Braga

História fenomenal de Severino Gonçalves para fotografar João Paulo II

Corria o ano de 1982 quando o Papa João Paulo II fez uma visita inédita a Portugal… E a Braga. Foram quatro dias de lés a lés pelo país, que culminaram com a passagem pelo Santuário de Nossa Senhora do Sameiro.

Era dia 15 de maio, um sábado. Quem lá esteve, conta que muitos foram os que não conseguiram ver o Santo Padre, tal era o mar de gente ali presente. Até aos dias de hoje, nunca o Sameiro teve uma romaria assim (estima-se que fossem perto de 500 mil as pessoas no recinto).

No meio desse mar, estava o vila-verdense Severino Gonçalves. Foi tão difícil ver o Papa para muitos fiéis, como foi para aquele fotógrafo registar o momento? Depende de como interpretar a astúcia deste homem, hoje com 88 anos. A história foi-nos contada pelo filho, Luís Gonçalves.

“O meu pai é um homem de fé e sentiu que aquele era um momento muito importante, não só para a carreira dele mas para poder ter fotografias feitas por ele do Santo Padre”, explicou. O problema na altura foi a acreditação. Severino tentou oficializar-se no recinto do santuário com o cartão de fotógrafo e foi recusado. A segunda tentativa, com uma declaração de um jornal, também não teve sucesso. “Já havia muitos jornalistas acreditados e ele queria lá ir fotografar”, relata o filho, também fotógrafo.

E fotografou: “nunca me lembro do meu pai desistir de alguma coisa e, desta vez, não foi exceção. Arranjou um plano e foi”. Luís, na altura com 13 anos, não se recorda do pai ter engendrado a ideia, mas lembra-se do desabafo que Severino fez ao chegar a casa, com mais uma aventura na carteira… E com as fotografias que queria tirar.

“Lembro-me dele aparecer com as fotografias e disto ser muito falado nas redondezas. Afinal de contas, foi fotografar o Papa e foi expulso do recinto”, recorda Luís. Como e porquê? Ora, aqui é que está o mais insólito e que traz mais beleza a esta prosa: Severino confessou depois em casa que arranjou uma farda de Escuteiro, dissimulou-se no meio de milhares de escuteiros e começou a fotografar. “Quase no final da visita, descobriram o disfarce e puseram-nos cá fora”, relembra Luís Gonçalves, e acrescenta: “o que é certo é que ele trouxe fotografias mais ou menos até ao final da visita de João Paulo II”.

Os números redondos da Foto Felicidade

Se fosse vivo, o Papa João Paulo II teria feito 100 anos. A Foto Felicidade foi fundada por Severino Gonçalves há 60. É altura para celebrar. “O meu pai tem muitas peripécias, histórias fenomenais. Já pensei fazer um livro sobre elas. Vamos iniciar um documentário em filme que espero estar concluído ainda este ano”, aponta aquele que agora é o rosto da empresa. O rosto feliz de quem pretende fazer um tributo ao pai nestes 60 anos, “para que as pessoas vejam, leiam e ouçam e para que lhe dêem felicidade”.

Felicidade é o nome do meio desta família. Felicidade nas histórias reportadas, nos improvisos criados para fotografar um Pontífice em Braga e noutras tantas narrativas que estão guardadas na memória de Severino e de outros tantos protagonistas. Memórias, certamente, carregadas de felicidade.

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