Opinião

Editorial. O dia em que a Justiça somou pontos

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Sentei-me mais depressa eu no banco dos réus do que o presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, António Vilela, pelos crimes de que está indiciado pelo Ministério Público. Essa é a verdade e o resto são fait divers.

O Semanário V tem sido reconhecido pelo seu trabalho de escrutínio constante à gestão pública por parte de autarcas no concelho de Vila Verde. Foi através da nossa reportagem de investigação “Apanhados da Teia” que se desencadeou uma cadeia de ações levadas a cabo pela Polícia Judiciária e Ministério Público para aferir como e de que forma estavam a ser gastos dinheiros públicos para favorecer empresas de autarcas “amigos” do sistema. Já no final do ano passado, dezenas de inspetores da PJ, acompanhados por magistrados do MP, estiveram em Vila Verde a realizar buscas na Câmara Municipal, a casas de presidentes de junta e a viaturas de alguns nomes sociais-democratas (esta parte da notícia fica para breve)… A justiça quer saber se foi legítimo o negócio de milhões entre a autarquia vila-verdense e as empresas geridas ou controladas por autarcas concelhios. Mas também andam ao cheiro da construção de uma habitação que, segundo consta, foi feita ao desbarato por uma empresa de construção ligada ao “sistema” – a entrega de pedras também foi investigada.

O que nos leva a esta edição especial do Semanário V: António Vilela tentou, a meu ver, intimidar a linha editorial do Semanário V e seus jornalistas, ao dar início a um processo na justiça em que acusava a empresa proprietária do jornal, Press F1 Lda, o nosso (na altura) jornalista Fernando André Silva, e a mim enquanto autor da notícia em causa e diretor do jornal.

O que Vilela se esqueceu, é que nem todos os concelhos de Portugal têm a justiça subalterna do PSD. Mais ou menos demorada, a justiça ainda tem lugar na nossa democracia, e este é um caso que prova isso mesmo.

Em Vila Verde, e muito bem, o Ministério Público decidiu arquivar o processo, mas Vilela não resistiu a incomodar o nosso trabalho e recorreu para Braga, onde, segundo se vai dizendo em Vila Verde, os ventos correm a favor dos aliados de eurodeputado José Manuel Fernandes. Sociais-democratas, portanto. Para muito espanto meu, era verdade! A juíza de Braga confirmou a veracidade integral de tudo que noticiamos, realçou o facto de que, mal soubemos da devolução do passaporte a Vilela, rapidamente retratamos as informações menos precisas e no fim… pronuncia-me por um crime de difamação agravada, apenas e só, porque não tinha como provar que “a notícia tinha caído como uma bomba no seio do PSD de Vila Verde.” Não é comédia: foi mesmo isto que aconteceu.

Aconselhado pelo meu advogado, Tiago Batista Máximo, remeti-me ao silêncio em fase de instrução, no Tribunal Judicial de Braga. Mas a muito custo. As barbaridades que estava a ouvir por parte do procurador do Ministério Público a meu respeito e a tentativa de levantar uma suspeita no ar a meu respeito sobre quais seriam as minhas reais motivações para noticiar o que noticiei foram exageradamente difíceis de engolir a seco. Mas teve de ser. O senhor procurador estava mais interessado em saber das minhas fontes de processos que estavam em segredo de justiça, do que propriamente sobre o motivo que me levou àquele tribunal ou, no limite, porque Vilela me queria intimidar e silenciar ao relatar indícios que os seus próprios colegas do Ministério Público e inspetores da PJ tinham tornado públicos.

Felizmente, Guimarães é outra terra! O caso foi analisado pela Relação e, como já seria expectável, veio dar razão ao trabalho feito na Justiça em Vila Verde: o caso devia ter morrido em fase de inquérito. O que é certo é que, desde que sou diretor do V (desde que nasceu) estou constantemente como arguido perante a Justiça Portuguesa e, por consequência, com Termo de Identidade e Residência. Com a defesa paga por mim, mas, como neste caso, quem me acusa a pagar as despesas com dinheiros públicos.

Resta-me agora esperar pelo novo processo-crime de que já estou acusado pela vereadora Júlia Fernandes e por José Santos, presidente da Caixa Crédito Agrícola de Vila Verde – outro que prefere que não se fale nas “coisas”.

Um passarinho disse-me que Vilela andou a dizer que “ia fechar o V” graças a este processo. “Quem não coça não mama” mas… ainda não foi desta!

Um abraço!

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