Opinião Raul Marques Pereira

Opinião. Sobre a dor, o sonho e a medicina

Redação
Escrito por Redação

“Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos.”, William Shakespeare.

Talvez devêssemos repensar o que achamos que sabemos sobre a medicina moderna. Talvez devêssemos repensar aquilo que pensamos sobre a humanidade.

Vejo, todos os dias, na medicina, seres humanos perdidos em rotinas, a fazerem mais do mesmo para terem o mesmo resultado. Vejo automatismo, vejo seguir a linha habitual, o pensamento normalizado. Habituamo-nos a ser conservadores, a preservar os caminhos que mostraram algum resultado, mesmo que pequeno, na forma como gerimos a angústia e as aspirações das pessoas de quem cuidamos.

Quando a medicina moderna foi criada, os seus visionários sonharam-na como um meio para um fim último que era cuidar de todos os que necessitam de ser cuidados.

Uma medicina emocional, profundíssima no seu respeito pelo outro, na abnegação dos profissionais. Daí as imagens, gravadas na nossa memória coletiva, do médico que saía de casa a meio da noite para cuidar de qualquer pessoa que por ele acudisse.

Esta era uma medicina sonhada, reinventada a cada nova patologia, a cada novo dia, pela necessidade de dar cada vez mais ao outro.

Mas vejo também o outro lado da lua.

Vejo aqueles que, na medicina moderna, ousam sonhar. Que todos os dias se reinventam, com custo pessoal imenso. Que acreditam que podemos fazer mais com menos. Que, para além de ultrapassar as dificuldades do dia a dia, imaginam, criam e fazem perdurar novas formas de dar o melhor com muito pouco.

Que as circunstâncias não amaciem os que pensam diferente porque é deles que virá a verdadeira mudança. É com eles que os paradigmas mudam, que damos saltos para mudar o mundo.

E são os sonhadores que nos contagiam e que nos mostram que podemos ir mais além no que fazemos, todos os dias. Que nos fazem ver que podemos criar uma nova medicina.

Precisamos de novos caminhos, novos sonhos, novos amanhãs, para mudar aquilo que damos aos outros.

Porque sonhar não é olhar para as estrelas. É criar uma forma de as tocar.

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