Vila Verde

Mulher de eurodeputado mais influente envolta em Polémicas – jornal Sol revela “novela” vila-verdense

“Mulher de eurodeputado mais influente envolta em Polémicas” – este é o título que dá destaque à primeira página do jornal Sol desta semana.

Júlia Fernandes, vereadora com o pelouro da Educação, Cultura e Ação Social na Câmara de Vila Verde é a mais visada na notícia de duas páginas deste semanário. Construção do novo Continente no Bom Retiro, favorecimento de familiares, a Aliança Artesanal, corrupção e os perfis falsos nas redes sociais: a construção da novela vila-verdense com sinopse de umas Autárquicas 2021 que se adivinham, no mínimo, peculiares.

Construção do novo hipermercado no Bom Retiro

Os socialistas vila-verdenses acusaram o executivo social-democrata liderado por António Vilela de ter “adulterado” a ata da reunião de Câmara em que terá sido apreciado o projeto. Adianta o Sol que José Morais (PS) confirmou que a reunião decorreu durante “mais de duas horas” e que “os vereadores do PS mantiveram sempre a intenção de votar contra”, no entanto na ata da reunião de 7 de setembro o sentido de voto dos socialistas está registada como “abstenção” sem a mesma estar assinada pelos próprios. O edil terá dito na altura ao jornal O Minho que os socialistas “ficcionaram os factos.”

Recorde-se que, como noticiou em exclusivo o Semanário V, um grupo de moradores apontavam ilegalidades à construção do hipermercado, realçando o barulho e sujidade nas vias, decorrentes das obras.

José Morais, um dos maiores críticos do projeto, através das redes sociais e do seu canal de Youtube, deu conta dos motivos que levaram os socialistas a votarem contra a obra:  “localização, comércio local e os espaços verdes.”

Júlia Fernandes “acusada de favorecer familiares”

Escreve o Sol que “nem só o novo hipermercado tem vindo a alimentar as polémicas em Vila verde. No ‘olho de furacão’ surge quase sempre o nome de Júlia Fernandes”. Os socialistas têm acusado a vereadora de utilizar a sua posição na autarquia em benefício pessoal e dos seus familiares. “Uma rede de influências que terá alegadamente favorecido várias associações e empresas com ligações a Júlia Fernandes e ao seu marido, José Manuel Fernandes (eurodeputado e considerado um dos sete deputados do Parlamento mais influentes pelo ranking da Votewatch referente a este ano).

A informação denunciada num artigo de opinião no Semanário V sobre o “negócio” com o jornal Terras do Homem, foi também mencionada nesta reportagem do Sol. O Terras do Homem, propriedade da empresa Terraimagem, “apesar de manter uma presença online escassa e uma circulação física quase inexistente” recebeu vinte mil euros da Câmara Municipal de Vila Verde no ano de 2019. A Terraimagem é propriedade, em parte, de Filipe Alves Fernandes (primo de José Manuel Fernandes); Emílio Rodrigues, irmão de Júlia Fernandes, é o principal redator do Terras do Homem. Júlia Fernandes, em declarações ao Sol, negou que a autarquia apoie qualquer órgão de comunicação social da região.

Aliança Artesanal

O assunto da Aliança Artesanal, noticiado em exclusivo pelo Semanário V, foi levantado a 18 de junho em reunião de executivo da Câmara Municipal de Vila Verde. Júlia Fernandes pretendia ver aprovada proposta de atribuição de um subsídio extraordinário de 20 mil euros à Aliança Artesanal, instituição que preside. O assunto foi retirado da reunião por António Vilela.

Nesta reunião, a vereadora não conseguira explicar concretamente para que serviria a verba solicitada, pelo que António Vilela terá excluído o assunto. Inicialmente Vilela terá dito que se não fosse possível inserir esse ponto na Ordem de Trabalhos da reunião, uma vez que tinha sido pedida a sua inclusão “à última hora”, passaria o mesmo para a próxima reunião. Tal não aconteceu. Na Ordem de Trabalhos da reunião de Câmara de 6 de julho, que o Semanário V teve acesso, não consta nenhum ponto relacionado com o tema Aliança Artesanal – o tema não foi discutido.

Os relatórios de contas da Aliança Artesanal não são do conhecimento público e essa questão foi levantada pela bancada do PS na Assembleia Municipal realizada no Vade a 27 de junho. António Vilela e Júlia Fernandes confirmaram que “os relatórios de contas dos anos transatos serão disponibilizados no site da cooperativa para consulta”.

A falta de transparência na gestão da Aliança Artesanal foi uma das questões apontadas pela bancada do PS que reiterou que “nunca fomos contra a atribuição do subsídio à Aliança Artesanal, apenas queremos fazer o escrutínio público e da gestão camarária. Apoiamos a cultura e as tradições mas com transparência e foi isso que faltou no pedido do apoio de 20 mil euros.”

Novembro 2019 – António Vilela demite-se da presidência concelhia do PSD

António Vilela renunciou ao cargo de presidente da Comissão Política do PSD de Vila Verde em novembro do ano passado, deixando assim lugar para um dos seus vices, José Manuel Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Moure. Manteve-se como presidente da Câmara Municipal.

Ao “jornal” O Vilaverdense, António Vilela, que estava a dois meses de ver o processo judicial, na qual é arguido a arrancar, alegou “razões pessoais” para a demissão. Neste processo judicial, Vilela é acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio, no negócio de alienação dos direitos da Escola Profissional Amar Terra Verde do público para o privado.

Perfis falsos nas redes sociais na agenda política em Vila Verde

Escreve o Sol que outra acusação é a de que Júlia Fernandes e José Manuel Fernandes estarão envolvidos na criação de perfis falsos nas redes sociais, numa tentativa de influenciarem a opinião pública. Paulo Marques, líder do CDS-PP de Vila Verde levou mesmo o caso ao Ministério Público.

Recorde-se que depois do Semanário V avançar em exclusivo com com a notícia dos perfis falsos nas redes sociais, denunciado por Paulo Marques, as contas acabaram todas elas eliminadas.

O Sol escreve ainda que Paulo Marques dizia que essas contas falsas serviam apenas para comentar e partilhar favoravelmente publicações no Facebook do executivo, de Júlia Fernandes e do seu marido José Manuel Fernandes, assim como conteúdos publicados no jornal Terras do Homem.

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