Destaque

Covid-19. Reportagem da situação nos Lares de Vila Verde

O Semanário V contactou as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) no concelho de Vila Verde para perceber o impacto que teve a pandemia provocada pelo novo coronavírus nas instituições e o que está a ser feito. Apenas o Centro de Solidariedade da Sagrada Família, em Atiães, não se mostrou disponível para prestar declarações ao V e, por sua vez, à população vila-verdense.

O apelo é unânime: querem todos conseguir fazer testes aos seus funcionários a tempo da mudança de turnos, para garantir que ninguém do novo turno que entrará ao serviço esteja infetado com Covid-19: se for o caso, uma desgraça se avizinha.

Centro Paroquial e Social de Moure – 1 infetado confirmado

Padre Sandro Vasconcelos, presidente da instituição, confirmou ao Semanário V que há um utente infetado com Covid-19. Trata-se de um idoso do Serviço de Atendimento Domiciliário (SAD).

Sandro Vasconcelos indica que há cinco funcionários em isolamento profilático. “Temos a instituição dividida em duas equipas que se dividem entre si. Temos uma equipa de Lar e uma equipa de rua. Arranjei uma casa em Freiriz e outra em Moure” onde as equipas pernoitam. “É casa trabalho, trabalho casa. Não têm contacto com ninguém”, afirma padre Sandro.

Para Sandro Vasconcelos já é doloroso o suficiente os funcionários estarem longe da família e não os queria colocar a dormir na instituição em “camaratas adaptadas”.”Para mim era desumano”. “Respeito quem o faça, pelos vistos é o que toda a gente está a fazer, mas eu arranjei duas casas para eles. Assim acabam o trabalho, podem ir para a casa, tomar um banho, têm sofá, televisão, internet… estão mais confortáveis”.

A instituição tem outra equipa nas suas casas em “descanso” há uma semana. Quando fizerem as duas semanas, as equipas trocam, não havendo porém a certeza se será possível fazer testes de Covid-19 a quem irá entrar no novo turno. No entanto, o presidente da instituição já endereçou o pedido “às entidades competentes” para que seja possível fazê-lo.

Centro Social Vale do Homem – sem infetados confirmados

Jorge Pereira, presidente do Centro Social Vale do Homem (CSVH), diz ao Semanário V que quer esta instituição quer as outras que dirige (Casa da Alegria e Lar das Termas) não têm casos confrmados nem dos utentes nem dos funcionários do novo coronavírus.

Utentes e funcionários estão de quarentena confinados aos espaços daquela instituição. Jorge Pereira explica: “ninguém entra. Nem eu mesmo!”

Os funcionários estão a cumprir um turno de duas semanas (começaram há uma semana) e estão dentro do edifício 24 horas por dia. O presidente diz que tem outra equipa em quarentena em casa que no dia 6 de abril substitui esta. “Temos assim os três edifícios”.

O CSVH tem ainda uma equipa de rua, que presta apoio e abastece as instituições, mas que não há qualquer contacto, garante Jorge Pereira: “chegam à porta deixam as coisas e saem, não havendo qualquer contacto com quem está dentro do edifício”.

Jorge Pereira alerta ainda para o maior risco, na sua opinião: quando um idoso tem de ir ao Hospital. Neste caso, a instituição tem quartos preparados para estes quando regressam à instituição ficarem em quarentena isolados.

“O que falta é tudo o que o Estado anda a dizer que tem, e não é verdade: os testes! Se tivéssemos feito como na Alemanha, e fizéssemos os testes nos três edifícios, garantidamente não haveria risco algum. Só que não há testes… isso é uma coisa assustadora!”

Centro Social de Escariz – sem infetados confirmados

Adelino Machado, presidente do Centro Social de Escariz, garante ao Semanário V que não tem casos confirmados de Covid-19, nem nos utentes nem nos funcionários.

O presidente diz que quer utentes quer funcionários estão de quarentena profilática há uma semana. Confirma  que “está tudo bem com os idosos e funcionários”.

Diz ainda que “[na instituição] preparamos um espaço” para os funcionários dormirem. Está ainda em preparação “um turno fora para render estes quando fizerem os 15 dias”.

Não há garantias de que o segundo turno possa fazer teste ao novo coronavírus antes de ingressar ao trabalho.

Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde – ERPI Valbom, Vila de Prado e Vila Verde – sem infetados confirmados

Bento Morais, provedor da Santa Casa de Vila Verde confirma ao Semanário V que o “bicho põe-nos KO” mas que não há casos de infetados confirmados de Covid-19 nas suas três unidades de Estrutura Residencial para Idosos. “Nem utentes nem funcionários. Houve dois casos na instituição de doentes, mas vieram de Braga”.

Neste momento a Santa Casa avançou com medidas de quarentena aos seus funcionários, fazendo turnos de 7 dias seguidos nas unidades.

O provedor queixa-se da escassez de produtos para realizar os testes do novo coronavírus: “não há kits nem há reagentes. Estamos desde a semana passada, no laboratório, a tentar arranjar esses kits.”

Depois da notícia avançada esta manhã em que se dava conta de que a Santa Casa de Vila Verde iria começar a fazer testes ao Covid-19, Bento Morais confirma que, se tudo correr como planeado, até sexta-feira terá os kit’s. “Vamos arrancar o serviço ou pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou particular. Se for SNS é melhor porque as pessoas não vão pagar, se for particular vamos levar metade do que os privados estão a levar – 120 a 200 euros – mas nós vamos ver se fazemos isso por 60 euros” garante Bento Morais.

Casa do Povo de Ribeira do Neiva – sem infetados confirmados

Zero infetados, garante Manuela Soares, presidente e diretora técnica da Casa do Povo de Ribeira do Neiva (CPRN) ao Semanário V.

Tem uma equipa de quarentena, ou de “internato” como lhe chama, na instituição. “Compramos uns divãs e reconvertemos as salas que era do ATL”, para as funcionárias dormirem. Outra equipa está em casa a fazer quarentena. Vão ser feitos turnos de duas semanas entre equipas.

A preocupação de Manuela Soares é nesse momento: da mudança de turno. Não está a ser possível realizar testes ao Covid-19.

Está a ser feito um “esforço  pela equipa que está cá neste momento, que está ao que eu chamo ‘limpos’, mas o que me preocupa é que a próxima equipa, que está em casa em isolamento e com todos os cuidados já possa vir infetada. Distrações todos nós temos.”

“Posso garantir quase com 100% de fiabilidade que isto aqui [na instituição] está limpo!”

Manuela Soares já contactou a Câmara de Vila Verde e a Segurança Social na tentativa de ser possível realizar testes ao Covid-19 à segunda equipa, antes de entrar em funções na próxima semana. “Depois de haver um infetado num lar é para infetar a maioria”, remata.

Centro de Solidariedade da Sagrada Família (Atiães) – sem informação

O Semanário V tentou obter esclarecimentos junto da irmã Ana, mas a mesma não se mostrou disponível.

Partilhe esta notícia!

Comentários

topo