Andreia Santos

Opinião. Coragem e Cooperação

De saída de um encontro muito feliz com mulheres que muito admiro, seria inevitável voltar a escrever-te sem mencionar o Dia da Mulher. Na passada Sexta feira na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, fui pedir coragem a todos e todas as presentes para sermos mais amigos/as uns dos outros, porque acredito que seja o que faz mais falta para mudar tudo. Deixei ao público o incentivo de cuidar do eu, das necessidades próprias para sabermos de que forma podemos ser mais justos no tratamento que damos às situações sociais, uns aos outros. Hoje quero falar-te serenamente dos dias que estamos a viver, que serão mais exigentes a cada passo e que também nos pedirão muita coragem e cooperação. Que nos dirão, inflexivelmente, que do egoísmo não se faz história. Preocupa-me a ignorância e a falta de visão, a irresponsabilidade e muito ego a precisar de afago. Mas encanta-me a humanidade dos atos diariamente praticados na ajuda.

De certeza, depois que esta pandemia se confirme, o mundo como o conhecemos já não voltará a existir. É um facto. Mas, não nos esqueçamos, que, dentro desta mudança, lá chegaremos porque já somos muitas coisas úteis e importantes e, espero eu, sem aquelas de que não precisaremos mais no futuro próximo. O Covid-19 e não só, os 76 mil imigrantes que fogem da guerra e estão hoje retidos nas fronteiras turcas e gregas, a chantagem de Erdogan e a complacência da Europa, entre outras crises, ditarão o desafio dos dias, nossos dias… Tenho que to dizer…

A diferença entre uma epidemia e uma pandemia está na amplitude. E aqui reside a chave para que se vislumbre a intervenção a fazer-se. O mundo está a dizer ao mundo para se unir e deixar de lado a diferença. Na morte somos todos iguais. Este mundo pede igualdade na vida. Se a doença está numa localidade e mesmo que contamine regiões inteiras, mas circunscrita a um lugar do planeta, toda a gente respira porque é com eles… Aqui e agora, a pandemia vem dizer que não será bem assim… O coronavírus será de todos e para todos, ricos e pobres, worldwide. Está a alertar para o que não está certo e a sublinhar o que está muito bem feito.

Nós vamos superar isto tudo, sem alarmismos este discurso que escrevo não é fatalista e não o fim que evoca, mas o aviso. Quero apenas dizer-te que isto é um aviso multidimensional, reunião de outros muitos avisos feitos. Um alerta para que olhemos pelo modo como vivemos, pelo planeta, pela alimentação, pela saúde física e mental, mais do que pelo dinheiro e que deixemos de lado o racismo. Sim, é isto, mais que outra coisa qualquer. Estou a falar-te de imunidade a larga escala e a pensar cá para mim em soluções. Não vejo saída que não a da intenção de existirmos mais além dos próprios interesses…

O que está bem feito e merece comtemplação? Admiro e respeito todos os que neste momento batalham diariamente para encontrar curas, todos os que voluntariamente partilham e agem pelo auxílio aos que precisam mais. A solidariedade. A integridade dos chineses que ficaram em casa. Zhong Linxing, o médico que morreu após 33 dias de trabalho contínuo para tratar doentes infetados. Peng Yinhua, o médico que adiou o casamento para trabalhar no hospital de Wuhan. Os oito profissionais de saúde chineses que infelizmente não resistiram pelos mesmos motivos e os outros. Todos os profissionais que se dedicam e todas as autoridades que coordenam e controlam o que está a acontecer… Todas as trocas internacionais e nacionais pela resposta a dar. Todos os que hoje, ao contrário do sindicato que convocou a greve para o hospital de Braga, sabem o que está primeiro. A ti que sabes o que fazer e não ridicularizas esta missão. A solidariedade é o que está bem feito. Precisamos de coragem para ser mais o que somos de facto. E não quero com isto pedir-te que te sacrifiques, mas que equilibradamente sejas cooperativo/a e não uma ameaça. Trata-se da vida em comunidade. Trata-se do apoio. Não de me safar ou safares-te porque não terás hipotese se não compreenderes que tudo passa por tudo. E no fim de tudo virão outras mudanças para superar. Avizinha-se a dificuldade económica.

Se é de quarentena que se trata, fica em casa! Segue as recomendações da DGS e lê para que saibas o que fazer para contribuir, em que fase de doença estamos e o que pode suceder. Confia. Mantém mesmo em casa uma rotina e conversa. Ajuda os teus filhos a entender e dá segurança a quem precisa. Sê gentil com as pessoas que estão infetadas. Por favor. Queres saber como te avalio? Eu digo-te em todo o caso o que me importa enquanto pessoa saber. Em que lugar colocas tu a vida humana e animal? Só isso conta porque é tudo. Obrigada por me leres. Até já.

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