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Vaticano distribuiu cinco mil cabazes e ofereceu testes de Covid-19 em Roma

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O Vaticano distribuiu cinco mil cabazes de alimentos para ajudar famílias em 60 paróquias de Roma e ofereceu testes de covid-19 nas instituições que apoiam a população carenciada da capital italiana. A oferta foi realizada por ocasião do IV Dia Mundial dos Pobres, celebrado ontem, Domingo.

Para além de alimentos, foram também enviadas máscaras e uma pagela com uma oração do Papa Francisco. As 350 mil máscaras foram enviadas a cerca de 15 mil estudantes de escolas dos subúrbios de Roma com o apoio de uma companhia de seguros italiana, num gesto de apoio às famílias e de sensibilização para “os riscos da pandemia”.

A pandemia forçou a não realização do habitual almoço do Papa com 1.500 sem-abrigo no auditório Paulo VI, optando a Santa Sé por esta alternativa para assinalar a data de forma solidária.

Pobres e sem-abrigo no “centro do Evangelho”
Na missa do IV Dia Mundial dos Pobres, o Papa afirmou que os pobres e sem-abrigo estão no “centro” da mensagem cristã.

“Os pobres estão no centro do Evangelho, o Evangelho não se entende sem os pobres, estão na própria personalidade de Jesus, que sendo rico se aniquilou a si próprio, fez-se pobre”, declarou Francisco na homilia da celebração.

Na celebração, que contou com um grupo de cem pessoas pobres e sem-abrigo, o sumo-pontífice convidou a olhar em volta e a identificar as necessidades alheias, sem se deixar “contagiar pela indiferença”.

“Nestes tempos de incerteza e fragilidade que correm, não desperdicemos a vida pensando só em nós mesmos. Não nos iludamos dizendo «paz e segurança»”, apontou, desafiando os católicos a servir e a arriscar, na sua vida.

“Serviço é também a nossa actividade, aquilo que faz frutificar os talentos e dá sentido à vida: de facto, quem não vive para servir, não serve para viver. Temos de repeti-lo muitas vezes: quem não vive para servir, não serve para viver. Mas qual é o estilo do serviço? Servos bons, no Evangelho, são aqueles que arriscam”, acrescentou Francisco.

O Papa disse que a maior pobreza é a “pobreza de amor”, desejando que na próxima celebração do Natal as pessoas se concentrem mais em “dar aos outros, para ser como Jesus”, do que em “comprar”.

“Em vez de exigir o que te falta, estende a mão a quem passa necessidade: assim multiplicarás os talentos que recebeste”, recomendou Francisco, que criticou quem vive “só a acumular, pensando mais em estar bem do que em fazer bem”.

A homilia foi um alerta para uma “mumificação da alma” que acontece na vida de muitos cristãos, realçando que não há “fidelidade sem risco” e “não basta observar as regras”.

O Papa disse ser “triste quando um cristão se coloca à defesa, prendendo-se apenas à observância das regras e ao respeito dos mandamentos”.

“Se não queremos viver pobremente, peçamos a graça de ver Jesus nos pobres, servi-lo nos pobres”, realçou, apresentando o “sucesso, o poder e o dinheiro” como uma ficção, que desaparece no fim da vida.

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