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Ciclovia de Vila Verde. Fornecedor de bicicletas declarada insolvente

Ciclovia urbana de Vila Verde © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

A Construtora Estradas do Douro Lda, do Marco de Canaveses, foi a empresa escolhida pelo Município de Vila Verde para a construção da Ciclovia Urbana de Vila Verde. Ia comprar as bicicletas à Órbita.

Órbita foi declarada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Aveiro, depois de o Processo Especial de Revitalização ter sido encerrado sem solução.

A empresa de bicicletas Órbita, em Águeda, foi declarada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Aveiro, depois de o Processo Especial de Revitalização (PER) ter sido encerrado sem qualquer solução, informou hoje fonte judicial.

Em junho do ano passado, a empresa de Águeda requereu a abertura do PER, mas o prazo das negociações com os credores foi ultrapassado sem que tivesse sido apresentado o plano, tendo a devedora sido declarada insolvente no dia 11 de fevereiro.

Os credores têm, a partir da data de declaração da insolvência, 30 dias para reclamar os créditos que devem ser endereçados ao administrador nomeado, a quem cabe apresentar um plano de insolvência. O tribunal designou ainda o dia 01 de abril para a realização da reunião de assembleia de credores de apreciação do relatório do administrador da insolvência.

A declaração de insolvência surge cerca de dois meses depois de a Miralago – a empresa mãe da Órbita — ter entrado na fase de liquidação. As dificuldades financeiras da Órbita começaram a surgir em abril do ano passado, quando a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) rescindiu o contrato com a empresa de Águeda para o fornecimento de bicicletas de uso livre, por incapacidade para prestar o serviço contratualizado.

Na altura em que recorreu ao PER, a Órbita tinha 99 credores que reclamavam 14,2 milhões de euros de dívidas. A EMEL surgia como o principal credor da empresa, reclamando cerca de 6,8 milhões de euros, entre juros e capital.

A empresa de bicicletas devia ainda quase 5,9 milhões de euros à banca, surgindo à cabeça o Santander e o BNI Europa, com três e dois milhões de euros de dívidas, respetivamente.

Entre os credores encontravam-se ainda a Autoridade Tributária, com quase 50 mil euros, a Segurança Social, com 11 mil euros, e a Miralago, dona da Órbita, com uma dívida de 170 mil euros.

A Ciclovia Urbana de Vila Verde

O contrato com a Construtora Estradas do Douro Lda, que foi assinado a 22 de novembro de 2017, teve tem um custo de quase um milhão de euros à autarquia liderada por António Vilela (PSD).

O projeto foi entregue à empresa Atelier, de Vila Verde, com Jorge Pereira – que entretanto cessou funções de gerente dessa empresa– a ser o representante legal a assinar o contrato, com o custo total perto dos 25 mil euros (20.250,00€+IVA). O projeto foi alvo de contestação pública maioritariamente pela população que mostrou o seu desagrado nas redes sociais como a ciclovia estaria a ser construída.

Uma das primeiras vozes a insurgir-se contra os moldes da nova infraestrutura foi Carlos Braga, na altura presidente dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde, que afirmou ser uma “falta de respeito” aquando da indicação de que a estátua de homenagem ao bombeiro teria de ser removida do seu local para instalação de um ponto de estacionamento para bicicletas naquela ciclovia.

Já Álvaro Santos, antigo candidato à Câmara de Vila Verde e figura destacada na área da Educação a nível nacional veio a público tecer algumas “correções” ao traçado da nova ciclovia que atravessa o centro de Vila Verde. Perante estas declarações, Carlos Braga reforçou através das redes sociais: “até que enfim, uma voz credível do nosso burgo, reconhece o mal que a Câmara Municipal está a fazer a Vila Verde”.

A contestação das pessoas crescia e, ao Semanário V, um dos responsáveis pela obra garantia que todas as regras estariam a ser tidas em conta e que esta ciclovia também estaria a servir para reordenar algumas vias, como em frente ao quartel dos Bombeiros de Vila Verde, em que a via tinha largura para três carros em simultâneo, ficando agora “normalizada”, resposta que irritou o antigo presidente dos Bombeiros que lembrou a saída das viaturas em emergência e o caos agora provocado nessas alturas.

Também alguns motoristas de autocarro mostraram insatisfação pela redução da via junto à EPATV, provocando o caos no trânsito sempre que os alunos saem ou entram em autocarros.

*com Lusa

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Paulo Moreira Mesquita

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