Aires Fumega

Opinião. Há pessoas muito feias

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Esta crónica surgiu de uma conversa, em que alguém dizia que no tempo em que estamos já não existem pessoas feias. E de facto há muitos artifícios para disfarçar a feiura, ou para realçar a beleza. No fundo aproximar-se do patrão atual de beleza física.

Apesar de ser politicamente correto dizer-se que o importante não é a beleza física, continua a ser um aspeto fulcral na atração entre pessoas. Até porque a nossa condição animal assim o exige. No reino animal, é natural, as fêmeas escolherem os machos mais fortes, mais saudáveis e mais bem tratados, com intuito reprodutivo e melhor continuidade da espécie.

No ser humano a coisa é bem diferente. Podemos assim dizer, que todos temos quatro aspetos, na nossa vida: O físico, o emocional, o mental e o espiritual. Aparecem mais ou menos por esta ordem no nosso percurso na Terra.

A parte física é por assim dizer a nossa plataforma básica, o nosso corpo físico. A nossa cabeça, o tronco e os membros. O nosso cartão de vista mais primário.

A parte emocional, chega depois. As emoções e os sentimentos. Ainda assim faz parte da nossa condição animal.

A nossa parte mental, tem a ver com a nossa capacidade de raciocínio. Chegamos à zona exclusivamente humana. Aqui temos a nossa inteligência, os nossos conhecimentos e o nosso sentido crítico.

Por fim vem a parte espiritual. É a última a chegar (se chegar). Aqui temos as nossas crenças. As ideologias, as religiões, os nossos princípios, o nosso propósito de vida e tudo o que não é lógico para a nossa parte mental, que normalmente é baseada em conhecimento cientifico ou empírico.

Poderíamos então dizer que uma pessoa bonita, seria alguém com bom aspeto físico, bons sentimentos, inteligente e de bons princípios? Sim e não.

Basta fazer check no aspeto físico, sentimental, mental e espiritual para determinar se estamos perante uma pessoa bonita? Não é bem assim.

Todos estes pilares se unem para formar a personalidade do indivíduo. A nossa personalidade sofre influências destes quatro aspetos, mas também de elementos exteriores em que se incluem a nossa educação e as nossas vivências. Determina também a forma como nos relacionamos com os outros e com o mundo.

A nossa vida pode tirar-nos a saúde física, a frescura emocional, a saúde mental e fazer com que desacreditemos em tudo e todos. A forma como lidamos com os outros é também determinada por vivências antigas em que muitas vezes é impossível desligarmos o passado e começar de uma folha em branco. Projetamos muitas vezes no presente, o nosso passado.

Obviamente o contrário também acontece. Conhecemos pessoas que nos inspiram, que nos trazem paz e melhoram a nossa vida. Que nos fazem ser melhores pessoas. Que nos guiam. Todos temos necessidade de toques físicos, de amar e ser amados, de aprender e ensinar e de acreditar em algo que não é palpável.

Quando atingimos esse estado de paixão pela vida, ficamos sem dúvida pessoas mais bonitas, independentemente do nosso aspeto físico e todas as nossas lacunas emocionais, mentais ou espirituais. Da nossa condição humana, faz parte toda essa guerra e procura constante.

A beleza está aí e não precisa de ser mascarada, mas sim destapada.

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