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Motoristas de transporte de passageiros protestam em Vila Verde

Motoristas de transporte de passageiros protestam em Vila Verde

Agostinho Silva, coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, afirma que o ‘lay-off’ dura desde 1 de abril e, atualmente, será total para 70% dos trabalhadores e parcial para os restantes.

Motoristas de transporte de passageiros protestam em Vila Verde

Quatro dezenas de motoristas de transporte de passageiros manifestaram-se esta segunda-feira em Vila Verde, distrito de Braga, para reclamar o fim do ‘lay-off’ no setor, alertando para a “situação desesperada” em que muitas famílias já se encontram. Ao protesto, juntou-se também cerca de uma dezena de utentes, que se queixam da falta de transportes, nomeadamente para irem trabalhar.

“Cada trabalhador estará a receber cerca de metade do salário, já havendo alguns em situação desesperada”, disse o coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP). Segundo Agostinho Silva, o ‘lay-off’ dura desde 1 de abril e, atualmente, será total para 70% dos trabalhadores e parcial para os restantes.

O sindicalista sublinhou que a falta de transporte está também a pôr em causa o direito constitucional à mobilidade. “Não se pode ver a questão sob o ponto de vista da procura e dos números. Basta haver uma pessoa sem transporte para se estar a violar a Constituição”, referiu.

Francisco Ramos é motorista, está a receber cerca de metade do salário e tem a mulher desempregada, tudo por causa da crise pandémica. “Está mais do que na hora de nos mandarem trabalhar”, apela, sublinhando que se torna “quase insustentável sobreviver” com a atual situação. Vincou que é preciso retomar as carreiras habituais, porque “os motoristas querem trabalhar e as pessoas querem transportes”.

Há 26 anos que Maria de Jesus Monteiro “apanhava a camioneta” para ir trabalhar em Valbom S. Pedro, em Vila Verde, a cerca de 11 quilómetros de casa. “Desde 16 de março, tem sido um martírio, porque praticamente não há carreiras. Os horários agora em vigor apenas me davam para trabalhar um quarto de hora. Tenho faltado ao trabalho, também já meti férias e não vejo solução à vista”, desabafa.

Promovido pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), o protesto poderá repetir-se noutros municípios da região do Minho e de outros pontos do país, se a situação não se alterar substancialmente.

“O Estado português está a pagar a empresas privadas para que estas estejam paradas, numa altura em que há necessidade de maior oferta para proteger os cidadãos. Enquanto milhares de trabalhadores, com a redução dos seus salários e com os dinheiros da Segurança Social estão a suportar a generalidade dos encargos destas empresas”, refere um comunicado da FECTRANS.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, que sexta-feira foi prolongado até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório apenas para pessoas doentes e em vigilância ativa e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

Motoristas de transporte de passageiros protestam em Vila Verde

População sem alternativas para deslocações

O Semanário V esteve na Praça do Município a falar com a população que ali se juntou à manifestação. O desânimo é comum: “abre-se o comércio, os locais de trabalho e tudo mais… e como é que nós nos deslocamos para ir trabalhar? Não há transportes! Nem para ir às consultas do hospital”.

Uma das mulheres que lá se encontrava revelava ao V que “há pessoas na minha freguesia que não têm o que comer. Não há mercados onde fazer as compras. Eu ainda faço o favor a alguns e venho no meu carro a Vila Verde para fazer algumas compras e levo-lhes, senão não sei o que seria daquela gente…”

Outra manifestante relatava a história de uma vizinha, que tem o marido no Hospital, nos cuidados intensivos, mas que não tem forma de diariamente ir visitá-lo, pois “transportes, nem vê-los.”

Segundo informações recolhidas no local por volta das 16h00, António Vilela estaria reunido com um representante da manifestação, mas para desalento dos presentes o edil vila-verdense não veio à rua falar com as pessoas: “na altura das eleições anda pelas freguesias todas, hoje que era preciso ouvir a voz do povo, enfia-se lá dentro”, desabafa uma moradora de Oriz Santa Marinha.

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