Entrevista

Chega surpreendeu em Vila Verde. Fernando Feitor já tem os olhos nas Autárquicas

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Presidenciais 2021. André Ventura ficou à frente de Ana Gomes em 28 das 33 freguesias de Vila Verde. O rosto deste resultado não é só do deputado único do Chega. Fernando Feitor, presidente da Comissão Política do Chega Vila Verde fala em trabalho feito por uma equipa que “ajudou a desenvolver esse trabalho durante este último ano”.

Em entrevista exclusiva ao Semanário V, Fernando Feitor fala do seu passado na política em Vila Verde, como deputado municipal pelo Partido Socialista, como conseguiu cativar votos em André Ventura, no concelho, para estas Eleições Presidenciais e dá-nos já um cheirinho das Autárquicas 2021.

Paulo Moreira Mesquita (PMM) – O que o fez abraçar este projeto do Chega? Em tempos era deputado municipal pelo Partido Socialista em Vila Verde…

Fernando Feitor (FF) – Abracei este projeto porque o Chega (CH) é o partido do politicamente incorreto, da linguagem do povo, das pessoas de bem, e por isso não se verga a nada nem a ninguém por interesses obscuros, compadrios e corrupções que é o que normalmente alimenta o politicamente correto que nos vem a minar e empobrecer há cerca de 47 anos. E no que se refere ao facto de ser deputado pelo PS em Vila Verde, não é sinónimo que fosse socialista, uma vez que, como sabe, em eleições autárquicas, na grande maioria das vezes votamos pela pessoa e não pelo partido, e foi exatamente o que aconteceu, sendo que acabei por me demitir precisamente porque as linhas de orientação eram de facto socialistas, onde nunca me revi. Resumindo e para que fique claro e público, na altura acreditei no candidato, pensando que poderia fazer algo diferenciado da rede socialista, mas não foi isso que aconteceu e aí, ía contra os meus princípios, por isso apresentei a minha demissão, militando apenas cerca de dois anos e num momento que ainda não existia o partido CH.

PMM- Como explica o fenómeno “André Ventura”? Concorda com a tese de que André Ventura e o Chega se confundem? Um não sobrevive sem o outro?

FF – Deixe-me referir-lhe que é um fenómeno único e de todos os tempos no mundo o que está a acontecer com o CH, sendo mesmo alvo de estudos por esse mundo fora por vários e conceituados politólogos.
Como lhe disse acima, o André Ventura (AV) fala o politicamente incorreto, sem medos, e toca em feridas do nosso país que estão abertas há muito tempo e que ninguém se importa de as curar. Infelizmente a comunicação social em geral deturpa e distorce as palavras de AV, porque acredito que se a comunicação social fosse isenta, o AV já estaria muito perto de ser a maior força política no nosso país.
Quanto a sobrevivência do CH sem AV, neste preciso momento, acredito que seria difícil, no entanto estamos a pouco mais de um ano da existência deste partido, por isso temos muito caminho a percorrer, e acredito que essa dependência mútua ira desaparecer com o tempo, e outros nomes surgirão entretanto para dar continuidade ao projeto CH com a mesma garra e convicção.

PMM- Que opinião pessoal e política tem de André Ventura? Na televisão é uma coisa e no trato com as pessoas é outra?

FF – Como pessoa AV é muito afável, atencioso e cordial, duma simpatia ímpar sem nenhuma falsidade de sorrisos forçados, é um homem genuíno e de bom coração. Como político, a minha opinião sincera, é que talvez seja o único e primeiro político em Portugal sério, sendo que no discurso é sempre assertivo e contundente nos assuntos que mais deveriam preocupar os portugueses.
Há uma característica que é comum as duas versões, a pessoal e política, tem um excelente sentido de humor. Concluindo, no meu ponto de vista, é exatamente a mesma pessoa, com o mesmo carácter e personalidade, o que difere tem a ver com o comportamento adequado a cada uma das situações.

PMM- Como acompanhou estas eleições presidenciais em pleno Estado de Emergência? Acha que foi a melhor altura para as fazer?

FF – O CH e AV fizeram um excelente trabalho em todo país, e sempre que possível foram cumpridas as regras de segurança, e concordo que as eleições fossem nesta altura, uma vez que no momento de votar, é um ato individual, por isso não via razões para não se fazerem.

PMM- Viu os debates? Quem capitalizou mais eleitorado?

