Opinião Raul Marques Pereira

Opinião. Sobre o Natal e sobre quem cuida – a luz que quebra a noite escura

Redação
Escrito por Redação

“Como tudo é possível, ousemos fazer rumo ao impossível.”, Agostinho da Silva.

É frequente, nesta altura do ano, vermos incontáveis reportagens sobre o Natal nos hospitais. Mostram-se exemplos de humanização de cuidados, de preocupação com o bem-estar das pessoas que estão internadas. Quem não está familiarizado com as rotinas dos hospitais consegue compreender a luta dos profissionais para que se possa dar um pouco mais a quem vai passar o Natal longe da família. Mesmo quando os recursos escasseiam, acontecem pequenos milagres que elevam sorrisos e transformam olhos tristes em luz.

Todos aqueles que já cuidaram de pessoas doentes na noite de Natal sabem como há uma força especial neste dia que revela o melhor de nós. Como a empatia cresce. Como muitas vezes, na noite de Natal, vemos a solidão à porta da urgência de um hospital e como, lá dentro, há calor, há humanidade.

Hoje, penso naqueles que, tendo passado o último Natal com alguém de quem gostam no hospital, não o vão ter consigo nesta noite de Natal. Aqueles que são o sentimento, o alento quando a medicina só consegue dar a técnica. Aqueles que estão à cabeceira da cama da pessoa doente a sorrir quando a única coisa que apetece fazer é chorar.

Aqueles que regressam a casa depois de uma visita ao hospital sem saber se o telefone vai tocar para dar uma má notícia. Que são pais, filhos, amigos e que sofrem por um tratamento com resultado positivo.

Saibam que sofremos convosco. Saibam que nunca estarão sós. Que, mesmo quando o tempo escasseia, aquilo que fazem não tem preço e o que o verdadeiro Natal está naquilo que dão a quem sofre. Saibam que são um exemplo para todos os que, pela profissão que têm, estão a trabalhar nos hospitais na noite de Natal.

Porque a medicina também é cuidar de quem cuida. Porque não podemos esquecer que a humanização dos cuidados de saúde é feita, em primeiro lugar, pelos que estão à cabeceira da pessoa doente.

A luz que quebra a noite, que ilumina a mais bela árvore, é a luz dos que fazem a diferença na vida dos outros. Este é o Natal que temos de viver. Ousemos então, torná-lo possível. Todos os dias.

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