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Opinião. “Avante” 2020 Edição COVID-19

Redação
Escrito por Redação

Uma “grande realização político-cultural”, segundo descrição do deputado Jerónimo de Sousa.  Falo da tão conhecida “Festa do Avante”, propriedade intelectual do PCP, Partido Comunista Português.  Sendo para muitos ao mesmo tempo  uma Festa, um Festival de Música, um Comício Político.

A realização deste evento, neste ano de 2020, encontra-se pendente da disposição legal que possa vir a ser assumida pelo Governo. O  mesmo Governo que esteve menos bem desde a 1ª comunicação do em relação a esta medida. No 1º comunicado o governo  referia-se a “Festivais de Música”, no 2º comunicado emitiu uma retificação, substituindo “festivais de música” por “festivais e espetáculos de natureza análoga”. Não sendo percetível se a Festa do Avante se encontra abrangida ou não por esta medida, mas deixando já em burburinho os amigos “geringoncianos” do PCP.

Recordando a autorização excecional e especial  da celebração do 1º de Maio, assume-se de uma forma natural  que o líder do Partido Comunista, se sinta no direito de requerer estatuto especial para a designada “Festa do Avante”, alegando que não se trate de um “simples” festival de música. Sabendo que se realiza desde 1976, a Festa Do Avante, não pode ser exceção neste momento tão especial da vida dos portugueses. Recordo que a celebração da Páscoa se realiza há 2020 anos, e a sua celebração este ano foi cancelada. Tendo inclusive o líder da Igreja Católica, o Santo Padre realizado uma missa sozinho em plena Praça de São Pedro em Roma.  Dá que pensar!

No entanto, parece-me que ainda existem mentes que não entenderam que o cerne da questão para proibição e cancelamento destes festivais ou celebrações não tem a ver com o teor do seu conteúdo, quer se trate de música, quer se trate de outra arte qualquer, ou caso se trate de um  comício. Prende-se sim com o ajuntamento de pessoas em número elevado que estes eventos promovem, colocando em causa a saúde publica, com consequente possível aumento de propagação do vírus.

Estamos numa fase de mitigação da estirpe, em que se não tivermos cuidado, corremos o risco de crescer consideravelmente em número de infetados. Reduzindo as medidas de contenção, e abrindo a economia como está acontecer neste momento, é natural que se assista a um aumento do volume de circulação de pessoas, aumentando o risco de contágio.  Mas maior perigo será quando as escolas reabrirem, pois, as crianças e os jovens são o grupo de menor risco, que além de poderem nem sentir os efeitos do COVID-19, podem se tornar portadores do vírus sem saber, contribuindo para a sua propagação pelo estado de serenidade e ausência camuflada da infeção.

A decisão de cancelar todos os eventos até 30 de setembro de 2020, além de sensata, é uma medida proativa de prevenção. O período de férias que se avizinha, em conjunto com a sensação de prisão causado pelo confinamento a que o Estado de Emergência obrigou, poderá provocar um efeito de procura na população, por ambientes de diversão, onde os ajuntamentos acontecem de forma natural. O seu cancelamento é uma medida de inteligência.

Respeito a realização da Festa do Avante, mas que se alterem as datas da mesma, para quando for seguro. Se o Governo cair no erro de mais uma vez ceder nesta questão, espero que não aconteça como no 1º de maio, cuja celebração teve o apoio até do Presidente da República, e passado uns dias veio a publico lamentar a forma como tinha decorrido a mesma.

Além de que enquanto dirigentes partidários, estes líderes devem saber dar o exemplo quanto à sua conduta e princípios defendidos. Ser político não é só um cargo, é muito mais do que isso. Custa é entender isto, e não perceberem que se agirem contra este princípio, a descredibilização política aumenta de dia para dia.

Caso, hipoteticamente se autorize de forma ridícula,  realização da mesma, espero ver nos seus cartazes, nomes como Graça Freitas, Marta Temido e António Costa. Nomes que estão em voga no panorama político atual!

Está na altura de extinguir os “favores made in Geringonça”, senão torna-se impossível haver coerência política em Portugal.

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