Braga Luís Tarroso Gomes Opinião

Opinião. Vender a Confiança é a pior solução para o interesse público. Há bem melhores!

Redação
Escrito por Redação

A nova proposta votada esta segunda-feira pela Câmara Municipal de Braga para a Confiança é um mau negócio para o interesse público. Em primeiro lugar, o Município, que comprou caro em 2011, vende agora barato permitindo a um privado a construção de 300 apartamentos. A Câmara gera uma pequena receita imediata mas oferece a galinha de ovos de ouro ao privado. Ao mesmo tempo a Câmara propõe-se vender tudo, incluindo no negócio o edifício histórico da Fábrica Confiança e que constituirá um novo monumento do País na categoria de Arquitetura Civil Industrial. Ao vendê-lo a Câmara limita para sempre a fruição pública do último edifício das antigas indústrias bracarenses. Ou seja, além de mau negócio, a Câmara deita fora a criança com a água do banho…

O edifício principal da Fábrica à rua Nova de Santa Cruz, com todas as restrições que hoje tem em virtude do pedido de Classificação apresentado pela Plataforma Salvar a Fábrica Confiança e das que surgirão naquela zona sensível com as escavações arqueológicas, será sempre um fardo para um privado com fins comerciais. Simultaneamente, ao desfazer-se do terreno de trás [a verde na fotografia], a Câmara perde uma excelente oportunidade de fazer cidade naquela zona tão desordenada, repleta de soluções urbanísticas avulsas e incoerentes, por entre condomínios habitacionais, pavilhões, edificado antigo, quintas e centros comerciais (um deles, atrás da “torre verde”, fechado e sem uso há vários anos). Por essa razão, o logradouro da Fábrica é um terreno municipal livre e valioso que serve para a Autarquia dar o exemplo urbanístico e algum desafogo a quem ali vive, ao passo que aos empreendedores privados não faltam naquela zona inúmeros edifícios para requalificarem ou terrenos livres para edificarem os seus projetos.

Todavia, mesmo dentro da nova lógica deste executivo municipal que antes defendeu a compra da Fábrica e agora quer, à força, gerar receita com o imóvel, há soluções muito mais vantajosas para o interesse público, tal como referimos segunda-feira na reunião de Câmara. Em todas elas é necessário separar os destinos do terreno da Fábrica dos do edifício principal. Este cenário é, aliás, reforçado pela ideia antiga, agora adotada pela própria Câmara, de reabrir o eixo medieval ou até romano das ruas de S. Vítor-o-Velho e do Pulo [a amarelo na fotografia].
Nesta lógica, no logradouro a Câmara Municipal autorizaria os privados a construírem um edifício não através da venda mas através de uma concessão ou arrendamento temporários que garantissem uma receita anual à Câmara durante 2 ou 3 décadas [essa receita poderia ser em parte antecipada de forma a garantir no imediato uma verba maior]. O terreno continuaria, assim, a ser propriedade da Autarquia não inviabilizando outros modelos no futuro!

Com uma parte da receita resultante desse negócio a Câmara procedia ao restauro mínimo do histórico edifício da Confiança [consolidação, cobertura, caixilharias] de forma a ser possível a sua fruição por todos os bracarenses em modelo a discutir. Certo é que numa freguesia sem alternativas ao deprimente salão da Junta, não faltarão propostas interessantes desta e das associações culturais e cívicas para dinamizar regularmente o espaço! Tudo isso seria um passo ajuizado no caminho da Capital Europeia da Cultura juntando no mesmo local um edifício de grandes áreas e muito versátil, património único e história, dinâmica associativa e acesso livre a todos, ao mesmo tempo garantindo ao Município, quanto precisasse, um espaço de grandes dimensões mais informal [evitando o sistemático recurso a tendas].

Pelo contrário, insistir na venda da Confiança é um enorme erro ao qual a cidade e a Plataforma Salvar a Fábrica Confiança não deixarão de reagir e que não se sabe quantos mais episódios e peripécias acrescentará a esta novela!

Comentários

Acerca do autor

Redação

Redação

Deixar um comentário