Lifestyle

Governo português prolonga concessão de três casinos em virtude da pandemia

Partilhe esta notícia!

O governo português optou por prolongar a concessão de exploração de jogos de azar e fortuna a três casinos territoriais. São eles o Casino Estoril, Casino da Figueira e Casino Lisboa. Os novos acordos são válidos por mais três anos, conforme apurou o site Dinheiro Vivo.

Os acordos vigentes tinham validade até dezembro de 2020 e, de acordo com a legislação, deveria haver um concurso público internacional para as zonas de jogo. No entanto, em virtude do avanço do coronavírus em Portugal, a execução do concurso por parte do governo luso ficou inviabilizada e optou-se por renovar automaticamente a concessão a esses três casinos.

Segundo o Ministério da Economia, “dadas as circunstâncias inerentes à pandemia da doença covid-19 e às condições adversas de mercado, não houve objetivamente possibilidade de lançar concursos”. Ainda de acordo com a apuração, o governo “está a criar, em articulação com a associação do setor, o quadro apropriado para gerir o impacto da pandemia e das restrições ao funcionamento dos casinos neste ano e no próximo, que tornam inexigíveis as contrapartidas mínimas existentes nos contratos e que comprometem a solvabilidade das empresas”. A tendência é que as mesmas medidas sejam tomadas em relação às entidades cujas concessões vigentes terminem em 2023.

Tanto o Casino Estoril quanto o Casino Lisboa são controlados pelo grupo Estoril Sol. Além de ser um dos casinos físicos mais tradicionais da Europa (e o mais antigo em funcionamento na Península Ibérica), o Estoril também conta com uma versão digital em operação no país desde 2016, o ESC Online, que se destaca no mercado por um série de factores como variedade de jogos, apostas desportivas, bonus de registo e outras promoções. Já o Casino da Figueira é controlado pelo Grupo Amorim Turismo, que adquiriu a Sociedade Figueira Praia nos anos 90.

Setor sofre com perdas

Foto: Divulgação/Casino Lisboa

O avanço da pandemia, combinado com o crescimento de modalidades online de apostas em jogos de azar e apostas desportivas à cota têm levado o setor de casinos a uma enorme preocupação em relação à saúde financeira – o que se traduz em perdas.

Segundo o Dinheiro Vivo, entre janeiro e setembro de 2020, os casinos físicos registaram uma retração de 48% em receitas em relação ao mesmo período do ano anterior. A arrecadação total nos três primeiros trimestres de 2020 foi de 122 milhões de euros. Desta forma, a prorrogação automática das concessões também é considerada compensatória para minimizar as perdas e não quebrar as empresas do setor.

Só o grupo Estoril Sol, que além dos casinos citados também detém controle sobre o Casino Póvoa do Varzim, registou quebra de 50,6% nas receitas de suas atividades, segundo a Associação Portuguesa de Casinos.

Os números tiveram uma ligeira melhora no terceiro trimestre de 2020 – período em que houve maior flexibilização das medidas de circulação em virtude da pandemia. Segundo dados do Serviço de Inspeção e Regulação de Jogos (SIRJ), organismo responsável pela fiscalização e regulamentação do setor em Portugal, a receita dos casinos físicos entre julho e setembro foi de 50 milhões de euros – 334% de crescimento em relação ao trimestre anterior, que foi o período mais duro da pandemia no qual os estabelecimentos permaneceram fechados.

No entanto, o número ainda é bastante inferior ao observado no mesmo período de 2019, que foi 86 milhões de euros (cerca de 42% de retração), o que de certa forma denota o impacto negativo que a pandemia está a causar ao segmento – e a tantos outros setores económicos.

Os casinos físicos voltaram a abrir em junho do ano passado. Porém, desde setembro, houve maior rigidez nas restrições e os casinos voltaram a fechar às 23h, por conta do aumento do número de casos. Com o aumento da segunda onda, a tendência é que as receitas voltem a ficar menores no período entre outubro e dezembro, agravando ainda mais a crise do setor de jogos.

Enquanto isso, os casinos online registam crescimento de receitas, número de jogadores e arrecadação de impostos, se convertendo em uma alternativa eficaz aos praticantes de jogos de azar – o que exigirá uma profunda reflexão por parte dos grupos que controlam os casinos físicos nos próximos anos.

 

Comentários

topo