Andreia Santos

Opinião. Sem Pedir Desculpa

E já chegou o mês mais pequenino do ano. Chegou bem e carregado de novidades, com maior diversidade e dias de sol. Como correm os teus dias? Hoje quero falar-te do que poderá ajudar a que sejam melhores ainda, mais satisfatórios. “I can’t tell you the key to success, (I would say happiness), but the key to failure is trying to please everyone” … assim é, como a quote indica, ser um “people pleaser” não dá grande caminho à autenticidade que queremos ter. Não basta idealizá-la, há que a criar, e isto implica ter as condições necessárias para isso. Concretamente, decidi escrever-te sobre a dificuldade que temos em dizer não, ou posto de outro modo, das necessidades que nos fazem dizer que sim (mesmo se sabemos que não era a resposta a dar) e nos torna reféns de pessoas e situações quando a vida é nossa. Já te sentiste assim encurralado/a sabendo o que terias feito com mais coragem? Basta confiares em ti.

Linda Sapadin, (2015), dir-te-ia que o propósito deste texto não é o de te tornares um “naysayer”, ou seja, um profissional do dizer que não, mas que se o Não não estiver também no teu vocabulário o teu Sim de hoje será o arrependimento de amanhã algumas vezes. Dir-te-ia algo com que me deparo diariamente porque sou igual a ti e com que tento que os meus pacientes se confrontem: precisamos todos de definir fronteiras claras no nosso tempo (não, não posso tratar disso hoje), energia (hoje estou demasiado cansado/a, não posso corresponder ao pedido) e espaço (podes fechar a porta por favor, agora preciso de privacidade?). Existe um valor acrescentado no dizer não, esta atitude aumenta o peso do teu sim, fazes melhores escolhas quando te conheces e aceitas que não estar, não fazer, não concordar… é um direito teu. Ao dizeres sim permanentemente, e compreendo a dificuldade quando este te é mais natural, estás a restringir em simultaneo a afirmação da tua identidade, perdes respeito e apreciação e ensinas os outros que não te importas com o que quer que seja que façam, pois compreendes tudo…

Alguns pacientes descrevem aumento de tristeza, desilusão (consigo mesmos/as), falta de tempo e que são sempre eles/elas a fazer tudo, quando ninguém está para eles/elas disponível. A verdade? Habituamos os outros. Estes sabem a determinada altura que não os iremos contrariar, vamos dizer o que querem ouvir e ser quem entende tudo e aceita… Isto está errado, claro. E é tua responsabilidade também. Quando sabes dizer não aumentas a tua qualidade de vida dramaticamente. Selecionas quem importa: porque quem sabe reconhecer os teus limites merece estar presente e as vezes em que dizes que sim. É importante que percebas que o teu tempo é finito: “quando lês um livro, não estás a ver um filme” e o mesmo se aplica aos pedidos dos outros. Se fizeres o que alguém te solicita estás em alguns momentos a afastar-te do que gostas e a condicionar o teu bem-estar. Nunca enriquecemos um relacionamento por anuir de forma constante quando não acreditamos. É bem ao inverso, só com verdade crescemos…

De que precisas? Acima de tudo de sentir os teus direitos, acreditando que em determinados contextos é absolutamente válido dizer que não. Precisas de compreender que consequências te trará dizer o sim, que necessidades ficam por preencher e qual seráo custo disso. “When you say yes to others, make sure you aren’t saying no to yourself” … Algumas pessoas irão dizer-te que mudaste talvez… outras irão apoiar a tua afirmatividade e aproximar-se de ti. Acredito por reflexão de experiência interior e exterior que a segunda hipótese é a que mais se repete, existindo a outra. O que te quero dizer com isto é que ganhas mais que o que perdes… não perdes nada, embora custe até fazer sentido. O que mais gosto de ver na clínica são estes ganhos de pessoas felizes, que se encontraram, olhando para dentro, e se abriram com confiança ao mundo. O mundo delas aumenta, as pessoas que atraem são mais. Só um apontamento final, a propósito: recentemente Darius Foroux enviou-me em newsletter um artigo sobre a lei da atração. Em síntese, esta só funciona quando as expetativas se equivalem ao esforço. Na sua linguagem, um Achiever sabe que esforços terá que dispender para alcançar o que pretende e consegue lá chegar… O que te falta para dizeres sim a ti sem pedir desculpa? Sereno Fevereiro! Ate já

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