José Macedo

Opinião. Covid-19 – Autarcas: Líderes ou Gestores?

Quando se gere um organismo publico na tutela de um cargo político, a linha orientadora de trabalho, costuma ser calculada e seguida de uma forma controlada. No entanto, e como em tudo na vida, existem variáveis que  podem surgir em qualquer momento,  e descontrolar este “trabalho” controlado, desculpando-me o pleonasmo.  Na atuação de um autarca, seja numa Junta de Freguesia, numa Camara Municipal ou em outro qualquer organismo público, estas variáveis “não controláveis” podem de um momento para o outro, provocar a alteração de intervenção e de atuação de um executivo. Exigindo dos mesmos características que nem todos têm ou não mas sabem usar.

O mais atual exemplo, foi o aparecimento desta pandemia, desta estirpe do COVID-19, que nos “apanhou”  de surpresa, desde cidadãos, comerciantes, incluindo os nossos governantes. Centrando esta análise, no poder mais local e regional, as atuações dos executivos camarários e dos executivos das Juntas de Freguesia,  viram as diretivas dos seus programas propostos sofrer alterações de um momento para o outro. As necessidades dos seus cidadãos alteraram-se, e as suas prioridades de atuação também.

Nesta nova realidade em que vivemos, assistimos ao fecho temporário de empresas, à colocação de um número elevado de trabalhadores em regime de “lay-off”, ao fecho de escolas, obrigando muitos pais a colocarem-se sob alçada do regime da segurança social de assistência a filhos. Para além de que que fomos colocados sob Estado de emergência, e de uma forma global confinados a estarmos em casa sem contato social. Foram medidas tomadas,  para salvaguardar a saúde dos portugueses e evitar a propagação em escala deste vírus. Estas variáveis não esperadas, criaram novos  problemas no âmbito de proteção social, escolar  de saúde e não menos importante de âmbito económico.

Para os nossos políticos, com responsabilidades de liderança e gestão, os desafios perante este novo enquadramento acima referido têm surgido diariamente, obrigando a tomadas de decisão “step by step”. O seu papel passou de gestores a líderes. Nestas alturas, torna-se de forma obrigatória e necessária, que a liderança se deverá impor à gestão, ou seja, em vez de se renderem à situação, administrando a mesmas, os nossos atuais lideres têm de procurar agir sobre a situação, inovando, e atuando com perspetivas de médio e longo prazo.  Mas há um problema… Nem todos os políticos  têm esta capacidade de liderar, passando a maior parte das suas vidas a gerir ou administrar, a serem os chamados “políticos de secretária”. Hoje e cada vez mais, é-lhe pedido poder de decisão sob pressão, ultrapassando por vezes as suas competências, mas em prol da sua população. Exige-se coragem e determinação no processo das tomadas de decisão. Outra exigência prende-se com o designado “andar no terreno”, junto da sua população. Esta política de proximidade, que tanta falta faz, tem-se perdido ao longo dos tempos. Enquanto cidadãos, nós precisamos de líderes, mas com padrões de atuação “in loco”, no terreno, junto dos seus. Há uma saturação em relação à designada gestão administrativa.

Esta mensagem tem sido passada de forma populista por alguns, mas devemos olhar cada vez mais para ela, como um sinal indicador do que poderá e deverá ser a política no futuro.  Este comportamento deverá ser transversal a todos os que exercem cargos políticos.

É necessário gerir, mas é imprescindível saber liderar, e acima de tudo, é preciso estar presente junto das populações.  Por isso pessoalmente, um autarca deverá ser sempre um Líder.

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