2019: Prémio Nature Research Award for Driving Global Impact

Patentes

2011: Luisa Pinto, António Pinheiro, João Bessa, Mónica Morais, Nuno Sousa, “Immuno-Golgi as a tool for analyzing neuronal 3D-dendritic structure in phenotypically charaterized neurons”, Patente Nacional nº105555; Patente Europeia n.º 12718746.6, N/Ref.: PPE 48174/13.

Contribuições para a Ciência (orcid.org/0000-0002-7724-0446)

Os meus outputs de investigação incluem 47 artigos científicos. Os meus maiores outputs científicos são:

1- descoberta de um novo fator de transcrição (AP2γ) que é essencial para a neurogénese de neurónios glutamatérgicos no cortex cerebral em desenvolvimento e está envolvido na acuidade visual. Este estudo representou um avanço significativo na compreensão dos mecanismos neurogénicos no cérebro e foi reconhecido pelo prestigiado prémio “Doktorandenpreis des VdFF 2009”.

Publicações relevantes

Pinto, L. et al, (2009). AP2γ regulates basal progenitor fate in a region- and layer-specific manner in the developing cortex. Nature Neuroscience Oct;12(10):1229-37.

2- primeira demonstração que a citogénese hipocampal é essencial para a remissão sustentada da depressão e que a incorporação de neurónios e astrócitos recém-nascidos nos neurocircuitos hipocampais preexistentes é necessária para os benefícios a longo prazo dos antidepressivos. Este estudo mudou a área de investigação no sentido que a neurogénese adulta, mas também a astrogliogénese, começaram a ser reconhecidos como mecanismos cruciais na fisiopatologia da depressão (comentada pelo editor Joel Yager em NEJM, 2013).

 

Publicações relevantes

– Mateus-Pinheiro, A.#, Pinto, L.#, Bessa, J.M., Morais, M., Alves, N.D., Monteiro, S., Patrício, P., Almeida, O.F., and Sousa, N.* (2013). Sustained remission from depressive-like behavior depends on hippocampal neurogenesis. Transl Psychiatry Jan15;3:e210. (# autores contribuiram igualmente para este trabalho)

– Mateus-Pinheiro, A., Patricio, P., Bessa, J.M., Sousa, N., and Pinto L.* (2013). Cell genesis and dendritic plasticity: a neuroplastic pas de deux in the onset and remission from depression. Molecular Psychiatry Jul;18(7):748-50.

3- contribuição para a compreensão dos processos de plasticidade cerebral implicados no início, tratamento e resiliência dos sintomas depressivos, através da caracterização das assinaturas celulares e moleculares dos antidepressivos. As novas informações obtidas podem permitir a exploração das propriedades únicas de cada antidepressivo na busca da próxima geração de antidepressivos. Estes dados também podem servir para orientar a escolha de medicamentos no tratamento dos sintomas em pacientes com variantes genéticas específicas de forma individualizada.

Publicações relevantes

– Patrício, P., Mateus-Pinheiro, A., Irmler, M., Alves, N.D., Machado-Santos, A.R., Morais, M., Correia, J.S., Korostynski, M., Piechota, M., Stoffel, R., Beckers, J., Bessa, J.M., Almeida, O.F., Sousa, N, and Pinto, L.* (2015). Differential and Converging Molecular Mechanisms of Antidepressants’ Action in the Hippocampal Dentate Gyrus. Neuropsychopharmacology Jan;40(2):338-49.

– Alves, N.D., Correia, J.S., Patrício, P., Mateus-Pinheiro, A., Machado-Santos, A.R., Loureiro-Campos, E., Morais, M., Bessa, J.M., Sousa, N., and Pinto, L.* (2017). Adult hippocampal neuroplasticity triggers susceptibility to recurrent depression. Transl Psychiatry Mar 14;7(3):e1058.

– Patrício, P., and Pinto, L.* (2017). Molecular Mediators of Depression Pathophysiology and Treatment: Neuroscience-Based Approaches for Personalized Care. EC Neurology 7.3: 85-88.

– Alves, N.D., Patrício, P., Correia, J.S., Mateus-Pinheiro, A., Machado-Santos, A.R., Loureiro-Campos, E., Morais, M., Bessa, J.M., Sousa, N., and Pinto, L.* (2018). Chronic stress targets adult neurogenesis preferentially in the suprapyramidal blade of the rat dorsal dentate gyrus. Brain Struct Funct Jan;223(1):415-428.

4- avanço significativo na compreensão dos mecanismos neurogénicos no cérebro adulto, fornecendo a primeira evidência de que o AP2γ modula a neurogénese glutamatérgica no cérebro adulto e a cognição. Os nossos resultados abriram novas perspectivas em relação ao papel de subpopulações específicas de neurónios recém-nascidos na regulação da plasticidade do hipocampo e a sua relevância para doenças neuropsiquiátricas que afetam a neuroplasticidade do hipocampo no cérebro adulto e a função cognitiva.

Publicações relevantes

– Mateus-Pinheiro, A., Alves, N.D., Patricio, P., Machado-Santos, A.R., Campos, E., Silva, J., Sardinha, V., Reis, J., Schorle, H., Oliveira, J.F., Ninkovic, J., Sousa, N., and Pinto, L.* (2017). AP2γ controls adult hippocampal neurogenesis and modulates cognitive, but not anxiety or depressive-like behavior. Molecular Psychiatry Dec;22(12):1725-1734. – Artigo de destaque

– Mateus-Pinheiro, A., Alves, N.D., Sousa, N., Pinto, L.* (2018). AP2γ: A New Player on Adult Hippocampal Neurogenesis Regulation. J Exp Neurosci. Apr 2;12:1179069518766897.

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