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Covid-19. Câmara do Porto deixa de reconhecer autoridade à Diretora Geral da Saúde

Porto © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

Devido ao aumento exponencial de casos (524) confirmados de infetados com o novo coronavírus no concelho do Porto, que hoje passou de 417 para 941 e à possibilidade de o concelho e a área metropolitana se encontrarem esquecidos pelo plano nacional de contenção, Graça Freitas, Diretora Geral da Saúde, admitiu na conferência de imprensa desta segunda-feira, a possibilidade de instaurar um cerco sanitário. “Está neste momento [em decisão] e deverá hoje ser tomada uma decisão nesse sentido”, afirmou.

Rui Moreira, edil, lança duras críticas

Em comunicado publicado no sítio de internet oficial da Câmara do Porto, pode ler-se que a Câmara “foi hoje surpreendida por uma inopinada e extemporânea referência por parte da senhora Diretora Geral da Saúde de que estaria a ser equacionado um cerco sanitário ao Porto. Tal medida, absurda num momento em que a epidemia de Covid-19 se encontra generalizada na comunidade em toda a região e país, não foi pedida pela Câmara do Porto, não foi pedida pela Proteção Civil do Porto e não foi pedida pela Proteção Civil Distrital. Nenhuma destas instituições e nenhum dos seus responsáveis, incluindo o presidente da Câmara do Porto foi contactado, avisado ou consultado pela Direção Geral da Saúde.”

Segundo a autarquia portuense, caso a medida, “inútil e extemporânea fosse tomada, tornaria impossível o funcionamento de serviços básicos da cidade, como a limpeza urbana (cuja maior parte dos trabalhadores não reside na cidade), como a recolha de resíduos (cuja LIPOR fica fora da cidade), como o abastecimento e acessos a dois hospitais centrais (Santo António e São João) estariam postos em causa.”

Adiantam ainda que a Câmara do Porto “não pode concordar com uma medida dessa natureza, baseada em estatísticas sem consistência científica ou fiabilidade, emitidas diariamente pela DGS e cujas variações demonstram a sua falta de credibilidade. Muito menos faz sentido isolar uma cidade quando à sua volta a situação epidemiológica nos concelhos limítrofes é em tudo igual.”

A autarquia diz que “deixa de reconhecer autoridade à senhora Diretora Geral da Saúde, entendendo as suas declarações de hoje como um lapso seguramente provocado por cansaço.”

Porto © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

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Paulo Moreira Mesquita

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Diretor Semanário V