Roberto Correia

Opinião. O ano da biodiversidade

O corrente ano de 2020 tem sido, diga-se, atípico. Têm sido diversos os acontecimentos que ficam na retina da população mundial e igualmente diversos os que conduzem à importância da biodiversidade e da sua preservação.

Na Austrália, já advindo do final do ano de 2019, incêndios de enormes dimensões deflagraram um pouco por todo o país destruindo uma área superior a todo o território continental português. A junção de alterações climáticas, envolvidas em vagas de calor e seca, polvilhadas com acção humana, levou a que se confeccionasse um bolo de destruição num dos maiores países do mundo que marcará a história do mesmo.

O sétimo país com maior área florestal do nosso planeta e com uma variedade riquíssima a nível de fauna e flora ficou com marcas severas que custarão muito tempo e trabalho a repor. Para além de haver a lamentar o falecimento de cerca de 200 pessoas, milhões de animais perderam também a vida. Várias espécies que vinham a ser protegidas para atingirem a estabilidade voltaram a ficar em eminente risco de extinção aliada a toda a desflorestação que aniquilou inúmeros habitats colocando em perigo o crucial equilíbrio de um ecossistema.

Desflorestação essa que nos conduz também ao grande tema do ano, o coronavírus.

O vírus criador da doença que deixou o mundo em quarentena foi transmitida de animais para humanos. Previamente à pandemia já vários estudos científicos apontavam a desflorestação e perda de habitats como causas impulsionadoras do surgimento deste tipo de doenças zoonóticas (doenças transmitidas de animais para humanos).

A referida desflorestação leva a que os animais se desloquem dos seus habitats naturais, aproximando-os das populações humanas aumentando assim o risco de interacções e consequente contágio. Para além do surto de Covid-19, vários outros têm estado associados à perda de biodiversidade e desflorestação, entre eles o vírus Zika e o próprio Ébola que ainda reside bem patente nas nossas memórias.

Felizmente existe um lado positivo dentro desta negra azáfama que se instalou sobre o nosso planeta. Segundo notifica o Fórum Económico Mundial, dado o abrandamento em massa que o quotidiano global sofreu, foram registadas abruptas diminuições nas emissões de dióxido de carbono. Números esses que remetem ao ano de 2006, até onde teríamos de recuar para vislumbrar valores tão reduzidos, e que vêm comprovar que pequenos gestos feitos por muitos fazem realmente a diferença.

Somente com a análise destes dois grandes casos é possível discernir o quão fulcral é o papel da biodiversidade para o bom funcionamento do nosso planeta e, consequentemente, das nossas vidas. Todos os seres vivos têm um papel a desempenhar e o ser humano não é excepção, como espécie racional deverá ser, inclusive, exemplo. Portanto é imperativo expandir as celebrações do dia 22 de Maio (dia internacional da biodiversidade) para os restantes dias do calendário, valorizando e protegendo a nossa biodiversidade com pequenos gestos no quotidiano de cada um de nós.

 

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