Esposende

Esposende. Cidadão leva 8243 beatas de cigarros a Assembleia Municipal recolhidas em Apúlia

(c) Carlos Dobreira

O ativista Carlos Dobreira foi à Assembleia Municipal de Esposende acompanhado de 8 243 beatas de cigarro recolhidas na Apúlia desde 4 de setembro de 2019, em concreto na Praia da Apúlia, Avenida Marginal Cedovém e frente ao ISN.

Para além desta insólita presença de um número tão elevado número de beatas de cigarro numa Assembleia Municipal, a intervenção integrou apelos importantes em defesa da redução da acumulação de resíduos no espaço público, mas também da preservação do sistema dunar, da separação de resíduos e da sensibilização ambiental.

Intervenção de Carlos Manuel Dobreira na sessão da Assembleia Municipal de Esposende

(Comunicação na íntegra)

Chamo-me Carlos Manuel Dobreira, sou ativista ambiental, praticante de plogging, docente e historiador. Desde 03.06.2019, no centro e norte de Portugal, em 9 ações de plogging, recolhi 44 858 beatas de cigarro, 4 400 litros de resíduos recicláveis, perigosos e lixo indiferenciado, em 165 horas e 47 minutos. As ações decorrem nos concelhos de Amares, Braga, Esposende, Ílhavo, Seia e Terras de Bouro, sendo dadas a conhecer ao Senhor Presidente da República, muito responsivo, à ativista Greta Thunberg, através de correspondência escrita e via contactos por e-mail, assim como à comunicação social.

Neste concelho, a ação chama-se Deixe a Apúlia Limpa! Iniciada a 04.09.2019 e já teve 21 sessões, resultando a recolha, na Praia da Apúlia-Norte, Avenida Marginal Cedovém e frente ao ISN, de 8 243 beatas de cigarro e 1 420 litros de resíduos e lixo em 41 horas e 48 minutos.

As 8 243 beatas de cigarro, aqui expostas, serão doadas ao Laboratório da Paisagem (Guimarães) para serem reconvertidas e incorporadas em estrutura construtiva (tijolo).

Dos resíduos e lixo recolhidos em locais considerados paradisíacos, de meditação e de contemplação, destaque para um agrafador, mas também máscaras enroladas nas algas, borracha sintética, um alternador, doseadores de gel, boías de embarcações, calçado, palhinhas, serras para corte de metal, palitos, embalagens de gelados, fitas de tecido e de plástico, latas de bebidas energéticas, garrafas de vidro e de plástico, lenços de papel, tampas e caricas, maquinaria naval, cordas, rolhas, embalagens de ovos, embalagens de gelados, bandoletes, sacos com dejetos de animais, capas de telemóvel, garrafas de champanhe e de vinho, embalagens de lixívia e de óleo e até partes de baldes de tinta.

Face ao exposto, proponho ao Executivo Municipal, à Assembleia Municipal, em articulação com as instituições do concelho e juntas de freguesia, a promoção de ações de plogging concelhias, a redução da acumulação de resíduos no espaço público através da colocação de ecopontas e papachicletes (estruturas de mobiliário urbano destinadas à recolha para reconversão destes resíduos), a colocação de outdoors de sensibilização para o respeito pela Natureza (neste caso, o Parque Natural Litoral Norte), a colocação de mais ecopontos nos acessos às praias do concelho e a preservação do sistema dunar através da limitação de acessibilidades e sinalização e manutenção de passadiços.

Aproveitava para referir que as praias de Esposende estão ligadas à meditação, possuem história em particular aos caminhos de Santiago de Compostela. Curiosamente, encontro peregrinos e pessoas comuns durante estas sessões de plogging, alguns em situações difíceis de vida, resultando daqui uma força positiva transmitida

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