Ciência

Covid-19. Médicos italianos avisam: “Preparem-se!”

Numa carta escrita por médicos italianos e enviada enviada à Sociedade Europeia de Medicina Intensiva, revelam que 10% de todos os infetados com o coronavírus precisam de cuidados intensivos. Alertam toda a Europa para o impacto do Covid-19 nos hospitais. A carta foi revelada pelo jornal The Independent.

A carta, vista pelo The Independent , revela a escala do impacto nos hospitais da Itália, onde 5.883 pacientes foram infectados pelo vírus e 233 pessoas morreram a partir das 18h no sábado.

Na nota, os especialistas em terapia intensiva Prof. Maurizio Cecconi, Prof. Antonio Pesenti e Prof. Giacomo Grasselli, da Universidade de Milão, revelaram o quanto foi difícil tratar pacientes com coronavírus.

Afirmavam: “estamos a ver uma alta percentagem de casos positivos a serem admitidos nas nossas unidades de terapia intensiva (UTI), na margem dos 10% de todos os pacientes positivos.”

Lançam ainda o aviso: “desejamos transmitir uma mensagem forte: preparem-se!”

Segundo os especialistas, os hospitais italianos receberam”um número muito alto” de pacientes em terapia intensiva que foram admitidos “quase exclusivamente” por insuficiência pulmonar grave causada pelo vírus e a serem precisos ventiladores para ajudá-los a respirar.

Aconselharam, por isso, a que todos os hospitais da Europa a prepararem-se para os internamentos e alertaram o trabalho em contentores. “Aumentem a capacidade de ter unidades de cuidados intensivos e identifiquem os primeiros hospitais que podem gerir o aumento inicial da procura. Depois preparem áreas de cuidados intensivos para receber pacientes com covid-19 em todos os hospitais, se necessário”, aconselham ainda.

Um consultor sénior de um grande hospital em Londres disse ao The Independent que a carta dos médicos italianos é preocupante. “Será difícil. Vai ser difícil. A minha preocupação pessoal é que muitos médicos e enfermeiros fiquem doentes, essa será uma crise. Se um terço das equipas se isolar, nesse momento deixaremos de conseguir responder“.

Um médico italiano de cuidados intensivos Giuseppe Nattino, da província de Lecco, no norte da Itália, revelou também que há uma evolução inesperada e alarmante, que é a de pacientes mais jovens estarem a ser infetados, dizendo que a idade dos doentes varia na sua maioria agora entre os 46 e os 83 anos. “Os últimos dias mostraram uma população mais jovem afetada, que chega a hospitais sobrelotados e sobrecarregados”, escreveu.

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