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A ‘ilusão’ de Ana Gomes: Ventura “admitiu a pena de amputação de mãos”

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Ana Gomes quer ilegalizar o Chega

A ex-candidata presidencial Ana Gomes pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que reaprecie a legalização do Chega como força política, alegando que este partido viola a Constituição da República, e investigue a origem do seu financiamento.

Esta iniciativa da ex-eurodeputada socialista para a reapreciação da legalização do Chega como partido no quadro do regime político português foi avançada na edição da passada quinta-feira (4) do Diário de Notícias.

Na mesma notícia, o DN adianta que a ex-eurodeputada socialista enviou a sua participação “à presidente da Comissão Europeia, ao presidente do Parlamento Europeu, ao diretor da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, ao secretário-geral do Conselho da Europa, ao secretário-geral da ONU e aos diretores da Europol e do Eurojust”.

Numa mensagem que publicou na sua conta pessoal da rede social twitter , Ana Gomes refere que vários jornalistas estão a pedir-lhe comentários sobre esta sua decisão de ter formalizado o pedido de ilegalização do Chega.


No entanto, comentários “já fiz muitos. Só tenho mais uma pergunta sobretudo dirigida à PGR, Tribunal Constitucional, Governo e Presidente da República. Mas então a Constituição e a lei não são para cumprir neste país?”, escreveu a diplomata.

Nas eleições presidenciais de 24 de janeiro passado, a socialista Ana Gomes, apoiada pelo PAN e pelo Livre, ficou em segundo lugar com 12,9%, correspondentes a 541.555 votos, num ato eleitoral em que o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, venceu logo à primeira volta com 60,7% dos votos.

Ana Gomes, que nas presidenciais ficou à frente o líder do Chega, André Ventura, com mais um ponto percentual, fundamenta a sua pretensão junto do PGR elencando “mais de 40 pontos com citações e publicações de vários media”.

“O Tribunal Constitucional [TC] e o Ministério Público [MP] não podem continuar a eximir-se à responsabilidade que lhe está cometida”, frisa a diplomata, solicitando à PGR que “instrua o MP a desencadear um processo de reapreciação da legalidade do Partido Chega pelo TC e de consideração da eventual extinção judicial desse partido”.

Ana Gomes pede que se investigue a origem do financiamento do partido Chega e dos seus líderes, “as agressões, ameaças e incitamentos à violência que o referido partido, por parte de seus dirigentes e diversos militantes, vem desencadeando contra jornalistas e ativistas políticos”.

A ex-candidata presidencial salienta depois que “cabe ao MP requerer a extinção de partidos políticos qualificados como partido armado ou de tipo militar, militarizado ou paramilitar, ou como organização racista ou que perfilha a ideologia fascista”.

“O líder do Chega defendeu publicamente a pena de morte, admitiu a pena de amputação de mãos e a necessidade de uma ditadura de pessoas de bem”

Na exposição dirigida à PGR que o Semanário V teve acesso, Ana Gomes diz que o líder do Chega “admitiu a pena de amputação de mãos.”

Contextualizado esta afirmação, é preciso assistir ao debate televisivo entre Ana Gomes e André Ventura, em que o candidato apoiado pelo Chega lembrou que uma sondagem recente dizia que uma larga margem de portugueses defende a prisão perpétua e que ele mesmo concorda com essa proposta. Confrontada com esta sondagem, Ana Gomes considerou que é um “retrocesso civilizacional” que levaria o país de volta à Idade Média e que nem deveria ser proposto. Afirmou mesmo: “Qualquer dia está a defender cortar as mãos aos ladrões”. Ventura, com ironia, retorquiu: “A alguns não faria mal”. A resposta do deputado levou Ana Gomes a afirmar que André Ventura defende a pena de amputação de mãos, sendo um dos argumentos usados no pedido de ilegalização do Chega. No entanto, em nenhuma parte do programa político do Chega faz menção a tal pena.

André Ventura, em resposta à exposição da ex-eurodeputada, escreveu na sua conta de facebook que esta “quer Ilegalizar o Chega. O terceiro maior partido português, segundo as sondagens! Um líder que obteve meio milhão de votos nas últimas eleições. Podia querer combater a corrupção socialista ou a impunidade dos criminosos, mas elegeu o Chega como alvo. É este o espírito dos nossos ‘democratas’?”

A Ana Gomes quer Ilegalizar o CHEGA. O terceiro maior partido português, segundo as sondagens! Um líder que obteve meio…

Publicado por André Ventura em Sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

André Ventura quer PGR a repudiar “o quanto antes” pedido de Ana Gomes

O líder do Chega, André Ventura, tem esperança que a procuradora-geral da República, Lucília Gago, repudie “o quanto antes” o pedido da ex-candidata presidencial Ana Gomes sobre a legalização do partido. “Não deixa de me surpreender que alguma candidata dita democrática e militante de um partido democrático [PS] tenha como objetivo ilegalizar um partido. Só mostra que a doutora Ana Gomes saiu do MRPP mas o MRPP nunca saiu da doutora Ana Gomes”, considerou Ventura, falando aos jornalistas em Ponta Delgada, à margem de uma reunião com dirigentes açorianos do Chega, no passado dia 4.

E concretizou: “O que nós esperamos é que a senhora procuradora-geral da República possa o quanto antes repudiar esta ação da doutora Ana Gomes”. “Isto é uma ofensa a milhares de militantes do Chega”, disse Ventura, reiterando que diversas sondagens dão atualmente o partido como a terceira força política em Portugal. Porém, o Ministério Público confirmou entretanto que está mesmo a analisar a queixa da embaixadora socialista – como faz a todas as denúncias que lhe chegam.

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