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Vila Verde. Comerciantes sentem-se enganados por António Vilela

Em reunião ordinária da Câmara Municipal de Vila Verde, realizada no passado dia 6 de abril, o executivo municipal tinha aprovado isenção de 100% das tarifas de Água, Saneamento e Resíduos para todos os consumidores com atividades de Comércio, Indústria e Serviços, durante os meses de abril, maio e junho.

Ora, na primeira fatura que os comerciantes do concelho de Vila Verde receberam, referente a abril, a esmagadora maioria afirma não ter refletido a prometida isenção.

O Semanário V esteve à conversa com alguns comerciantes de Vila Verde, e o desânimo é unânime: “numa altura que achávamos que o município estava de alguma forma a ajudar-nos, afinal não passou de uma campanha de marketing…”. Alguns, entretanto já conseguiram falar com os serviços municipais ao qual apresentaram reclamação; a resposta terá sido que o apoio teria sido concedido mediante o preenchimento dos requerimentos disponíveis nos serviços online do Município de Vila Verde.

“Acho que nos tentaram enganar”

O espanto é generalizado: “se é um apoio às empresas, alguma diria que não queria? Óbvio que não. Não se percebe porque teríamos de preencher um requerimento, quando todo o comércio está a passar por uma fase muito difícil e toda a ajuda seria bem recebida. Este apoio deveria ser automático, como o é no caso da isenção aos consumidores domésticos. Acho que nos tentaram enganar”, disse um comerciante da área da restauração ao V.

Jacinta Carvalho, agente de seguros com escritório na Rua dos Bombeiros, em Vila Verde, foi uma das vozes que se indignou, inicialmente nas redes sociais. Terá escrito “mês de Abril com o escritório encerrado e vem esta conta para pagar? Lixo? Agua ainda mais do que quando estou com o escritório aberto…” Acompanhada desta publicação está a fotografia da sua fatura para pagar, totalizando quase 22 euros.

Um abaixo assinado de comerciantes com negócios na Rua dos Bombeiros terá sido mesmo entregue à autarquia vila-verdese. O documento, a que o Semanário V teve acesso, aqui replicado:

“Informamos que não estamos de acordo com a fatura que recebemos relativamente ao pagamento da água. Informamos que estivemos em Estado de Emergência e agora em Estado de Calamidade e não concordamos com os preços absurdos que nos foram apresentados nas faturas de pagamento. Mais informamos que 99% dos estabelecimentos estiveram encerrados e os valores vieram elevados (muitos ainda mais do que quando temos o mesmo aberto). Assim sendo, estamos todos no alinhamento que a Câmara tome alguma medida, pois estamos completamente indignados com o mesmo. Quando as pessoas precisam de seriedade a Câmara não está do lado dos vila-verdenses.

“Óbvio que a informação da autarquia não chegou corretamente aos interessados”

José Morais, vereador pelo Partido Socialista na Câmara de Vila Verde também reagiu. “Exige-se o cancelamento imediato do pagamento das faturas de abril de água, saneamento e lixo que os agentes económicos estão a receber, já que é imperioso implementar a deliberação aprovada por unanimidade em reunião de câmara.”

O vereador diz que “considerando que na reunião de 6 de abril foi aprovado por unanimidade a isenção destas taxas, os agentes económicos concelhios ficaram surpreendidos, já que não estavam a contar ter de as pagar.” Morais realça ainda que “em abono da verdade a deliberação da câmara previa que esta isenção seria atribuída mediante requerimento dos interessados.

Ora, uma vez que a esmagadora maioria dos comerciantes e empresários não efetuaram o pedido de isenção, para Morais é “óbvio que a informação da autarquia não chegou corretamente aos interessados. Houve aqui, claramente, falta de informação aos interessados.”

“Os comerciantes e empresários concelhios passam por um momento muito difícil e o poder autárquico tem de estar sensível para o problema. Basta a câmara estar disponível para retirar um simples obstáculo burocrático que é a obrigatoriedade do requerimento”, sugere José Morais.

“Este é um caso típico em que a burocracia e a má comunicação com os interessados prejudica as decisões políticas. Cabe agora aos políticos corrigirem estes erros.” Como tal, José Morais lançou um pedido ao presidente da Câmara, António Vilela: que “seja suspenso, imediatamente, o pagamento de todas as faturas referentes ao mês de abril de água, saneamento e lixo que estejam processadas aos consumidores não domésticos que desenvolvam atividade económica nos termos da deliberação da autarquia; que seja devolvido aos empresários e comerciantes o valor que entretanto alguns deles possam ter pago; que a isenção seja automática, sem necessidade de qualquer requerimento, tal como acontece com os consumidores individuais.”

 

 

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