Braga Bruno Gonçalves

Opinião. Bom senso e responsabilidade – fatores de Confiança

Redação
Escrito por Redação

Na passada quarta-feira, numa conferência de imprensa anunciada com pompa e circunstância, os munícipes ficaram a conhecer o projeto idealizado pela CMB para as antigas instalações da Fábrica Confiança. Passado um período de enorme participação e auscultação cívica, do qual surgiram diversos movimentos e soluções em defesa do património legado pela Confiança, eis que surge a idealização de uma residência universitária privada enquanto resolução proposta pelo executivo camarário.

Há um ano, acompanhado por um grupo de jovens que preza a justiça social como pilar de uma comunidade de futuro, lancei, precisamente, o repto da construção de uma residência universitária no espaço da antiga saboaria e perfumaria. Atendendo ao custo que cada estudante, e respetivas famílias, suporta para concluir o seu programa de estudos – estipulado pela Universidade do Minho entre os 400 e os 500€ mensais – importava responder, de forma urgente, à escalada de preços imposta, maioritariamente, pelo mercado imobiliário. O Ensino Superior e, em particular, a Universidade do Minho têm desempenhado funções decisivas para um crescimento sustentado do universo industrial, social, tecnológico e demográfico da nossa cidade. Por isso, e pela centralidade que os estudantes ocupam na vida académica, importa salvaguardar as condições para que a prosperidade estudantil e o progresso urbano sejam simbióticos.

Assim, reconhecendo a importância da regulamentação do mercado de alojamento universitário em harmonia com o aumento da oferta, devia a Câmara Municipal de Braga ter aproveitado, na íntegra, o mérito da proposta apresentada há mais de um ano pelos jovens socialistas. Uma solução de natureza exclusivamente pública, em parceria com as entidades de Ensino Superior e englobada no Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior (PNAES) serviria, de forma mais integrada e acessível, os interesses dos estudantes e dos munícipes, evitando que a CMB se prestasse ao papel de especulador imobiliário após um processo de expropriação.

Para o futuro próximo existem três condições essenciais para que esta solução seja mais do que uma resposta avulsa a um problema extenso e complexo.

1. A preservação do património e da memória industrial da Fábrica, bem como a preservação do espaço na esfera pública – razão que justificou o processo de expropriação.

2. A estreita articulação com os serviços da Universidade do Minho e demais instituições de Ensino Superior, bem como das respetivas associações académicas e estudantis, de forma a garantir o caráter inclusivo e universal da oferta.

3. A contínua promoção de novas soluções, entre a tutela. o executivo municipal e a Universidade, que respondam ao sufoco sentido pelos estudantes, entendendo a relevância e retorno que estes quadros representam para a urbe e para a região.

Haja bom senso e vontade em assumir as responsabilidades necessárias para que a Confiança seja mais do que um mero símbolo dos ímpetos especulativos em questões sociais.

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