Braga Destaque

À Conversa com Verónica Teixeira, Designer de Acessórios de Noiva

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Conheci a Verónica há algum tempo e desde o momento em que descobri o seu talento fui, a espaços, seguindo a forma como tudo se foi consolidando e crescendo. Decidi começar o ano de conversas com ela e mostrar a quem não conhece mais da autora dos Bridal Bouquets.

A Verónica nasceu no Porto,  vinda de uma família tradicional portuguesa, “com tudo a que há direito (avós que me estragaram de mimos, verões incríveis na praia e natais bem ruidosos!).” Veio morar com os pais para Braga com apenas 2 anos e embora fosse pensada como uma estadia provisória por motivos profissionais relacionados com o pai, a cidade acabou por durar na sua vida até hoje.

Andreia Santos: Obrigada por ter aceite o meu convite, admiro muito e desde que vi as primeiras peças, de Natal, o que cria. Poderá contar-me um bocadinho do seu percurso?

Verónica Teixeira: Olá Andreia. Obrigada eu. Claro que sim. Estudei no Colégio Teresiano de Braga e depois na Escola Secundária Carlos Amarante, onde frequentei o Curso Geral de Artes. Depois voltei ás origens em 2003 ao ingressar em Design de Produto, na ESAD Matosinhos. Seguiram-se anos bastante conturbados a nível pessoal e profissional mas que, fazendo uma retrospectiva, foram essenciais para criar alicerces que me permitiram chegar onde estou hoje. Casei em 2012 e nunca imaginei o quanto a minha vida iria mudar a partir daquele momento. Continuava a não me sentir realizada profissionalmente, a vida tinha-me afastado daquele mundo que eu tanto amava. Um mês depois do casamento, chegou um convite para fazer parte de um curso de artesanato que iria iniciar. Eu já não criava há anos, já nem me lembrava como me costumava sentir…e foi mágico voltar a sentir aquela adrenalina, aquela felicidade! O curso durou apenas 3 meses, mas eu não queria voltar a adormecer aquela sensação. A partir dali decidi que iria começar criar peças por hobby, para decorar a casa. Até que no natal de 2013 comecei a criar peças em feltro para a minha árvore de natal. Os familiares e amigos viram e começaram a fazer encomendas. Durante o ano que se seguiu, surgiram mais pedidos de pessoas que queriam presentes personalizados e únicos para ocasiões especiais (aniversários, comunhões, baptizados…e casamentos!).

A.S.: Era dessas peças de feltro que falava, ainda as faz?

V.T.: Já não os faço, por falta de disponibilidade. Continuo a decorar a minha árvore de natal com essas peças e sempre que olho para elas recordo como tudo isto começou. E sinto uma pontinha de saudade…irónico não é?

A.S.: Compreendo, mas que são mágicos são. Foi onde tudo começou, creio. Como surgiu a Bridal Bouquets?

V.T.: Corria o ano de 2014 quando, ao fazer uns arrumos em casa, me deparei com a caixa onde tinha o meu ramo de noiva guardado. Foi óptimo recordar um dia tão feliz como o do casamento, mas também fiquei triste por ver o ramo seco e castanho, perdera toda a magia. Surge então uma ideia…e se eu começar a criar bouquets de noiva que perdurem a sua beleza ao longo do tempo? E se esses bouquets forem a essência da noiva, uma espécie biografia que o torna único, tal como a pessoa que o ostenta? O projecto foi ganhando forma e o primeiro bouquet de todos foi o meu, naturalmente. A minha história de amor está intrinsecamente ligada a Vila Verde e aos icónicos Lenços de Namorados, por isso fez sentido que o ramo de noiva os tivesse como inspiração. A marca Verónica Teixeira – Bridal Bouquets surge então em 2015, em simultâneo com o lançamento do Bouquet Namorar Portugal,  durante o Mês do Romance, em Vila Verde.

A.S.:  O que a inspira?

V.T.: As coisas mais triviais e por vezes tão imperceptíveis, por termos um ritmo de vida sempre tão frenético. Se conseguirmos parar um pouco e observar o modo como a luz do sol incide sobre água do mar criando uma paleta de tons incrível; o modo como uma brisa cria formas na folhas de uma planta ou como uma flor cor de rosa não é na verdade apenas rosa, mas composta por milhares de tons! Sou apaixonada por cor e por detalhes. É como se os bouquets fossem pinturas impressionistas em 3D.

