Aires Fumega

Opinião. Presidenciais: Populismo Vs Seriedade

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Num período de incertezas, esta campanha eleitoral começou com algumas certezas: A certeza que Marcelo Rebelo de Sousa iria ser reeleito e consequentemente a certeza que nenhum outro iria sequer conseguir levar Marcelo a uma segunda volta.

Inicialmente todos os candidatos esboçavam frases começadas por “Se eu for eleito presidente…” e na loucura chegou-se mesmo a dizer “Quando eu for eleito presidente”.

Isto numa fase muito remota da campanha. Passado este período inicial, passou a estar centrada na discussão pelo segundo lugar.

Ora como sabemos, o segundo lugar não tem qualquer beneficio prático, pois ao contrário das legislativas, os candidatos derrotados não irão exercer a presidência em conjunto com o vencedor. As motivações serão portanto outras.

Marcelo parte como o vencedor inquestionável. Fortemente apoiado pelo centro de direita e esquerda, era impossível perder.

Ana Gomes inicia uma caminhada no deserto. Sabe que não ganha. No entanto sonha perder numa segunda volta.

Os restantes candidatos têm apenas a intenção de marcar presença ou reforçar o posicionamento dos partidos que representam. Assim sendo, alguns podem até considerar-se vitoriosos.

Marisa Matias e João Ferreira em representação dos partidos mais à esquerda iam apenas lembrar que os partidos existem. O BE e o PCP fizeram uma aposta financeira grande e obtiveram um fraco resultado, revelando-se um investimento perdido.

Tiago Mayan também com o claro propósito de semear a doutrina da economia liberal foi deambulando pela campanha eleitoral. No final teve uma votação. Se é boa ou má ninguém sabe ao certo, pois não se pode fazer paralelismo com as legislativas.

O Tino, igual a si próprio e com a fé que lhe é reconhecida, fez uma campanha quase sem sair de Rans, fazendo lembrar que ainda existe e esperando conseguir um lugar como deputado do RIR, nas próximas eleições.

André Ventura foi o grande agitador da campanha. Inaugurou o insulto brejeiro na política nacional e denominou-se como anti-sistema. Serve para refletirmos se vale a pena falar tão mal do atual sistema democrático. Se queremos que ele seja substituído por outro sistema.

Marcelo Rebelo de Sousa, agora reeleito, é uma figura simpática e não tem que deixar de o ser, mas este “populismo fofinho” era escusável. Não precisa de “levantar dinheiro no MB como nós”; “estar na fila do supermercado como nós”; “ir buscar o jantar ao restaurante como nós”. Da mesma forma que não precisa de cair no ridículo de ir de carro particular (com máscara) “sozinho”, fazer o seu discurso de vitória na noite de eleições.

Marcelo é o Comandante Supremo das Forças Armadas. Não é insubstituível, é certo, mas é difícil e caro de substituir. As eleições envolvem milhões de pessoas e meios que custam dezenas de milhões de euros.

Não se pode ter um comportamento leviano, como o que Marcelo tem tido. Não se pode sequer equacionar que morra o Presidente da República com Covid por não ter sido dos primeiros a tomar a vacina. Nem ele nem os altos cargos do país. Isso é populismo barato e demagogia, servidos em doses diárias que nos habituamos a comer.

Cabe-nos decidir se alimentamos um futuro político baseado em populismo, ou alguma elevação que era apanágio da democracia e política séria.

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