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A história do Engenheiro Aeroespacial vila-verdense David Santos

De economia para o curso superior mais cobiçado do país: a história do Engenheiro Aeroespacial vila-verdense David Santos

Corria o ano de 2013 quando um jovem de 18 anos terminava o curso de Ciências Socioeconómicas na Escola Secundária de Vila Verde. Quem visse aquele rapaz, vindo da área da economia, estaria longe de imaginar que iria concorrer a um dos cursos mais disputados do ensino superior, cujo acesso é restrito e cada vez mais cobiçado.

Naquele ano letivo, David Santos entrou no curso de Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Na altura, a média de entrada era uma das mais elevadas (o último colocado entrou com 17,6 valores). Em 2019/20, a média do curso, único no país, é a mais alta de Portugal (18,95 valores).

“Fiz toda a formação pré-universitária em Vila Verde. Hoje agradeço o papel dos meus professores nas bases que tive”

Como é que um estudante de economia de Vila Verde se lembra que quer ser Engenheiro Aeroespacial? Boa pergunta. David Santos explica: “no 12º ano, por altura da passagem de ano, decidi pedir um livro de física aos meus pais. Para concorrer ao curso, fiz o exame de física como aluno autoproposto”. Hoje, com 25 anos e fazendo uma retrospetiva, David reconhece que a base que teve antes da universidade foi muito importante: “Fiz toda a formação pré-universitária em Vila Verde, sempre no ensino público. Hoje em dia, agradeço o papel dos meus professores nas bases que tive”.

O vila-verdense admite que é “provavelmente o único Engenheiro Aerospacial do país que não fez o ensino secundário na área das ciências e tecnologias.”.

Durante a formação universitária, esteve um ano em mobilidade numa das melhores universidades tecnológicas da Europa: o KTH, em Estocolmo (Suécia).

Fez várias atividades diferenciadas e fez uma pausa durante o curso, o chamado “gap year” que, segundo David, lhe deu “oportunidade de viver outras experiências e de obter outras aprendizagens”. Nesse ano, a sede de aprender e de ver o mundo com outros olhos levou-o a fazer voluntariado no interior da Bósnia e Herzegovina, numa equipa multifuncional com elementos da Bósnia, China, Índia, Grécia e Portugal. Foi voluntário na Refood, onde distribuía comida por pessoas carenciadas, doada por restaurantes, fez estágios profissionais, aprofundou o domínio de línguas, participou em equipas de avaliação externa de cursos do ensino superior, através da Agência Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), realizou diversos cursos  de aprofundamento de várias linguagens de programação e de aprofundamento na área de inteligência artificial e viajou bastante. Uma experiência que fez com que “aprendesse muito do que não se consegue aprender sentado nos bancos da universidade”, relata o engenheiro aeroespacial.

David Santos tem como principais interesses profissionais a Inteligência Artificial, a Visão Computacional e Processamento de Linguagem Natural. Entre as opções de trabalhar numa agência espacial, numa grande companhia de aviação ou numa Universidade, optou por uma tecnológica financeira, onde ingressou antes de concluir o curso.

É na Feedzai (tecnológica portuguesa considerada pela Revista Forbes uma das empresas mais promissoras na área da inteligência artificial) que hoje, como Data Scientist, concentra a sua atividade profissional no desenvolvimento de sistemas baseados em Machine Learning, em projetos internacionais para deteção de crime financeiro.

A tese de mestrado, concluída a partir de Barbudo, com o título “Sistema de Navegação Descentralizado, com Medidas de Direção para Veículos Autónomos”, obteve 19 valores e as principais conclusões serão apresentadas em Denver, na principal conferência dos EUA sobre a temática.

Mas a vida não é só trabalho. Ao Semanário V, David Santos explica que muito do tempo livre que tem é ocupado com leitura e em viagens. Os principais hobbies são o futebol e a fotografia.

Claro está que, apesar desta vida atribulada, é sempre bom regressar a casa: Vila Verde.

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