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À conversa com… Cristina Costa, CEO da FootStudy e Founder do BioFeet

 “É nas adversidades que as oportunidades surgem.

A minha interlocutora desta vez é dona de uma sensibilidade extrema e mestre em cativar os outros. Sossegada, mas com um magnetismo que emana sem esforço porque é visivelmente sincera enquanto fala ou sorri. Agradeço-lhe tudo.

Andreia Santos: Obrigada Cristina por ter aceite o meu convite. Como é que as pessoas de uma forma geral descrevem a Cristina?

Cristina Costa: As pessoas com quem me relaciono no meu dia a dia, seja no plano pessoal ou profissional, conhecem-me de acordo com o que dou a conhecer. Tento transpor a minha essência para cada um dos papéis que desempenho. Como mãe, filha, profissional de saúde (Podologista), empresária (enquanto trabalhadora independente) e empreendedora (na qualidade de CEO da FootStudy), há valores como o respeito pelo próximo, a integridade, seriedade, disciplina, vontade em atingir metas e a ânsia por atingir melhores resultados. Nem sempre é fácil, mas as pessoas sabem que tento dar o meu melhor.

A.S.: Eu sei que tenta dar sempre o melhor aos outros. Fale-me um bocadinho do seu percurso até estes dias.

C.C.: Foi um percurso um pouco atribulado. Licenciei-me em Podologia pela CESPU e em Enfermagem pelo ISAVE. Apesar de ter muito orgulho no meu percurso na Enfermagem, embora curto, foi na Podologia que encontrei a minha missão. A Podologia não era uma especialidade muito conhecida e o mercado de trabalho não era fácil. Comecei a percorrer uma parte do país à procura de mais oportunidades e de maior sustentabilidade económica para a minha família, o que me trouxe uma visão maior das necessidades e dos problemas comuns que não conseguia resolver.

Essa angústia de não conseguir dar resposta, despoletou a vontade de analisar o problema e tentar encontrar uma solução. Assim começam as experiências, com todo o apoio dos meus pacientes, que confiaram nas minhas ideias e me iam permitindo testar. Ao fim de 4 ou 5 anos, cheguei à fórmula final e com os resultados esperados. O que, aparentemente, não tinha hipótese nenhuma, transformou-se numa realidade.

A.S.: Está a falar do BioFeet. Quer contar – me mais sobre a sua marca, o BioFeet? Onde podemos encontrar o seu produto?

C.C.: O BioFeet é resultado de não me pre resignado e não aceitar aquilo que, à partida, não tinha muitas hipóteses de tratamento. As infecções fúngicas são, realmente,  um problema que afeta muitas pessoas, uma vez que o Pé tem todas as condições que permitem o seu desenvolvimento e proliferação. Como Podologista, percebi a lacuna existente nos tratamentos disponíveis e que não demonstravam resultados positivos e eficazes. Iniciei a investigação, tentando perceber quais eram essas condições e de que forma os podíamos controlar invertendo, assim,  as formas de atuação nos produtos existentes.

É,então, uma solução 100% natural que limpa e protege, controlando as condições de pH e de humidade; Tem  propriedades regeneradoras que permitem, de certa forma, fechar as “portas de entrada” prevenindo, também,  as habituais infeções fúngicas. Garante, ao mesmo tempo, uma agradável sensação de conforto e bem-estar.

Cientes do potencial inerente ao produto é de toda a inovação de que se reveste o Biofeet, avançamos, então, para a etapa seguinte: Elevar o produto a um outro nível. Termos pertencido ao grupo dos oito projetos mais inovadores do INL, no programa FUEL,  propiciou relações privilegiadas e oportunidades de parceria  com importantes stakeholders que, de outra forma, seriam mais difíceis de conquistar. Por parte dos pacientes e profissionais de saúde a aceitação tem sido excelente e tem superado todas as nossas expetativas.

O BioFeet encontra-se à venda online no nosso site: https://biofeet.pt e fazemos envios para Portugal e para toda a Europa; temos, já, clientes fidelizados em França, Espanha, Alemanha, Suiça, Reino Unido Irlanda entre outros.

A.S.: Conheço com admiração o seu trabalho. O que a fez ir ao encontro desta área e permanecer?

C.C.: Foi na Podologia que encontrei um propósito. Praticar o bem pelo bem.