A.S.: Lembro-me de si assim, criativa e espontânea. Tudo flui com naturalidade a um artista. São maravilhosos todos os bouquets. Quem a apoia neste projeto já maior?

V.T.: A minha família é o meu pilar. Ninguém como eles conhece os bastidores deste projecto e o número de vezes em que pensei em desistir. São eles o meu marido, os meus pais, a minha irmã (sem esquecer a família do Porto e Lisboa, tantas vezes presentes a dar apoio logístico em feiras e showrooms!). E porque a marca está a crescer, recentemente convidei uma amiga muito especial para se juntar a mim nesta aventura.

A.S.: Como é que a marca evoluiu?

V.T.: À medida que as noivas foram conhecendo o conceito, começaram a surgir pedidos para a criação de outro tipo de peças. Na verdade são elas que me vão indicando o caminho. Hoje, para além do bouquet de noiva, criamos também os bouquets para as damas de honor e para as solteiras, os porta-alianças, boutonnieres para os noivos e padrinhos, corsages e os muito aclamados toucados para noiva e convidadas.

A.S.: Quais são as maiores dificuldades?

V.T.: A indústria dos casamentos é cada vez mais exigente, isto porque hoje quando um casal decide casar já não é apenas porque “é suposto ser assim”, há um motivo muito importante que os leva a fazer este investimento (poderiam apenas ir viver juntos). Portanto, tem de ser especial! E é por isso que enquanto a marca cresce, cresce também a responsabilidade perante as noivas que depositam em mim a sua confiança. Afinal de contas estão a colocar nas minhas mãos um pedacinho do seu sonho, naturalmente que o mais desejo é corresponder as suas expectativas. Por vezes é um pouco mais difícil de interpretar o que nos estão a pedir (há muitas dúvidas e anseios, são muitos pormenores a decidir e é normal sentirem-se assoberbadas). Um olhar ou um gesto poderá dizer muito mais do que as palavras que proferem. No caso das noivas cujo único contacto será online em todo o processo, a atenção é redobrada, porque temos de interpretar a forma como escrevem e o que quererão dizer nas pausas que criam, é intenso!

A.S.: Percebo que é exigente consigo. O que faz quando não está a trabalhar?

V.T.: Adoro fazer passeios na natureza (ouvir o silêncio!), visitar locais desconhecidos e conhecer pessoas novas. Mas o que mais gosto é de aventuras gastronómicas. Nada como um jantar incrível acompanhado com um bom vinho e companhia ainda melhor!

A.S.: O que diria a quem quer arriscar nesta área?

V.T.: Acima de tudo, muita persistência e resiliência. Por cada degrau que subimos, descemos dois ou três. Isto porque cometemos erros (e alguns deles envolvem valores avultados!), mas acima de tudo aprender com eles (nunca alimentar sentimentos de culpa, isso só nos trava). Aconteceu, avaliamos, aprendemos, seguimos em frente. Nunca haverá uma explosão de sucesso (enquanto esperarmos isso, estamos a perder tempo precioso em deveríamos estar a traçar estratégias). Sim, é bom ter gente que nos apoia, mas todos eles têm os seus percursos individuais e as suas próprias batalhas para travar, não devemos esperar demais dos outros, isso apenas nos irá desiludir. Esta é uma escolha nossa, e acreditem, pode tornar-se muito solitário, mesmo que estejamos rodeados de gente. Mas tudo compensa a dada altura, devemos saborear e festejar as pequenas vitórias. Elas começarão a chegar, uma a uma. Não devemos, no entanto, esquecer algo muito importante… quem somos e de onde viemos. Só há uma forma de seguir em frente, com humildade.

A.S.: Concordo com muito do que diz. O ano está a começar, algum plano especial para 2020?

V.T.: Sim, mas é tão especial que fica guardado para mim, não vou revelar. (Em off acabei por saber dos planos, mas guardo segredo e fico feliz).

A.S.: O que a preocupa?

V.T.: O bem-estar de todos os que me rodeiam. Na verdade nós apenas precisamos de saúde para viver, tudo o resto havemos de conseguir, de alguma forma.

Fiquei contente ao colocar no papel esta entrevista e com a certeza de que o ano de conversas não poderia ter iniciado melhor. A Verónica é um encanto e o trabalho que faz apenas uma extensão disso. Estou grata por um dia nas noites de 2013 a ter conhecido e por tudo o que esta entrevista também me relembrou. Desejo a maior das felicidades à autora. Parabéns Verónica.

 

Partilhe esta notícia!

Comentários

Acerca do autor

Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional