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Ecovia em Vila Verde: “1,5 milhões por 3,75 km é ecovia ao preço do ouro”

O Município de Vila Verde lançou concurso público as empreitadas de execução de dois troços da Ecovia do Cávado e Homem.

O anúncio foi feito este mês numa obra com investimento global superior a 1,5 milhões de euros nas ligações Faial – Mirante, Mirante – Porto Carrero e em ponte pedonal.

Segundo o Município, liderado pelo social-democrata António Vielela, estes troços, que estabelecem a ligação entre as praias fluviais do Faial, na Vila de Prado, e Mirante , em Soutelo (2.45 km), e entre o Mirante e Porto Carrero (1.3 km), representam uma primeira fase de concretização, no território do concelho de Vila Verde, de “uma infraestrutura âncora para a coesão territorial dos seis concelhos envolvidos neste projeto intermunicipal da CIM Cávado e para a promoção e desenvolvimento das elevadas potencialidades turísticas das zonas ribeirinhas dos rios Cávado e Homem”.

Avança ainda a autarquia vila-verdense que complementarmente a estas obras “estruturantes para o desenvolvimento do concelho de Vila Verde e da região”, encontra-se já em fase de execução a ponte pedonal sobre o rio Homem, que liga os concelhos de Vila Verde e Amares, sendo que o conjunto das três intervenções, ultrapassam 1,5 milhões de euros comparticipados por fundos comunitários.

CDS-PP e Vila Verde diz que ecovia peca por tardia

Paulo Marques, líder do CDS-PP de Vila Verde, diz que “a entrada do município de Vila Verde no circuito das ecovias é de total interesse do concelho” mas que “infelizmente” tem “anos de atraso, talvez décadas”.

Resume o centrista que “em Portugal estão concluídos, no dia de hoje, mais 600km de ciclovias, 300km de ecopistas, 383km de ecovias, 320km de BTT, são 1,6 milhões de quilómetros no total. Monção tem desde 2004 17km, Arcos do Valdevez 33km, Ponte da Barca 16km, Ponte de Lima 45km de ecovia. Vila Verde 0.”

“Falta de visão e desleixo” do PSD concelhio

Questiona Paulo Marques se, tendo o PSD “poder (absoluto) em Vila Verde há 23 anos, porquê apenas em 2020 se pretende fazer os primeiros metros, pouco, de ecovia no nosso concelho, quando, os concelhos vizinhos (nossos concorrentes economicamente) levam anos de vantagem?”. Para Marques houve “falta de visão” e “um desleixo danoso do bem público, que hipotecou a nossa capacidade competitiva enquanto território”

“Ou há uma tremenda incompetência ou é de um desinteresse e desleixo danoso do bem público”

“Terá sido por falta de dinheiros e apoios?” – pergunta Paulo Marques, afirmando que “em 23 anos foram muitos os fundos comunitários e empréstimos feitos, e gastos, pelo município. A dívida passou, por exemplo, de 3 milhões em 1997 para 40 milhões em 2009, uma subida de 1300%. Tem vindo a diminuir (dizem-me que está entre os 15 ou 20 milhões) à custa do atraso e falta de crescimento (é só ver os concelhos vizinhos), mas o dinheiro, esse, andou e anda por cá. Não é por acaso que cada vila-verdenses deve 400 euros, dívida per capita. Não, não foi por falta de dinheiro. Ou há uma tremenda incompetência ou é de um desinteresse e desleixo danoso do bem público!”

“1,5 milhões de euros por 3.75km de ecovia, é ecovia ao preço do ouro”

Em nota de desabafo, o líder do CDS-PP de Vila Verde realça o facto de “estarmos a pagar 1,5 milhões por 3,75km de ecovia. 1,5 milhões por 3,75km é ecovia ao preço do ouro, digo eu.”

Promoção do turismo e da economia da região

Para o Município “os trabalhos a executar na construção destes troços da Ecovia do Cávado visam a promoção do turismo e da economia da região, bem como da qualidade de vida das populações, em especial das freguesias pelos mesmos percorridas. Estas vias vão permitir aos utilizadores uma mobilidade segura e sustentável, aproximando a população às zonas ribeirinhas, modernizando o concelho e tornando-o ainda mais atrativo.”

Um projeto intermunicipal

O Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, António Vilela, considera que “o avanço destes dois troços da Ecovia do Cávado e Homem é o primeiro passo, no território concelhio, da concretização de um projeto intermunicipal de grande relevo para a valorização das enormes potencialidades dos rios Cávado e Homem e para a colocação das zonas ribeirinhas efetivamente ao serviço do bem-estar e da qualidade de vida das populações.”

O mesmo edil refere que “apesar das dificuldades que sempre surgem em projetos desta natureza e magnitude, nomeadamente no tocante à negociação de terrenos com os respetivos proprietários, a Ecovia é um projeto para concretizar, na sua plenitude, a médio prazo, na medida em que representa uma mais-valia para o desenvolvimento do turismo e da economia da região.”

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