FF – Vi, e deixe que lhe diga, que nenhum candidato teve a classe intelectual, como teve AV.
Foram os debates que naturalmente capitalizaram os cerca de 500 mil votos, porque até aí a comunicação social não lhe deu o palco que todos os outros tiveram, e se reparou, quase todos os candidatos eram contra AV e o principal objetivo era derrubá-lo, mas estiveram constantemente a dar tiros nos próprios pés e o tiro saiu-lhes pela culatra.

PMM- Acha que os portugueses ficaram esclarecidos com as propostas de cada candidato nos debates televisivos?

FF – Quanto a propostas, muito sinceramente pouco ou nada se viu, uma vez que o objetivo era atacar e chamar nomes a AV. Sinceramente pouco se falou de política, foi mais um lavar roupa suja.

PMM- Ana Gomes ficou à frente de André Ventura. A demissão do líder do Chega é o caminho? Se sim, deve-se recandidatar?

FF – AV no início do discurso da noite eleitoral assumiu o que tinha prometido, e vai naturalmente demitir-se, sendo que faz todo o sentido a sua recandidatura, pelas razões acima descritas, ou seja, neste momento e pela juventude deste partido, o CH é AV e o AV é o CH. Naturalmente que daqui por mais um ou dois anos aparecerão outras pessoas com perfis idênticos a AV para poderem um dia dar seguimento a este projeto que vai com certeza mudar Portugal.

– De onde acha que veio a esmagadora maioria dos votos em Ana Gomes?

FF – Não será muito difícil de adivinhar, ou seja, os socialistas mais à esquerda que não se revêm em Marcelo, e todas ou quase todas as minorias subsídio dependentes que ela defendeu com unhas e dentes.

PMM- André Ventura ganhou terreno no Alentejo. Na sua opinião são eleitores descontentes com a esquerda em Portugal, ou são “novos” eleitores que por hábito não votam e André Ventura conseguiu “tirá-los do sofá”?

FF – Aqui penso que será um pouco dos dois, mas deixe-me que lhe diga que de certa forma os comunistas deram uma lição a todo o país, principalmente ao norte de Portugal. E é um sinal claro que o comunismo em Portugal tem os dias contados até à sua extinção, porque para quem se informe um pouco mais percebe claramente que o comunismo nunca funcionou, não funciona e nunca funcionará em lado nenhum do planeta, ou seja, o comunismo é uma utopia.

PMM- Os resultados de André Ventura em Vila Verde surpreenderam quase todos os vila-verdenses. A si também? Esperava ficar à frente de Ana Gomes em 85% das freguesias?

FF – Sinceramente, a mim não me surpreendeu, porque sabia o trabalho que tinha feito no terreno, e foi sem dúvida o resultado que estava à espera. E quero aqui deixar uma palavra de agradecimento em geral a todos os vila-verdenses que votaram AV, e em particular a toda a minha equipa que me ajudou a desenvolver esse trabalho durante este último ano.

PMM- Em 5 freguesias André Ventura teve mais de 15% dos votos válidos: Cabanelas, Cervães, Marrancos e Arcozelo, Ribeira do Neiva e Ponte S. Vicente. Nesta última quase 20%. Como analisa estes resultados?

FF – São resultados esperados, tendo em conta a representatividade da minha equipa nessas freguesias, ou seja, são pessoas de bem, com capacidade de liderança e que não tiveram receio de assumir em público este projeto, dando o corpo às balas, dando a conhecer o mesmo, e esclarecendo aqui e ali as dúvidas, normalmente lançadas e alimentadas pela comunicação social.

PMM- Que projetos tem o Chega para Vila Verde? Fernando Feitor vai ser candidato à Câmara Municipal?

