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Vila Verde. Patrício dá a volta ao concelho e solução estava à porta

Patrício Araújo, vereador na Câmara Municipal de Vila Verde, esteve esta semana no centro da polémica em torno da eventual transferência de utentes do Lar do Trabalhador, na Vila de Prado para umas instalações pertencentes à Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde (SCMVV), na antiga Residencial Martins.

“Birra” de Patrício foi avante. Recusou-se a colaborar com a Misericórdia

O vereador sempre esteve contra a transferência provisória dos utentes infetados no Lar para instalações pertencentes à SCMVV, apesar do pedido ter sido feito pelo delegado de saúde de Vila Verde a Bento Morais, provedor, que desde o início do processo mostrou total disponibilidade com as autoridades de saúde. Patrício Araújo chegou mesmo a pôr em causa o nome do Hospital de Vila Verde quando “lamentavelmente decidiu emitir um comunicado com afirmações e insinuações insultuosas para com a nossa Instituição”, disse Bento Morais.

Ontem, através das redes sociais, o vereador informou que encontrou a solução para os utentes. “A situação precária dos utentes do Lar do Trabalhador ficou hoje acautelada”, começou por escrever.

Paulo Marques, líder do CDS concelhio de Vila Verde, pediu a demissão de Patrício Araújo. 

O líder centrista concelhio acusou o vereador de andar a politizar o assunto “nesta altura de pandemia a saúde pública” e “numa atitude de uma total irresponsabilidade política e pequenez moral notáveis”. Paulo Marques pede a demissão de Patrício Araújo:  “já que não há quem mande e lidere este município, tenha o senhor alguma dignidade e honradez e demita-se.”

Solução estava à porta mas Patrício Araújo andava às voltas

Segundo o vereador, os utentes do Lar do Trabalhador “serão transferidos para o edifício do Centro Comunitário da Cruz Vermelha da Vila de Prado”, mesma freguesia onde se encontra o Lar. Afirma ainda Patrício Araújo que estão reunidas todas as condições e garantias dadas “nomeadamente pela Autoridade de Saúde”.

Contradizendo o padre João Correia o Lar do Trabalhador “fala” à comunicação social

O Semanário V contactou o presidente do Lar do Trabalhador, padre João Correia esta semana mas este recusou-se a tecer qualquer comentário à comunicação social. “A minha função é articular os problemas e resolvê-los com a tutela. Mais não consigo”, disse. Garantiu ainda que a instituição não iria falar com a comunicação social sobre esta matéria. Ontem, o “jornal” O Vilaverdense indicava que tinha recebido um comunicado do Lar do Trabalhador, enviado pela direção, confirmando que “trabalhou incansavelmente em diversas soluções e particularmente na que amanhã [hoje] vai ser implementada: os utentes transitam temporariamente para o centro Comunitário da Cruz vermelha para que o edifício do Lar do Trabalhador seja higienizado”.

Sociais-democratas “saem da quarentena” e falam pela primeira vez no assunto

Foram várias as reações à publicação de Patrício Araújo no facebook, tecendo palavras de agradecimento ao vereador. O casal Fernandes fez questão de publicamente agradecer o feito.

José Manuel Fernandes, deputado no Parlamento Europeu, terá escrito que o vereador mostrou humanismo e que pratica obras da misericórdia: “demonstraste humanismo, solidariedade, respeito pelo outro. Há quem pregue as obras de misericórdia. Tu praticas as obras de misericórdia”.

O eurodeputado não deixou escapar a oportunidade de politizar o assunto falando na tão conhecida “guerra política virtual” que se instalou em Vila Verde há uns anos a esta parte: “foste corajoso! Mesmo sabendo que vais ser atacado nas páginas anónimas e nos perfis falsos, mesmo sabendo que o ‘Podre’ escreverá ainda mais cartas anónimas! Não tiveste medo. Parabéns!”

Júlia Fernandes, vereador da ação social, veio, finalmente, a público falar do assunto: “quando todas as vontades se unem as melhores soluções são encontradas. Parabéns Patrício Araújo por nunca desistires e teres ido até ao fim na luta pelos superiores interesses da instituição e dos nossos idosos”

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Nota do diretor: lamentavelmente, continuamos a assistir a um desrespeito enorme pelos Órgãos de Comunicação Social em Vila Verde, que não se vergam ao poder instalado pelo PSD concelhio. A autarquia não comunica com o Semanário V, não responde às questões colocadas pelo V para levar resposta às 300.000 pessoas que lêem mensalmente as nossas notícias. Mesmo quando está em causa a saúde pública. Neste assunto em particular, tentei contactar Patrício Araújo via telemóvel, sms e e-mail. Sem resposta. O padre João Correia, a meu ver, peca em misturar política com a saúde dos seus utentes e com a obrigação de informar os seus concidadãos. A velha desculpa que nós somos socialistas, já não pega, a não ser àqueles que pregam, citando José Manuel Fernandes, “nas páginas anónimas e nos perfis falsos”.

Ainda me lembro de me dizerem num almoço (penso que em 2016): “Paulo Mesquita, a Câmara está disposta a apoiar o Semanário V, mas tem de compreender que na edição que saia publicidade nossa não pode sair uma notícia menos abonatória à autarquia…”. O almoço foi curto.

A verdade é que sempre tentamos ser a voz do escrutínio da gestão autárquica em Vila Verde. E iremos continuar a sê-lo, independentemente de quem se sente na cadeira do trono… (e dos processos criminais que me movam).

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