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Muitos participantes da Convenção do Chega tiraram a máscara e a GNR teve que atuar

(C) ChegaTV

As máscaras de proteção contra a covid-19 usadas por muitos participantes na manhã do primeiro dia da Convenção Nacional do Chega foram “caindo” com o passar das horas e de tarde, na sala, poucos as tinham postas.

À entrada da sala para a II Convenção Nacional do partido, em Évora, um segurança controlou, desde o arranque dos trabalhos, o uso da máscara por quem entrava, sem registo de muitos “prevaricadores” durante a manhã.

Mas, os que não traziam máscara, também tinham “remédio” imediato. Aos seus pés, o segurança teve sempre uma caixa com máscaras, que distribuiu aos “esquecidos”.

Também no corredor de acesso, durante a manhã, foi possível observar que muita gente passou por uma estrutura com um doseador de gel desinfetante e um termómetro de infravermelhos.

Só que, depois de almoço, a “história” já foi outra, constatou a Lusa no local. Na sala com os cerca de 600 participantes, raros eram os que, fila a fila, ainda tinham a máscara colocada no rosto.

“Estou extremamente cansado de estar com ela e, pessoalmente, sou avesso à máscara. É um antro de doenças e não de proteção de doenças”, justificou à Lusa o militante do Chega Adão Pizarro, que viajou até Évora desde Guimarães (Braga), com outros três membros da concelhia local.

Questionado sobre se, ao estar sem máscara, não o preocupava a covid-19, o mesmo militante ironizou: “Vamos todos ter de passar pelo vírus. Quando vier, que venha por bem que a gente vai mandar a covid ‘às favas’”.

O seu companheiro de concelhia Rodrigo Freitas, sentado ali ao pé e igualmente sem máscara, comparou o facto de estar na convenção partidária com uma ida ao café

“Entrámos aqui com máscara e agora sentámo-nos e tirámo-la. É como no café”, afirmou.

Chegados só de tarde, Rui Pedro Rodrigues e Maria José Costa, um casal de Lisboa, foram outros dos que dispensaram as máscaras no interior da sala.

“Estamos sem máscara, mas com o distanciamento social necessário. É uma separação consciente e fizemos a desinfeção à entrada”, afiançou Maria José, acrescentando ter “desinfetante na carteira pronto a usar”.

O coordenador do núcleo do Chega em Gondomar (Porto), Durval Padrão, invocou igualmente o facto de estar sentado no seu “cantinho”, distanciado das pessoas, para ignorar a máscara.

“Isto da máscara é violento, é o que acho, ou então é por eu já estar perto dos 50”, disse o antigo dirigente do Partido Democrático Republicano (PDR), do qual se desvinculou por não ter gostado “do que lá se passava”, optando agora pelo Chega, que considera ser “um partido diferente”.

Aliás, a pandemia de covid-19 “foi um ótimo pretexto para quem vive à custa do dinheiro dos contribuintes não fazer nada”, alegou, criticando: “As câmaras e os tribunais aproveitam para fazer o menos possível. Tudo o que é público está parado paradinho”.

GNR identificou participantes

A GNR identificou hoje “algumas” pessoas que participam na II Convenção Nacional do Chega, em Évora, por estarem sem máscara na sala onde decorrem os trabalhos, disse à agência Lusa a força de segurança.

Contactada pela Lusa, fonte do Comando Territorial de Évora da GNR revelou que estão presentes no evento “militares, em colaboração com a organização, para que sejam cumpridas as normas” de prevenção e controlo da covid-19 “decorrentes da Direção-Geral da Saúde”.

“Os militares da GNR estão no terreno”, no espaço onde decorre II Convenção Nacional do partido liderado por André Ventura, limitou-se a acrescentar a mesma fonte, remetendo para mais tarde a divulgação de resultados da ação.

No exterior da tenda onde decorre a iniciativa partidária, perto da entrada, a Lusa observou três militares da GNR à paisana, com as respetivas máscaras na cara contra a doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Outra fonte da GNR contactada pela Lusa confirmou que “foram feitas algumas identificações” de participantes na Convenção Nacional do Chega, as quais “podem resultar em contraordenações”

Um dos seguranças contratados pela organização disse à Lusa, por sua vez, ter visto militares da Guarda à paisana no interior do espaço, que “levaram algumas pessoas que estavam sem máscara lá para fora e multaram-nas”.

Logo de manhã, antes desta ação de fiscalização policial ter tido lugar, já com os participantes sentados nas cadeiras, a organização alertou logo as pessoas para que colocassem as máscaras e tivessem atenção ao distanciamento social.

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