FF – O CH veio para ficar e se solidificar em Vila Verde.
Como todos já sabem, o CH é um partido totalmente diferente do que estamos habituados nestes últimos 47 anos. Viemos para fazer diferente, ou seja, tudo diferente, porque já dizia Albert Einstein, “Fazer sempre a mesma coisa, e esperar resultados diferentes, é uma insanidade mental”, por isso, o CH vem para fazer uma rutura com o passado, passando por uma reestruturação organizacional dos serviços públicos no nosso concelho com o sentido claro de reduzir ao mínimo possível as burocracias que todos conhecemos, assim como reduzir ao mínimo possível as despesas da população em geral no sentido de aumentar o poder de compra das pessoas e naturalmente melhorar todas as infraestruturas já existentes, assim como fazer as que estão em falta em todo o concelho. O CH não veio para ficar bem na fotografia, veio sim para fazer o que é necessário e faz falta, por isso, tudo o que são gastos públicos de segunda, terceira ou quarta necessidade, serão relegados para o futuro em detrimento do que é essencial e necessário fazer.
Também haverá espaço para uma Juventude Chega em Vila Verde, que passará por fazer perceber aos jovens vila-verdenses que há uma necessidade de se interessarem pela política, onde a descrença e o desinteresse é maior. Confio nos jovens, assim como precisamos deles e das suas ideias inovadoras para fazer frente às suas necessidades.
O CHEGA Vila Verde conjuntamente com a Distrital está a desenvolver um projeto de apoio social para combater a violência doméstica, o desemprego e o isolamento dos mais idosos etc… As famílias mais carenciadas, as crianças, os jovens e idosos estarão na mira do CHEGA Vila Verde.
Quanto ao candidato, caber-me-á a mim anunciá-lo como presidente da concelhia de Vila Verde do partido Chega, mas isso é um assunto em que nos vamos debruçar nas próximas semanas, e no momento certo e oportuno, será feito um comunicado oficial onde será anunciado o candidato pelo CH a Câmara municipal de Vila Verde.

PMM- Há já trabalho a ser feito nas freguesias a pensar nas Eleições Autárquicas deste ano? O Chega quer ter candidatos às juntas e às assembleias de freguesia?

FF – Sim, já há muito trabalho desenvolvido nesse sentido, e vamos naturalmente tentar concorrer em todas as freguesias do concelho e ,como já foi dito, à Câmara também.

PMM- Como olha para o panorama político em Vila Verde?

FF – Neste momento, o que se passa em Vila Verde, é um pouco o que se passa no país em geral. Há um total desgaste quer dos partidos do sistema, quer dos seus representantes. Vila Verde, precisa de sangue novo, de malta jovem e dedicada, de pessoas maduras também, mas com ideias totalmente diferenciadas do que estamos habituados. Em Vila Verde o PSD não tem neste momento na sua direção uma pessoa que seja capaz de ser candidato à Câmara e que rompa com as políticas que têm sido adotadas pelo partido na nossa terra nos últimos anos. E penso que cada vez mais os vila-verdenses são contra este tipo de política. As pessoas começam a ver os compadrios do partido a serem ajustados diretamente à Câmara e não gostam.
O PS tem vindo a perder com as trocas de líderes internos. Para serem oposição tem que mostrar firmeza e ter uma liderança interna forte e neste momento isso não acontece.
CDS-PP ficou órfão em Vila Verde do seu líder Paulo Marques, que era uma pessoa exemplar na política concelhia, e penso que acabará por desaparecer. Concluindo, a política em Vila Verde está viciada, caduca e completamente ultrapassada, precisa de uma mudança de 180º.

PMM- Na sua opinião, quais são os maiores problemas na sociedade portuguesa e como conseguirá André Ventura e o Chega resolvê-los?

FF – Na minha opinião, Portugal está inundado em corrupção, nepotismo, falta de justiça e favores, e AV é muito claro no seu discurso em relação a estes temas, e arrisco-me a dizer que se se acabar com a corrupção tudo o resto melhora, porque a corrupção está inerente e ligada a todas as outras coisas. E assim passaria a funcionar muito melhor a justiça, prendendo os prevaricadores e arrestando os valores que nos roubaram para benefício da sociedade, que era isso que deveriam ter feito a Ricardo Salgado, José Sócrates, Godinhos, Varas entre muitos outros.

PMM- Uma coligação com o PSD de Rui Rio é a única forma do Chega chegar ao poder do Parlamento?

FF – Não. Será talvez em umas próximas eleições legislativas um cenário provável e possível de acontecer, mas acredito que muito mais gente vai acordar daqui para a frente e seremos com toda a convicção a primeira força política em Portugal dentro de 6 anos. Para isso acontecer, aproveito para aqui deixar um apelo a todas as pessoas que não votam como forma de protesto, para que nas eleições dos próximos anos protestem com a caneta, saiam de casa e façam um X, no único homem capaz de mudar Portugal, e pôr Portugal como um dos melhores países para se viver, e o nome dele é André Ventura.

Aproveito para convidar Todos os vila-verdenses que desejam informação sobre o projeto Chega de Vila Verde, especialmente para as próximas Eleições Autárquicas, para nos contactar pelo email [email protected].

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