António da Silva Fernandes

Opinião. O Município de Braga e o capitalismo selvagem

O que é, afinal, o capitalismo selvagem?

Tenho para mim de que, mais do que as qualificações encontradas por comentadores, economistas, pensadores e outros, para a definição de um modelo de organização social tido por “capitalismo selvagem”, a sua génese de ódio interclassista, racial, religioso, étnico, faculdades genéticas ou adquiridas e outros, é a raiz cultural de onde emerge a orientação intelectual do individuo capaz de assumir como êxito:

  • o êxodo em busca do direito a viver;
  • a sustentabilidade alicerçada em miserabilismo;
  • a iliteracia como forma de coartar a informação;
  • o medo como garante da falta de liberdade;
  • a megalomania como estandarte;
  • a guerra como solução para o equilíbrio;

Estes serão, a meu ver, os pilares mentais indispensáveis para a construção de uma sociedade que implemente e aceite uma organização onde as regras são as do poder e só essas. Porque, as outras, estarão sempre sobre a tutela do cacique em um qualquer Estado Soberano.

Acontece que, a organização administrativa e territorial nacional é permeável a diversas tipologias de organização política local não condicentes com a orientação política nacional, mas que no quadro da aceitação democrática de sufrágio a legitimidade é juridicamente reconhecida como sendo a correta.

As opções ideológicas e políticas dos autarcas fazem o resto.

Nessa senda e como se prevê, em face da conjuntura internacional e o caminho que o ensino superior leva, a médio prazo, a maioria esmagadora dos alunos a frequentar o Ensino Superior serão cerceados pela dimensão da bolsa económica familiar.

Ora, um hotel apelidado de “residência para estudantes” é “ouro sobre azul”, e será um “investimento” seguro com rendibilidade garantida e, quiçá, apoios estatais, sem a necessidade de concorrer no agressivo mercado de turismo e hotelaria. Aos apoios estatais acresce como é obvio o custo estimado pela entidade que irá explorar o espaço da hospedagem.

Será também uma forma de segregar os alunos de menores recursos económicos um pouco à semelhança do que já acontece em outros estabelecimentos de ensino:

  • Quem pode frequenta o ensino gerido por privados publicitado como sendo mais confiável e seguro;
  • quem não pode frequenta o ensino publico socialmente tido como menos proveitoso e mais inseguro;

Um pouco há semelhança da nova vaga de IPSS’s para pessoas com disponibilidade financeira, mas onde a entidade gestora, privada, diga-se, não prescinde de se pendurar no Estado ao abrigo de protocolo legal e acordos com a Segurança Social.

A que acrescem os Hospitais privados todos pendurados num OGE para o qual todo o contribuinte contribui, mas de que só é ressarcido de acordo com o estatuto social e família singular ou coletivo e, acordos com subsistemas de saúde a que, quando as coisas correm mal o Serviço Nacional de Saúde tem de dar resposta.

Neste contexto o Município de Braga dá mostra da sua inicial intenção ideológica de privatizar tudo aquilo que o dinheiro público paga e que devia ser fonte de sustentabilidade municipal e, manter como despesa publica a pesada engrenagem em que assenta o seu funcionamento burocrático ou de encargo.

Algumas tentativas falharam, mas virão de novo como o são a AGERE e os TUB que até já tem um recurso de recetação de receita; os parquímetros, e mantem a sua necessária renovação de frota.

Da futura exploração do Mercado Municipal a informação de que tenho conhecimento continua escassa.

Por estas e outras Jean Paul Sartre e a sua teoria sobre o existencialismo onde analisa os comportamentos do cidadão que não assume o efeito das suas próprias ações de cidadania está mais do que nunca na ordem do dia.

Quem votou na atual solução política devia saber ao que se estava a prestar.

Porque por detrás de todas as movimentações sociais há interesses em disputa:

  • uns na defesa dos interesses coletivos;
  • outros na defesa dos interesses individuais com poder ou, de grupos estruturalmente afetos a fins geradores de assimetrias sociais porque são essas assimetrias que garantem o exercício desse efetivo poder.

 

 

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