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Vila Verde. “Ala radical” do PS não poupa José Morais pela aproximação à Câmara

Pela surdina, vozes de socialistas levantam-se em Vila Verde, em clara desaprovação com a aproximação de José Morais à Câmara Municipal.

Grupo de socialistas descontente com posições moderadas de Morais

João (nome fictício), que não quer revelar a sua identidade com receio de represálias dentro do partido, diz mesmo que existe um grupo de socialistas em Vila Verde “descontente com as posições moderadas de José Morais na Câmara.” Para João, “o facto de estarmos em tempo de pandemia não quer dizer que a democracia tenha acabado.”

“A oposição ao executivo PSD tem sido demasiado leviana. O próprio Morais confirma isso nos vídeos que tem publicado. Ainda no seu mais recente [vídeo] diz mesmo que em 70 assuntos em reunião de Câmara os vereadores do Partido Socialista só votaram contra um deles. Os vereadores do PS não foram eleitos para andarem de mão dada a António Vilela, como disse Paulo Marques esta semana. Foram eleitos para fazer oposição e isso não se tem visto”, diz João.

O grupo, segundo revela, diz que a única oposição visível em Vila Verde tem sido feita por Paulo Marques (CDS-PP).

Diz João que “se o PS está apagado então este grupo está disponível para apoiar uma solução que faça regressar à liderança do partido militantes que se disponham a ser aguerridos na luta contra o poder instalado na Câmara há mais de 20 anos. Os órgãos do partido têm de reunir com urgência para discutir este assunto”.

Votar ao lado da Câmara contra o Governo do PS pode ter custado o lugar de deputado a José Morais

“O PS Vila Verde já foi prejudicado nas últimas legislativas porque José Morais colocou-se o lado de António Vilela contra o Governo do PS, ao votar contra os diplomas do Governo PS, relativamente à transferência de competências para as autarquias locais durante o ano de 2019. Essa posição, contra o Governo do nosso partido, custou-lhe um lugar elegível na lista de deputados, pois foi relegado para um lugar sem qualquer hipótese de ser eleito”, afirma João.

Na altura da votação, em reunião de Câmara, toda a vereação socialista votou ao lado de Vilela contra a intenção do poder central em atribuir competências à autarquia. Morais foi confrontado na altura e garantiu então que votou e votará “sempre a favor dos interesses do concelho mesmo que seja contra o seu partido”.

Na altura, Morais dizia que não estava na política para “agradar ao Governo” e que não estava “disponível para fazer ataques gratuitos ao carácter e honra dos (…) adversários políticos”. O vereador dizia ainda que iria “pôr à consideração dos órgãos do partido” o seu “posicionamento estratégico quanto à forma de fazer oposição”.

Em análise, João diz que “isso pode ter-lhe custado um lugar elegível na lista de deputados”.

Posição contra as comemorações do 25 de Abril no Parlamento

Para estes socialistas, conotados como a ala “mais radical” do partido, “a gota de água terá sido o facto de José Morais ter divulgado um vídeo em que se manifestou contra as comemorações do 25 de Abril no Parlamento.” No vídeo, o vereador dizia que não concordava “que este ano o 25 de Abril seja comemorado com cerimónias presenciais. Pode e deve ser assinalado, mas num formato alternativo. O exemplo tem de vir de cima. Não concordo com o posicionamento oficial do meu partido.”

Paulo Marques acusa José Morais de andar de mão dada com António Vilela

O líder do CDS-PP, Paulo Marques, acusou esta semana José Morais de andar de mão dada a António Vilela, dizendo que o Partido Socialista anda “adormecido e confinado” no concelho. O líder centrista diz que os socialistas em Vila Verde estão confinados “nos corredores do poder do município, juntamente com o PSD”, dizendo que nada disseram aos “vila-verdenses neste período negro”.

Paulo Marques diz mesmo que é “como se a democracia estivesse também ela confinada, nada se sabe do que pensa, do que propõe ou de que ideias tem… é muito pouco para um partido que diz que será poder neste Município. Os vila-verdenses têm de ser melhor representados.”

Augusto Faria, um dos fundadores do PS de Vila Verde deixou a militância do partido devido a atrito com José Morais

Augusto Faria, um dos fundadores do PS de Vila Verde, questionado pelo Semanário V sobre a alegada aproximação de José Morais a António Vilela, já reagiu às recentes declarações de Paulo Marques, líder da concelhia do CDS-PP, que diz que Morais anda de mão dada com Vilela.

Para Augusto Faria, um rosto incontornável da sociedade vila-verdense pela política e pelo associativismo, conhecido por Tuta, a reação é direta: “Morais não é o Partido Socialista, nem tão pouco é agora o responsável máximo”. Para o socialista, o novo presidente da Comissão Política do PS de Vila Verde, Samuel Estrada, é “um excelente quadro do Partido, com garantias de realizar um trabalho de base e de acordo o desejado pela grande maioria dos militantes de Vila Verde”, e por esse motivo dá o “benefício da dúvida ao Samuel” e deposita “algumas esperanças nele”.

Tuta Faria já não é militante do Partido Socialista. “Por vontade própria, afastei-me da militância concelhia, porque o PS em Vila Verde, funciona como um grupo de amigos, esquecem-se com facilidade dos seus militantes”, desabafa. Relativamente a José Morais diz ter sido “uma grande deceção. Seguiu o mesmo caminho de outros presidentes que não escolhiam os melhores quadros, mas sim um grupo de amigos que lhe eram fiéis, mas mesmo assim, depressa esse cordão se desfez, por causa da falta de carácter dos lideres.”

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