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Solverde investiu mais de 8 milhões de euros em jogo online

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O atípico ano de 2020 levou a múltiplos encerramentos e suspensões, sendo que os casinos territoriais se encontraram entre o tipo de negócio mais afetado. Neste sentido, o Grupo Solverde parece determinado em investir no mundo dos jogos de sorte e azar online, uma indústria que gera milhões de euros todos os anos e que parece representar o futuro do sector dos casinos. Ao todo, cerca de 8 milhões de euros foram canalizados para o serviço online do Grupo Solverde, que segundo o Jornal Económico distribuiu mais de 450 milhões de euros em prémios desde o início do ano. Fundado em 2017, o serviço digital da Solverde teve em 2020 o seu ano mais forte, fruto de um forte investimento interno e de uma natural maior adesão por parte dos jogadores portugueses. Estima-se que cerca de 200 mil utilizadores tenham passado pela página da Solverde em 2020.

Um novo amanhã para os grandes casinos portugueses?

Com estabelecimentos de Norte a Sul do país, o Grupo Solverde é a entidade empresarial líder do sector em Portugal. Mas nem mesmo as exorbitantes casas de jogo da Solverde parecem ter escapado ilesas a um ano que se revelou único em termos económicos, e em que todo o tipo de empreendimentos comerciais foram mais ou menos afetados por uma série de restrições sem precedentes. No entanto, o futuro dos casinos territoriais portugueses já se adivinhava difícil muito antes do começo do ano civil de 2020. O principal culpado? O crescente sector dos casinos e sites de apostas online, que oferece aos jogadores um grande número de vantagens que não podem ser contrastadas pelos tradicionais casinos territoriais.
Ao contrário dos casinos e das pequenas casas de jogo, licenciadas ou clandestinas, os sites de casino online são acessíveis a qualquer hora do dia, durante qualquer período de tempo, e sem qualquer tipo de restrição (partindo do princípio de que os utilizadores são maiores de idade). Através dos sites de jogo, os portugueses podem apostar em todo o tipo de jogos, desde a fortuita roleta até ao cerebral poker, sem sequer saírem do sofá. Estes serviços digitais são por isso muito mais apetecíveis do que os seus homólogos territoriais, que exigem deslocações incómodas e que podem estar longe do alcance de vários cidadãos, principalmente no Interior do país ou em regiões como a Madeira e os Açores.
Outrora predominante, a marca casino Solverde tem perdido muita da sua influência para estes novos serviços, que são especialmente populares entre os jovens. Segundo os dados estatísticos da Sociedade de Regulação de Inspeção de Jogos (SRIJ), estima-se que mais de 50% dos utilizadores de sites de casino e apostas online tenham menos de 44 anos. Isto pode explicar o investimento sério do Grupo Solverde nas suas novas plataformas digitais. Participar deste novo e excitante mercado é fundamental para a consolidação de um futuro no sector, que parece cada vez mais passar pelos nossos ecrãs de telemóvel e computador. Em 2020, parece claro que a função dos tradicionais casinos territoriais deve ser reestudada, reinventada, e reavaliada.

Turismo e cultura como futuro?

Apesar do advento dos sites de casino e apostas online, os casinos territoriais portugueses continuam a gerar bastante lucro e a coletar milhões de euros em receitas. No entanto, parece claro que a natureza destes casinos deve ser remodelada, com um enfâse acrescido no seu potencial turístico e cultural. Se os novos sites de jogos de sorte e azar substituem de forma eficaz as máquinas de jogo, roletas, ou mesas de poker que encontrámos nos grandes casinos de Portugal, estes estabelecimentos devem procurar apostar em serviços que não podem ser substituídos por um equivalente digital.
Neste ponto, é recomendável que os grandes casinos portugueses comecem a investir mais em espetáculos ou eventos culturais? Acima de tudo, estes estabelecimentos são importantes para a economia regional, servindo também como uma fonte de cultura e entretenimento para as comunidades locais. Em cidades como Chaves ou Espinho, os casinos da Solverde têm uma importância fundamental no que toca à divulgação cultural da região, à criação de emprego, e à criação de prestígio local. Servem ainda como um substituto eficaz para os teatros municipais ou casas de espetáculo, sendo normalmente dotados de infraestruturas ideias para a organização de eventos, exposições, ou concertos. Parece por isso claro que por aqui deve passar pelo menos parte do futuro dos casinos portugueses.
Em sentido contrário, continuam a existir muitos jogadores em Portugal (principalmente entre as gerações mais velhas) que preferem jogar cara-a-cara e sentir na pele as emoções de uma visita ao casino. Convencer os jovens, mais habituados às facilidades da tecnologia, será contudo um desafio muito mais complicado. Ainda assim, o Grupo Solverde tem demonstrado capacidade para prever o desafiante futuro dos seus casinos, com uma aposta séria numa plataforma online que não deverá substituir os seus estabelecimentos territoriais, mas antes complementá-los.

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