Saúde

Oito horas “sem comer”, Beatriz não abandona doente em ambulância à porta de hospital

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Depoimento de uma voluntária que acompanhou durante 8 horas um doente em espera para conseguir entrar num hospital.

“Tenho saudades da liberdade.
O preço a pagar pelo excesso de liberdade de uns, entra na conta de outros.
O senhor deitado nesta ambulância, tem nome. É pai, é avô, é tio. É um ser humano, não é um número. O senhor em causa esteve 8 horas e 30 minutos deitado numa maca que não tem, nem de longe nem de perto, o conforto de uma cama, numa ambulância fria onde não podemos ligar o ar-condicionado, sem comer, sem medicação. Eu não comi, não fui à casa de banho, não bebi água.
Eu e o senhor que me acompanhou neste “confinamento”, fomos reféns do excesso de liberdade de quem não pôde esperar por abraçar, por ir às compras, por ir beber uns copos. Eu e o senhor que podia ser o pai de qualquer um de vocês, sofremos sozinhos e calados durante horas, sem condições nem dignidade, porque ainda não há vacina para a estupidez humana.
Fiquem em casa, levantem os olhos do vosso umbigo e façam o esforço, por mim, pelo senhor que sofreu com febre e sem comer durante 8 horas e pelos profissionais que dentro do hospital, tem de escolher quem leva a única maca que resta.
Espero que tenham aproveitado o Natal e o Réveillon.
Eu e centenas de colegas deste lado, tivemos umas festividades do caraças.
Beatriz, uma voluntária de Emergência Pré-Hospitalar”

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