Contribuir para uma maior mobilidade e resolver problemas que causam dor ou desconforto, tem um enorme impacto na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. É sempre muito gratificante poder acompanhar esse processo de evolução e perceber o quão gratos ficamos por ter operado mudanças tão significativas no seu dia a dia.

A.S.: Deduzimos, mas o que a preocupa mais na saúde dos nossos pés? Tem sugestões baseadas na sua prática?

C.C.: Por estar quase sempre escondido, o Pé é talvez o membro mais esquecido. É lembrado quando surge a necessidade de o mostrar ou perante a exigência de diagnóstico ou tratamento, o que faz com que sinta maior necessidade em lembrá-lo e alertar para o facto de que problemas simples podem levar a problemas bem mais graves.

A dedicação às infecções fúngicas, surge, precisamente, por considerar que são o problema mais comum e mais difícil de tratar, exigindo planos de tratamento difíceis de concretizar e, na maioria dos casos, ineficazes. Tal acontece,  sobretudo, quando falamos nos grupos de risco: Diabetes, Paramiloidose, Doenças Vasculares, Insuficientes Renais, doentes Oncológicos, entre outros.

Sei que talvez possa ser uma expressão dura, mas digo com frequência aos meus pacientes: Uma infecção fúngica pode ser uma “via verde” para uma amputação.

A.S.: A sua rotina é exigente, é também mãe e está constantemente a dar do ponto de vista profissional, o que a ajuda?

 C.C.: Ser mulher ajuda muito, temos capacidades de gestão que são inatas.

Com efeito, quando se opta pela maternidade, aliar a vida profissional à vida familiar nem sempre é fácil e tem, obrigatoriamente, as suas consequências.

A priorização que damos às tarefas e a organização são uma preciosa ajuda.

As funções de mãe e profissional são semelhantes, havendo denominadores comuns: ambas requerem uma gestão de tempo eficiente que dependerá muito da nossa capacidade de destrinçar o prioritário do acessório e com paciência tudo se torna mais fácil.

Não sendo opção prescindir de uma das nossas paixões, exige de nós um esforço suplementar: reforço de foco, muita auto-disciplina e organização.

Para conseguirmos alcançar um equilíbrio emocional diante de todos esses papéis é importante que saibamos respeitar os nossos limites. Daí ser importante termos presente que, antes de sermos mães ou profissionais, somos seres humanos, com todas as vulnerabilidades inerentes a essa condição e que nenhum de nós possui o dom da perfeição em todos os papéis que desempenhamos. A certeza de que, em tudo o que fazemos, damos o melhor de nós, ajuda a lidar com as eventuais frustrações.

A.S.:  Que conselhos daria a quem trabalha e quer dar o melhor de si?

 C.C.: As empresas estão cada vez mais exigentes na procura de profissionais. Não basta cumprirem, apenas, os requisitos técnicos.

Neste momento tão decisivo, em que atravessamos um período crítico na economia do país, o fator comportamental ditará a sua permanência ou não no mercado de trabalho. Acredito, fundamentalmente, que ser-se um bom Ser humano, empático e com valores bem estruturados,  é “meio caminho andado” para nos tornarmos bons profissionais.

Mas há uma série de requisitos que recomendo que sejam alvo de reflexão.

O primeiro aspecto prende-se com a identificação ao projecto ou afinidade com a empresa; partilhar os objetivos da empresa e sentir que os sucessos da estrutura são os seus próprios sucessos, o que commumente, designamos por “vestir a camisola”.

Ambição, na medida certa, é boa e recomenda-se. Um bom profissional ambiciona sempre ir mais além na sua atividade. E quando me refiro a ambição não me refiro à questão financeira; esta será uma consequência da nossa postura. Não esperar estímulos externos para desenvolver as nossas tarefas. Autonomia, iniciativa, proactividade, agir sem esperar que as coisas aconteçam “ sozinhas”, estabelecer objectivos e comprometer-se em cumpri-los.

Flexibilidade, adaptação às mudanças e encará-las como oportunidades.

Procurar ter um papel interventivo na empresa apresentando novas ideias, criativas, numa óptica de expansão, porque o crescimento da empresa é resultado do nosso próprio crescimento.

Ter a capacidade de trabalhar em equipa, em espírito de entre – ajuda. Por último, tentar gerir o tempo da melhor forma, definindo prioridades.

