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Opinião. Utilização comunitária de máscaras

No passado dia 13 de abril, foi comunicado a nível nacional que a Direção-Geral da Saúde, a par daquilo que tinha sido já recomendado por alguns órgãos europeus, como o ECDC (Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças), alargou a recomendação do uso de máscaras à comunidade. Apesar da controvérsia associada a este tema, pela disparidade de opiniões e recomendações entre os vários países e organizações de saúde, considero que esta é uma medida fundamental (diria, até, tardia) nesta fase de evolução da pandemia.

Na última semana assistimos à distribuição e fornecimento de máscaras e outros materiais de proteção individual aos comerciantes locais por parte da Câmara Municipal de Vila Verde. Esta medida, ainda que essencial, é benéfica sobretudo pelo simbolismo que representa, já que importa principalmente transmitir a mensagem da proteção individual em todos os espaços públicos e passíveis de aglomeração populacional.

O atendimento ao público é, por si, uma atividade associada a um maior risco de transmissão da infeção COVID-19, pelo contacto próximo com o cliente e pela transmissão de bens, de mão em mão. Se há serviços que não podem cessar a sua atividade, então há que proteger adequadamente os seus proprietários e funcionários.

É fundamental o uso de máscara por todos os trabalhadores do estabelecimento (e, idealmente, pelos clientes que o frequentem). O uso de luvas também deve ser privilegiado, devendo estas ser substituídas após o atendimento de cada cliente. A utilização de viseira, se possível e disponível, também é uma medida lícita, devendo ser frequentemente desinfetada.

Certo é que, muito provavelmente, os municípios e órgãos sociais não terão disponibilidade para abastecer todos os estabelecimentos com os equipamentos necessários como seria desejável. A distribuição porta-a-porta é um passo importante, aproximando o município dos comerciantes, mas, acima de tudo, na transmissão da mensagem de que a proteção é a melhor forma de combatermos, juntos, este cenário para o qual ninguém estava preparado.

Também é previsível que surjam críticas à distribuição destes materiais exclusivamente no comércio local, sabendo que o ideal seria que todos os munícipes tivessem acesso a este tipo de dispositivos. Apesar de desejável, compreendo e apoio que a gestão de recursos deva ser priorizada, nomeadamente para grupos de risco e profissionais cuja atividade não possa prescindir deste tipo de equipamentos.

Agora que o país se prepara, lentamente, para a reabertura de vários serviços é, mais do que nunca, fundamental que cada um procure proteger-se a si e aos outros. A utilização comunitária de máscaras terá de ser entendida como obrigatória sempre que saímos de casa para um espaço fechado, na utilização de transportes públicos e no exercício da nossa atividade profissional.

Apesar dos seus benefícios, a utilização de máscaras deve ser cuidada e criteriosa, evitando-se o seu desperdício e incorreta utilização. Deve ser entendida como uma medida adicional (e não para substituir) às medidas de isolamento social, higienização das mãos e cuidados de etiqueta respiratória

Não, ainda não está tudo bem! Os próximos tempos continuarão a ser de luta e a melhor forma de cada um participar nesta batalha é protegendo-se, sendo as máscaras, descartáveis ou artesanais, uma arma essencial para o caminho que se avizinha.

ário V

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