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850 mil euros para comprar o IEMINHO. Socialistas de acordo mas sugerem valor inferior

O assunto da compra do Instituto Empresarial do Minho (IEMINHO) foi hoje discutido em reunião do executivo camarário, da Câmara Municipal de Vila Verde.

José António da Mota Alves e Adelino Duarte Machado, representantes do Município de Vila Verde nos órgãos sociais do IEMINHO propuseram a António Vilela, edil, que formalizasse proposta de compra em nome do município pelo valor de 850 mil euros.

O negócio

O IEMINHO foi declarado insolvente em janeiro do ano passado pelo tribunal de Vila Nova de Famalicão. A insolvência e a existência de credores determinaram a venda do património do IEMINHO, correspondente ao prédio de três pisos situado em Soutelo, com 41 espaços de incubação e diverso equipamento.

O processo de venda decorreu em leilão online, com valor base de 1.557.411,77€ e o valor mínimo de 1.323.800,00€. Como não foi apresentada qualquer proposta, teve início em 8 de outubro de 2019 o processo de venda por negociação particular.

Os representantes do Município de Vila Verde nos órgãos sociais do IEMINHO, em reunião com o administrador de insolvência, apuraram que os credores da massa insolvente poderiam escolher uma proposta de aquisição de todo  o património a rondar os 850 mil euros. Para José António da Mota Alves e Adelino Duarte Machado, o valor patrimonial ultrapassa os 3,5 milhões de euros e  propõem que António Vilela faça proposta de compra por 850 mil euros.

Vereadores socialistas concordam com a compra, mas não com o valor e com muitas dúvidas no bolso

Em declarações ao Semanário V, José Morais, vereador, diz que nunca os vereadores do partido socialista “foram informados ou alertados para o que se estava a passar no IEMINHO” antes do processo de insolvência. Os socialistas levantam ainda muitas dúvidas que estarão por esclarecer: “o presidente da Câmara continua sem explicar de que forma a ADRAVE entrou no capital social do IEMINHO. A Câmara de Vila Verde cedeu posição acionista? Isso foi aprovado em que reunião do executivo ou em que assembleia municipal? Continuamos sem respostas”.

José Morais alerta ainda para o prejuízo da parceria: “é hoje evidente para todos, tal como alertamos há alguns meses, que a Câmara Municipal de Vila Verde sofrerá graves perdas financeiras com a parceria realizada com a AIMINHO, formalizada no IEMINHO”. Adianta ainda que  terreno onde está instalada a sede do ex-IEMINHO foi doado pela autarquia dizendo tratar-se de “um terreno com um valor patrimonial muito acima daquele que foi inscrito na contabilidade camarária“.

Os socialistas relembram ainda outros negócios que originou ao município danos financeiros elevados como os casos da PROVIVER e PROVILAVERDE (que a justiça está a investigar).

Na reunião do executivo camarário de hoje, os vereadores do partido socialista decidiram “entre perder tudo o que a autarquia lá investiu, ou tentar recuperar património que é de todos os vila-verdenses” concordar com a compra do IEMINHO, deixando um alerta: “a compra do prédio deverá ser feita por valor inferior aos 850 mil euros propostos, tendo em conta o custo real do terreno doado e o investimento feito pela autarquia, que no seu conjunto ultrapassará em muito os 1.323.800.00€, valor pedido pelo administrador da massa insolvente em leilão”.

O IEMINHO

O IEMINHO foi criado em 9 de outubro de 2002, tendo por objeto principal o “apoio à investigação aplicada nas áreas de economia e da gestão, contribuir para o aumento da competitividade das empresas; desenvolver formação nas áreas da economia, da gestão e atividades conexas; desenvolvimento da formação profissional em todas as suas vertentes destinadas às diversas atividades económicas, preparação e monitoragem de cursos e seminários; apoio à criação e desenvolvimento de empresas e à prestação de serviços relacionados com essas atividades; desenvolvimento e promoção de estudos e publicações”.

O IEMINHO e a Justiça

“Meia centena de arguidos em processo de alegado desvio de fundos europeus em Braga” –  foi este o título da notícia avançada em setembro de 2018 pelo Semanário V, num processo que a IEMINHO era citada.

O processo de investigação que decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal relacionado com um alegado desvio de fundos europeus por parte da agora extinta Associação Industrial do Minho já conta com mais de 50 arguidos, entre os quais alguns empresários próximos à Universidade do Minho, que teriam sede no IEMinho.

Um dos principais arguidos deste processo é o antigo presidente da Associação Industrial do Minho, o empresário António Marques, que liderou os destinos daquela associação durante 14 anos, até que a mesma faliu e foi mandada encerrar pelos credores, com uma dívida que ascende aos 12 milhões de euros. Ao antigo presidente foi mesmo exigida uma caução de 500 mil euros, por parte do conhecido juiz Carlos Alexandre.

Uma das empresas alegadamente envolvidas neste esquema é a YeastWine, na altura sediada no IEMINHO, e que se dedicava à solução de questões relacionadas com agricultura. Esta empresa era uma spin-off da TecMinho [Universidade do Minho], empresas que têm o apoio dessa universidade e das autarquias locais para que iniciem projetos inovadores relacionados com tecnologia.

Os fundos desviados por intermédio dessa empresa representam um valor baixo no total da fatia do bolo [75 mil euros] e foram solicitados para pagar consultoria científica a professores da UMinho, consultoria essa que, segundo a investigação, não chegou a acontecer.

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