A.S.: Normalmente, se não estiver a trabalhar, onde a podemos encontrar?

C.C.: O tempo disponível dedico -o inteiramente, às minhas filhas. É um facto que o trabalho que exerço é absorvente, consome boa parte da energia e não é tarefa fácil desligarmo-nos dele. Mas é imprescindível e da máxima importância que o tempo que passo com elas seja de qualidade. Tento propiciar-lhes experiências e cultivar memórias que, mais tarde, recordem com a mesma ternura carinho que relembro os momentos que passei com os meus pais na minha infância e adolescência.

A.S.: Que livro está a ler? E qual gostaria de ler ainda?

C.C.: O que estou a ler atualmente é o Foco – O Motor Oculto da Excelência de Daniel Goleman. Normalmente quem determina o livro seguinte é o anterior; Vou ter de esperar.

A.S.: Vivemos tempos de incerteza e de contenção, como é continuar a viver desta forma?

C.C.: É um facto que esta pandemia veio alterar e condicionar, profundamente, a forma como vivemos e que este fenómeno vai culminar numa espiral recessiva do ponto de vista económico que será difícil de ultrapassar; mas teremos de conviver com esta realidade.

Há cuidados de saúde que não são dispensáveis. Os cuidados podológicos enquadram-se nesta realidade. As pessoas têm que continuar a andar, o que faz com que o nosso “mercado” esteja assegurado. No entanto, por forma a minorar todos os danos colaterais a nível económico que poderá diminuir a procura é fundamental que continuemos a transmitir aos pacientes total confiança, demonstrando a nossa primordial preocupação em relação ao cumprimento das directivas impostas pelas autoridades de saúde pública no domínio da segurança.

A.S.: Alguma projeção para o futuro?

C.C.: É nas adversidades que as oportunidades surgem. Esta transformação à escala global é um apelo à nossa criatividade.

Há, também, um lado positivo que nos merece uma consideração: A população está, agora,  mais sensível, atenta e a levar mais a sério a necessidade de introduzir na sua rotina diária cuidados de higiene e saúde regulares e mais rigorosos. As projecções passam por dar continuidade a este trabalho, dar resposta às necessidades e estar atento àquelas que, com esta nova realidade,  poderão surgir.

A.S.: Em que acredita acima de tudo? 

C.C.: Acredito, acima de tudo, que sem paixão e sem perseverança nada se concretiza. É delas que nascem os maiores feitos, as melhores ideias, os projectos mais inovadores. Acredito na honestidade do trabalho, na resiliência. Acredito na amizade. Tenho Fé, acima de tudo . Independentemente de todo o mérito que me possam atribuir e por detrás de todas as minhas conquistas pessoais e profissionais, acredito que existe, sempre, uma intervenção divina, que orienta a nossa missão.

A.S.: O que diria a quem quer ter um projeto próprio?

C.C.: Começaria por dizer que parte do sucesso de um projecto nasce de uma forte paixão. É dela que retiramos a motivação e coragem para dar os primeiros passos no empreendedorismo.

Ter consciência de que ser empresário deve ser encarado com muita seriedade. Ter presente que é um caminho com “muitas adversidades mas é com elas que se aprendem as maiores lições.

Identificar as necessidades, as chamadas “janelas de oportunidade”, conhecermos bem o mercado e o público para o qual nos vamos dirigir é absolutamente essencial. Apostar na diferenciação e inovação no mercado, posicionando-se na vanguarda da oferta. O factor “timing” pode interferir no sucesso ou fracasso de um projecto, tendo presente que é importante estar ciente que os resultados não são imediatos e que, para os atingirmos, há todo um investimento pessoal, financeiro e muito tempo de maturação.

Escolher bem a equipa, considerando que as pessoas/colaboradores devem ter competências que nos complementem, privilegiando os valores humanos. ”A decência é a estética da ética” frase que resume todas as qualidades que qualquer empresa procura num profissional.

A.S.: Obrigada por este tempo. Pelas dicas que nos ofereceu Cristina. Partilho consigo muitas ideias, porém permita-me atribuir-lhe todo o mérito pelas suas conquistas, e, sem debater a sua fé, acreditar que foi o seu esforço que a colocou onde está e estará. Desejo-lhe tudo o que merece que é só tudo de bom. Sorria. Muitas vezes. Que é bom de ver.

 

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