Opinião Sérgio Henrique Viana

Opinião. Uma Economia Pós-COVID desTAPada

Redação
Escrito por Redação

Eis que anunciado o fim do Estado de Emergência, como vamos reagir? É a questão que praticamente todos colocamos. Como vai ser o regresso à dita normalidade, como será a recuperação económica pós-COVID?

Recentemente António Costa rejeitou a aplicação de austeridade para suportar os custos do Estado na resposta imediata quer ao Serviço Nacional de Saúde, com aquisição de material, quer aos trabalhadores e empresas. Consideremos, então, a utilização das famosas “almofadas” orçamentais existentes para fazer face aos custos, as almofadas apresentadas no Orçamento de Estado 2020 não possuem margem suficiente para cobrir a totalidade das despesas. Assim, vejo apenas uma solução “à PS”: recurso aos mercados e aumentar a dívida pública.

Se tivermos como exemplo o último grande endividamento público vemos a desastrosa negociação entre governação PS e a Troika bem como eleições onde um governo se viu obrigado, ou até pressionado, a cumprir com um plano de recuperação económica que nem eles acreditavam ou defendiam a 100%. Recuperado o Estado volta o PS ao poder, devolvemos rendimentos (muito bem) e a dívida pública continua a crescer (nada bem). A maioria dos cidadãos esqueceu rapidamente tudo o que passamos pela crise e as sucessivas avaliações da troika ao desenvolvimento português.

Ora, o sucesso de atuais políticas tem duas bases: a contenção das contas públicas realizadas no governo PSD/CDS e o intervencionismo estatal diretamente na economia, um Estado protetor e não um estado liberal e que permite (nem facilita) a livre iniciativa dos cidadãos e empresas, que não desburocratiza a “máquina” e aproxima o cidadão do Estado, até porque o Estado somos todos nós!

Fácil será, então, de concluir que analisando os números previstos quer de perdas de PIB quer de injeções monetárias por parte do governo na economia teremos uma recessão económica que poderá durar 2 a 3 anos, bem como (e espero que não) um novo pedido de ajuda económico-financeira aos organismos internacionais ao mesmo tempo que uma demissão do governos para os “outros” governarem na austeridade imposta por uma negociação em que não consentiram ou participaram ou, sequer, aceitaram.

É, portanto, tempo do governo definir os planos da retoma da economia, com a abertura gradual do comércio tal como hoje fora anunciado, mas também de repensar no modelo económico do estado. Pretendemos um estado que esteja (novamente) sobreendividado ou pretendemos um estado cuja economia é liberal, os cidadãos e as empresas tem livre iniciativa, existe uma forte aposta no comércio externo (inter-europeu e intra-europeu) garantindo a captação e retenção de investimento estrangeiro com políticas que permitam tornar esta economia num modelo “estável” e cujo crescimento se quer sustentável?

Parece-nos que não é, de todo, sustentável o crescimento com a compra/investimento numa companhia aérea que, depois de privatizada apresentou lucros e, curiosamente, após reversão da privatização apresentou prejuízos financeiros. Ora… Estamos a “enterrar” muitas centenas de milhões de euros numa companhia aérea que era caracterizada, enquanto empresa pública, pelos contínuos anos de prejuízos financeiros, estando impedida de concorrer livremente no mercado, como todas as companhias aéreas!

É lógico que as centenas de milhões de euros que o PS pretende enterrar na TAP, com todos os interesses políticos e financeiros inerentes, seriam muito melhor aplicados na economia e no reforço da garantia da liberdade económica e iniciativa de cada cidadão. Existem setores essenciais onde estes milhões tem e devem ser aplicados, de imediato!

Eu, como cidadão, como contribuinte, como trabalhador, como futuro pensionista (cujo futuro não vejo) prefiro um modelo de economia liberal em que o crescimento seja sustentável e estável de forma a garantir o futuro de todas as gerações e todos os organismos públicos e privados.

Eu, como cidadão, quero uma economia digna do século XXI em que o trabalho qualificado é corretamente remunerado e a iniciativa pública se mantém nos seus “limites” garantindo que o cidadão tem um papel próximo e essencial junto do desenvolvimento e crescimento do país.

Eu, como cidadão, como liberal, como português quero que as decisões não sejam apenas tomadas em S. Bento, em Belém ou no Terreiro do Paço mas sim que todos os cidadãos tenham um papel importante a desenvolver em Portugal e pela economia nacional porque eu, como tantos outros, desejamos um país melhor com uma “máquina” mais sustentável.

 

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