Amares

Amares. Padre António “admirado” com quarentena testando negativo à Covid-19

(c) Arquidiocese de Braga

O Padre António Magalhães Sousa do concelho de amares, através das redes sociais, o padre explica o motivo da quarentena forçada e fala de uma expectativa para que pudesse celebrar as eucaristias à porta fechada, que saiu gorada.

Conta que, jantou com um amigo que acusou positivo para covid-19 e deslocou-se a uma unidade de saúde para fazer o teste, com o resultado a dar negativo. Apesar de não estar infetado com o novo coronavírus, o sacerdote foi contactado pela delegação de saúde local para que cumprisse um período de isolamento profilático entre os dias 29 de junho e 12 de julho, face ao “perigo de contágio”.

Escreve o mesmo que “Ao terminar – espero eu – a quarentena, partilho a minha reflexão sobre o modo como somos tratados pelas Autoridades de Saúde: ou nos julgam verdadeiros animais e, por isso, é melhor enjaular-nos a todos, ou seguem cegamente ordens dos governantes, bem mais preocupados com os louros a colher da pandemia que em cuidar da vida e saúde dos cidadãos. Porque vida e saúde – como deviam saber – dizem respeito ao homem todo: físico, mental e espiritual.

As orientações da DGS

A Diretora Geral da Saúde escreveu, num documento com orientações oficiais, que há diferença entre quarentena e isolamento: «A diferença entre a quarentena e o isolamento parte do estado de doença do individuo que se quer em afastamento social. Quarentena é utilizada em indivíduos que se pressupõe serem saudáveis, mas possam ter estado em contacto com um doente confirmadamente infecioso. O isolamento é a medida utilizada em indivíduos doentes, para que através do afastamento social não contagiem outros cidadãos.»
Se há diferença entre quarentena e isolamento, então a decisão, quanto ao confinamento, também pode ser diferente. Maria da Graça Freitas di-lo:
«A quarentena ou isolamento podem ser indicadas nas seguintes situações: Se tiver tido contacto com um doente diagnosticado COVID 19, e esta medida for determinada pela Autoridade de Saúde (avaliação caso a caso); Se tiver sido diagnosticada com COVID 19 e se o médico assistente o avaliar determinando que a sua situação clínica não necessita de internamento.
«Estas medidas são indicadas após uma avaliação de risco específica, para o proteger, proteger a sua família e manter a comunidade segura.» E acrescenta: “Se lhe for recomendada a quarentena, é importante que siga esta indicação até ao fim do período indicado, mesmo que não tenha qualquer sintoma.” “Se lhe for recomendada”…
Se as medidas relativas ao confinamento por quarentena referem serem determinadas pela Autoridade de Saúde, numa avaliação caso a caso, por que razão é que, sem conhecer, inquirir ou “avaliar o histórico” do suspeito é imediatamente obrigado ao isolamento, a 14 dias de confinamento? O texto (razão, argumentação) é claro: «Estas medidas são indicadas após uma avaliação de risco específica, para o proteger, proteger a sua família e manter a comunidade segura.»

“É fácil, para quem detém o poder, mandar enjaular”, desabafa o Padre António

“É fácil, para quem detém o poder, mandar enjaular. Não me parece digno tratar as pessoas como animais perigosos que, à solta, podem morder. «Quero, posso e mando”. Quem não cumprir tem as forças de segurança à porta. Assim, lava as mãos de qualquer responsabilidade, mostra ser funcionário escrupuloso e as suas altas patentes podem surgir nas televisões de tacha arreganhada a dizer que estão a controlar a pandemia. À custa do sofrimento, humilhação e opressão dos cidadãos.
Desde o início da pandemia, tudo fiz para ajudar a combatê-la. No desconfinamento, continuei a dar orientações para continuarmos a respeitar e a cuidar uns dos outros. E continuarei a fazê-lo. Até ao momento, e felizmente, as pessoas têm sido extraordinárias a respeitar e a colaborar.
Por isso, revolta, (causa nojo, náusea) que a reboque de uma orientação, interpretada cegamente, as autoridades nos tratem como animais. Não é querer um tratamento de exceção, apenas pedir (exigir) bom senso e inteligência a quem é detentor do poder. Não o peço para mim, que já fiz a minha parte, e até consegui ocupar razoavelmente o tempo, mas porque imagino o sofrimento de inúmeras pessoas, claramente abusadas na sua dignidade (maturidade e inteligência) por decisões desumanas, fáceis, populares, ao jeito de Pilatos.
Afinal, qual seria o risco de fazer uma caminhada, dar uma volta de bicicleta, visitar a minha mãe (mantendo-me à distância como o faço desde Março) ou até mesmo descer à Igreja para celebrar sozinho? Dizem por aí que muitas pessoas estão a ficar afetadas psicologicamente com a pandemia. Não tenho dúvidas disso. E a culpa principal/maior, também já o venho a dizer há muito, não é do COVID-19”, conclui o Padre António.

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