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“Debater a reabertura de escolas é extremamente prematuro”, avisa António Costa

(c) LUSA
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O primeiro-ministro defendeu que é “extremamente prematuro” debater a reabertura faseada das escolas ou qualquer forma de desconfinamento e manifestou dúvidas de que o encerramento das escolas tenha, por si só, contribuído para a redução de casos.

“Infelizmente é muito cedo para começarmos a especular sobre essa matéria. Estamos a estudar, estamos a trabalhar, ouviremos os parceiros sociais, as comunidades educativas, falaremos com os autarcas, falaremos também com o Presidente da República, ouviremos os partidos, mas neste momento seria extremamente prematuro trazer esse debate para a opinião pública, porque pode induzir em erro os cidadãos. Induzir em erro no sentido de pensarem que o desconfinamento pode começar para a semana ou daqui a 15 dias. O desconfinamento não vai começar nem para a semana nem daqui a 15 dias”, disse António Costa.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas em conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros que hoje decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa, sobre o prolongamento do estado de emergência a partir de 15 de fevereiro e as medidas a vigorar no combate à pandemia de covid-19, tal como noticiou o Semanário V.

Falar em regresso às aulas “prematuro”

Antecipar se o regresso ao ensino presencial acontecerá, mesmo que forma gradual, antes ou depois das férias da Páscoa, este ano mais reduzidas, é igualmente “prematuro”, disse ainda o chefe do executivo. Sublinhando que as medidas em vigor têm produzido resultados, alertou que têm também custos, nomeadamente na aprendizagem, mas também sociais e económicos, mas que, ainda assim, são “indispensáveis para conseguir trazer de novo a pandemia para níveis de segurança”.

“Estamos ainda longe de o conseguir, por isso neste momento no que nos devemos focar é em prosseguir estas medidas”, disse António Costa, apelando para um cumprimento rigoroso das restrições em vigor e adiantando que qualquer levantamento de medidas será sempre gradual.

“Neste momento o que queria dizer cara a cara aos portugueses, com toda a franqueza, é que concentremo-nos em continuar a cumprir as medidas que estão em vigor com toda a determinação, com o sentido de sacrifício profundo que elas implicam para todos, mas que neste momento acho que seria extremamente precipitado aquilo que certamente teremos que discutir, mas ainda, infelizmente, faltam várias semanas para o termos que fazer”, disse.

“Uma redução geral da circulação das pessoas e um confinamento geral tem consequências imediatas e muito visíveis”.

Questionado se a redução de números de casos diários está diretamente relacionada com o encerramento das escolas, o primeiro-ministro recusou que o Governo substitua os cientistas na análise das relações causais entre medidas individuais e efeitos obtidos, afirmando que “uma redução geral da circulação das pessoas e um confinamento geral tem consequências imediatas e muito visíveis”.

“A regra é simples e é uma verdade de La Palice: quanto maior for o confinamento, mais rápido nós controlamos a pandemia. Se me pergunta se foi as escolas eu tenho dificuldade em dizer que tendo as escolas fechado a 22 [de janeiro] e tendo o pico sido a 24 [de janeiro] que foram dois dias de encerramento das escolas que determinaram essa quebra. É evidente que o encerramento das escolas somado ao encerramento de todas as outras atividades, tudo junto produziu esses resultados”, disse.

António Costa referiu ainda que os estudos conhecidos já indicavam que não eram as escolas que produziam contaminação, mas que uma redução geral da mobilidade trava a circulação do vírus e alertou que é preciso não esquecer “o outro prato da balança”, o dos custos sociais na aprendizagem e vivência familiar.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.355.410 mortos no mundo, resultantes de mais de 107,3 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 14.885 pessoas dos 778.369 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Com Agência LUSA

 

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