Braga

Braga. Padre Domingos deu bênção pascal à cidade no monte do picoto

O Pároco de Santo Adrião deixou testemunho nas redes sociais:

“É este o anúncio pascal ininterrupto da Igreja que, mesmo por motivos de isolamento social decorrente da pandemia Covid-19, não podemos calar nem deixar de levar a todos os nossos irmãos e irmãs.
Estamos a escalar um monte difícil. Todos fomos surpreendidos, ninguém estava preparado!
A última celebração comunitária na nossa igreja de Santo Adrião decorreu no segundo domingo da Quaresma – Transfiguração do Senhor. Sentimos todos a necessidade do alimento da Eucaristia. Também esta privação acresce dificuldade à travessia deste monte do coronavírus.
Na homilia desse domingo, dizia: No caminho árduo da Cruz, a meio de uma longa e penosa peregrinação, rumo a Jerusalém, Cristo faz uma pausa, para conduzir os seus mais íntimos discípulos ao repouso, à experiência luminosa e gratificante da oração, à visão maravilhosa da futura glória. Leva-os a descansar, como o Bom Pastor, que procura para os seus o dom da paz, daquela paz, que penetra a alma, não raro agitada pela azáfama da vida ou pelos atropelos das obrigações quotidianas. Eles são convidados a lançar um olhar regenerado sobre as maravilhas da natureza, deixando-se envolver por aquela estupenda e misteriosa harmonia. Jesus leva-os «em particular», para uma relação de intimidade, de amizade, de proximidade, que os ilumine e fortaleça, para se levantarem, logo de seguida, e de novo, com forças redobradas. E Pedro, Tiago e João acompanharão Jesus, desde a sua Transfiguração, no Monte Tabor, até à sua desfiguração, na agonia, no Monte das Oliveiras.
E precisava Jesus de subir a tão alto monte? Não bastaria levantar os olhos para os montes, para encontrar o auxílio do Senhor, que fez o Céu e a Terra?! Porquê esta atracção irresistível de Jesus pelos montes? De facto, os montes são parte fundamental da geografia pessoal e pastoral de Jesus, que bem podia dizer como Pascoaes: «Sem estes ermos montes e arvoredos, eu não era o que sou». Pensemos nos diversos montes da vida de Jesus, como se fossem um só: antes do monte de transfiguração, houve o monte da tentação, o monte do grande sermão, o monte das curas e do pão. E depois do monte da transfiguração, haverá ainda o monte da agonia, o monte da crucifixão, e finalmente o monte da ascensão e do envio em missão.
Referi, então, que temos bem próximo o monte do Sameiro, sob a protecção do manto de Maria, que sempre nos ampara e nos convida a rezar o terço diariamente, e o monte do Picoto em que se eleva uma cruz sobre a paróquia e sobre a nossa cidade de Braga.
Longe de mim imaginar que o monte do Picoto seria o local que acolheria este sinal da visita pascal, lançado sobre todos os paroquianos – a bênção do Santíssimo, para que o Senhor toque, por dentro, as vossas vidas.

Mas, em Jesus Cristo, o monte perde, por assim dizer, o seu carácter sagrado, pois Jesus é a verdadeira “montanha”, o verdadeiro rochedo: é Ele o único lugar do encontro dos seres humanos com Deus, ou seja, é preciso subir por Ele para chegar ao Pai, é preciso descer por Ele para chegar aos irmãos.
Daqui, elevo o ostensório sobre as vossas casas e sobre a cidade: que o Senhor Jesus ressuscitado entre em todos lares, Ele que oferece vida abundante para salvação de todos e nos convida a semear esperança nos ambientes em que vivemos, e conceda a quantos habitam nestes lares, esperança firme, fé verdadeira, caridade perfeita e humildade profunda.
Cristo Ressuscitou, Aleluia, Aleluia”

P.e Domingos Paulo Oliveira 

 

(c) Santo Adrião

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