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Vila Verde. Perfis falsos nas redes sociais foram todos apagados

O véu foi levantado publicamente por Paulo Marques, líder do CDS-PP de Vila Verde, esta semana. Bastou a publicação de notícia no Semanário V para, algumas horas depois, todos estes perfis, alegadamente falsos, serem apagados.

Perfis pessoais apagados:

Andreia Cruz: https://www.facebook.com/andreia.cruz.94043

Lucia Azevedo: https://www.facebook.com/profile.php?id=100046263593088

Graça Silva: https://www.facebook.com/profile.php?id=100044422454246

Maria Lopes: https://www.facebook.com/profile.php?id=100044133340129

José Torres: https://www.facebook.com/josetorrespilot

Julio Abreu: https://www.facebook.com/juliocastroabreu

Criadas na rede social Facebook, todas estas contas tinham algo em comum: defendiam Júlia Fernandes (PSD), vereadora na Câmara de Vila Verde e José Manuel Fernandes (PSD), eurodeputado. De registar algumas partilhas e comentários a trabalho feito pela autarquia vila-verdense, nomeadamente do vereador Patrício Araújo (PSD) na altura da polémica do Lar do Trabalhador, na Vila de Prado. Nestes alegados perfis falsos, surgiram críticas contra o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde, Bento Morais.

“Expectável de gente cobarde e falsa”

Em declarações exclusivas ao Semanário V, Paulo Marques, que veio a público com esta denúncia, afirma que o facto de todas as contas terem sido apagadas seria “expectável de gente cobarde e falsa”. O centrista vai mais longe: afirma que vai formalizar queixa-crime no Ministério Público.

Paulo Marques deixou também recomendações à vereadora Júlia Fernandes, que frequentemente respondia a comentários desses alegados perfis falsos e que lhe eram favoráveis: “com o poder político executivo que assume no Município de Vila Verde, tenha muita mais atenção com os perfis onde deixa as suas mensagens e com os quais costuma ter regularmente conversas. Tem sido apanhada em conversas com perfis falsos e põe em risco a confidencialidade do cargo que ocupa, bem como informação eventualmente relevante sobre o município. Não é por serem perfis que têm como única função dizer maravilhas da Dra. Júlia, e tratar mal tudo o que não seja PSD em Vila Verde, que os pode considerar credíveis.”

“Terras do Homem é espécie de jornal local do PSD”

Praticamente todas as partilhas dos alegados perfis falsos nas redes sociais eram provenientes da publicação Terras do Homem que, segundo Paulo Marques, é “espécie de jornal local do PSD para quando é preciso e que é gerido por um familiar” de Júlia Fernandes. Conforme já informou o V, em editorial a 5 de março deste ano, esta publicação recebeu dos cofres camarários quase 20 mil euros só no ano passado: “a sociedade pertence a dois sócios, com quotas diferentes: Zélia Raquel Pires Lopes (funcionária do Centro Social Vale do Homem) com 25% da sociedade e Filipe Alves Fernandes (primo do eurodeputado José Manuel Fernandes) com 75% da sociedade. Emílio Rodrigues (irmão da vereadora Júlia Fernandes) está inscrito como “colaborador” no jornal. É, na opinião pública vila-verdense, o verdadeiro ‘dono’ do jornal, pois foi ele que sempre ‘deu a cara’ pela publicação periódica.”

“São falsos, FEIOS, cobardes e feitos por gente pequena”

Relativamente aos alegados perfis falsos, o líder centrista apelida-os de “falsos, feios, cobardes e feitos por gente pequena”. Na resposta ao V, Paulo Marques dá uma conotação diferente ao adjetivo “feio”, deixando alguma suspeição no ar. Deixa ainda um repto a Júlia Fernandes: “não acha que se devia justificar aos vila-verdenses?”

O perfil de “Andreia Cruz” era dos mais activos. Lançava duras críticas a todos que criticavam o executivo social-democrata. A Paulo Marques, chegou a chamar de “pau mandado do PS” e de “caixa de ressonância para o jogo sujo que ninguém minimamente inteligente está disponível para dar a cara”. Outro dos perfis, Maria Lopes, acusou o líder centrista de “insultar a inteligência dos vila-verdenses” quando este teceu duras críticas aos governantes locais de fazerem “campanha à custas dos outros” por distribuírem “todos sorridentes e alegres, meia dúzia de máscaras e viseiras para a fotografia e para aparecer nas notícias locais”.

Um dos perfis usava mesmo a fotografia de uma campanha publicitária de uma companhia aérea, para se identificar.

Júlia Fernandes e José Manuel Fernandes em silêncio

O Semanário V tentou obter algum comentário por parte de Júlia Fernandes e José Manuel Fernandes mas ambos, até à edição desta notícia, não enviaram qualquer resposta à nossa redação.

O porquê de apagarem os perfis no Facebook?

Cid Correia, consultor em segurança informática explica ao Semanário V. “Por norma, quem utiliza nas redes sociais perfis falsos por inúmeras razões, sabe-se proteger e mesmo que exista alguma suspeição, raramente tem de se preocupar porque nada liga ao verdadeiro autor. Feito por amadores, o caso muda de figura: normalmente usam o seu computador, a sua ligação de internet, o mesmo browser com histórico ativo, etc. À mínima suspeição tentam apagar tudo. A minha dica é: se isso aconteceu, provavelmente o autor foi de imediato a uma loja informática local pedir para eliminar qualquer vestígio.”

 

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