Vila Verde

Presidenciais. “A Constituição não foi pensada contra as pessoas”

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Filipe Silva é presidente da Junta de Freguesia de Soutelo, em Vila Verde, e administrador-executivo nas Águas do Norte, cargo para o qual foi nomeado pelo governo socialista em 2017. Antes da nomeação era o responsável de Marketing e Gestor de Projetos na agora insolvente IEMinho- Instituto Empresarial do Minho, desde 2007.

O Semanário V esteve à conversa com o autarca.

Semanário V (V) –  As eleições presidenciais tiveram lugar numa altura em que a pandemia provocada pelo novo coronavírus levava Portugal a ser notícia em todo o mundo pelos piores motivos. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro, António Costa, diziam que constitucionalmente não era possível adiar. Concorda?

Filipe Silva (FS) – As eleições presidenciais ocorreram sobre a realidade de uma pandemia, e um momento da sociedade que nenhum cidadão ou organização estava preparado. Ao longo do último ano a sociedade foi convidada a reinventar-se para sobreviver, pelo que o ato das eleições presidenciais foi mais um exemplo de superação da nossa sociedade em tempos de Pandemia. Partindo do princípio que a Constituição não foi pensada “contra” as pessoas, quero acreditar que era possível através de uma ferramenta que se chama o “bom senso”, ter marcado este ato eleitoral para um momento de maior segurança para todos. Mas também acredito que o adiamento das eleições era a decisão mais confortável para o António Costa e para o Marcelo Rebelo de Sousa.

 

V – Como se preparou a Junta de Freguesia de Soutelo para o ato eleitoral do passado dia 24 de janeiro?

FS – As eleições presidenciais foram um enorme desafio para toda a sociedade. Neste caso para as autarquias, para os cidadãos que participaram na Constituição das mesas de voto e para os cidadãos que exerceram o direito de voto. O sucesso desta iniciativa estava pendente do comportamento exemplar de todos os participantes.

O objetivo que orientou o processo foi mitigar ao máximo o risco de contágio, garantindo um serviço de confiança para que todos pudessem participar em segurança.

 

V – Como decorreu o processo durante o dia? Tem ideia do tempo médio que cada eleitor demorou a votar?

As equipas da mesa de voto organizaram e pensaram o processo eleitoral para que fosse o mais seguro possível para todos. Neste ato eleitoral o tempo não era uma variável prioritária.

 

V – Quantos colaboradores estiveram na mesa de voto? Manifestaram algum receio face à crescente do número de infetados e mortes por Covid-19 que assolava Portugal?

As mesas de voto em Soutelo contaram com dez colaboradores, que organizaram e executaram de forma exemplar todo o processo. Acredito que foram os principais vencedores destas eleições, com um claro exemplo de cidadania! As equipas das mesas de voto encararam este processo com um enorme sentido de responsabilidade e dever cívico, o que permitiu que o processo acontecesse com sucesso.

 

V – No panorama nacional, como analisou a queda da esquerda em Portugal?

As eleições presidenciais não elegem partidos ou ideologias partidárias mas sim candidatos.

 

V – E o aparecimento de uma “nova” direita, nomeadamente no Alentejo?

A realidade é que esta “nova” direita é já uma opção ideológica de um conjunto vasto e representativo de portugueses.

 

V – O Partido Socialista deveria ter apresentado um candidato?

O Partido Socialista nunca apresentou nenhum candidato às eleições presidenciais, do qual não foi exceção o último ato eleitoral. Como cidadão defendo que as eleições presidenciais devem eleger candidatos e não partidos.

 

V – Espera ver um Marcelo Rebelo de Sousa diferente, ou igual ao primeiro mandato?

Espero um Presidente da República igual ao Marcelo Rebelo de Sousa do primeiro mandato. Um Presidente da República comprometido com os interesses e as prioridades do País e dos Portugueses.

 

V – Porque tem resultado este “casamento” entre Marcelo e Costa?

Porque ambos estão comprometidos com um objetivo comum que é o bem-estar dos portugueses.

 

V – Ana Gomes ficou em 2º lugar na freguesia de Soutelo, com 113 votos válidos. Apenas mais três que André Ventura. Contudo, o deputado único do Chega ficou logo atrás de Marcelo Rebelo de Sousa em 28 das 33 freguesias de Vila Verde. Como analisa esta ascensão do deputado único do Chega, que muitas vezes se confunde com o próprio partido?

Nestas eleições não foram os cidadãos de Vila Verde que votaram, mas sim os cidadãos de Portugal, pelo que o resultado das eleições presidenciais em Vila Verde é representativo da tendência de voto observada no País. Acredito que os partidos políticos conservadores estão atentos, e vão ser capazes de interpretar os “sinais do voto”, no sentido de dar resposta a um conjunto de questões fundamentais para a sociedade portuguesa.

 

V – Podemos, pela análise a estes resultados em Vila Verde, antever como serão as autárquicas no concelho?

Não. São processos e motivações completamente diferentes. Acredito que as pessoas é que fazem a diferença e que o Marcelo Rebelo de Sousa não será candidato em Vila Verde, pelo que não é correto retirar conclusões relativo às próximas autárquicas, tendo como base os resultados das eleições presidenciais.

 

 

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