Viana do Castelo

Em Castelo de Neiva ainda se apanha sargaço com ajuda de tração animal

(c) Semanário V

Devido às formações rochosas na praia de Castelo de Neiva esta apresenta condições que permitem o desenvolvimento das algas marinhas, as quais se desprendem sempre que o mar está revolto ou em período de marés vivas, predominantemente nos equinócios.

Também constitui factor importante a pouca profundidade da costa, que permite ao sargaceiro a recolha directa sobre os rochedos. Contudo, a “mareada” é mais abundante após um período de maresia, porque o mar arroja à costa as algas que se desprenderam. É, assim, mais fácil ao sargaceiro a sua recolha e o seu transporte para o local onde fica a secar durante dois a três dias. Mas a apanha do sargaço é, habitualmente, faina difícil e perigosa, dado que é necessário enfrentar as ondas do mar, por vezes muito encapeladas. Por isso cabe aos homens aquela tarefa, e às mulheres o transporte para as “camas” de secagem.

Depois de seco o sargaço é “empadelado”, isto é, enrolado e posto em pequenos montes – “padelos” – e transportado, então, para as cabanas, onde fica empilhado, formando “serras”, até sua utilização nas culturas agrícolas.

Dado o reconhecido valor como fertilizante natural, e a convicção cada vez maior dos perigos para a saúde pública inerentes ao uso excessivo de adubos químicos, a procura do sargaço tem aumentado consideravelmente nos últimos tempos. Mas o agricultor de Apúlia apenas comercializa parte do sargaço retirado ao mar durante cada época, e só se ele for excedente e não fizer falta para as suas terras.

Em Castelo de Neiva ainda se apanha o sargaço com o apoio de animais que ajudam no transporte das algas para o local onde se espalha e fica a secar.
Segundo o sargaçeiro os meses de maior abundância de sargaço são Maio e Setembro, por força das marés vivas dos equinócios.

Fotos: Semanário V

Partilhe esta notícia!

Comentários

topo